Questão bf6a5f80-6e
Prova:UEPB 2008
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Em O vôo da guará vermelha, Irene conta (e ouve) histórias de “fazer durar” ou estender o tempo, atitude similar a de Sherazade, que, para evitar a sua morte pelo sultão, seu esposo, cumpre a tarefa de, à noite, contar-lhe um “conto”, deixando a história em suspenso para que ele tome gosto e queira ouvir a continuação na noite seguinte. No que diz respeito a O vôo da guará vermelha, pode-se afirmar
Em O vôo da guará vermelha, Irene conta (e ouve) histórias de “fazer durar” ou estender o tempo, atitude similar a de Sherazade, que, para evitar a sua morte pelo sultão, seu esposo, cumpre a tarefa de, à noite, contar-lhe um “conto”, deixando a história em suspenso para que ele tome gosto e queira ouvir a continuação na noite seguinte. No que diz respeito a O vôo da guará vermelha, pode-se afirmar
A
que é uma história que atualiza, na ficção, o desejo de vencer a morte (tanto Irene quanto Sherazade estão condenadas à morte), despertando no companheiro o gosto pelo ouvir e, assim, a narradora (Irene, tal qual Sherazade) enche-se do prazer de viver, ludibriando a morte com a narrativa oral.
B
que é uma história que se distancia de nossa realidade, porque quem está condenado à morte (seja por decreto, doença ou quaisquer outros “desígnios”) não sente mais prazer em viver.
C
que é uma história incomparável a As mil e uma noites, porque ambas as fábulas falam de personagens que vivem em culturas diferentes e a comparação se dá apenas pela similaridade.
D
que a personagem Irene, por passar pela morte, não adia o seu destino trágico ao contar histórias para Rosálio: ela narra aquilo que ele quer ouvir, interessada apenas no dinheiro que irá ganhar.
E
que o ato de narrar é atividade do narrador e, logo, a personagem não narra, porque é mera reprodutora da fala que lhe é posta na boca.
Gabarito comentado
F
Fernando VazMonitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O enunciado orienta a leitura pela analogia explícita entre Irene e Sherazade: "Irene conta (e ouve) histórias de “fazer durar” ou estender o tempo, atitude similar a de Sherazade, que, para evitar a sua morte pelo sultão, seu esposo, cumpre a tarefa de, à noite, contar-lhe um “conto”, deixando a história em suspenso para que ele tome gosto e queira ouvir a continuação na noite seguinte." Esse trecho vincula narrar ao prolongamento do tempo e ao adiamento da morte, o que sustenta a escolha da alternativa A.
Tema central: narrar para adiar a morte
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque preserva a chave interpretativa dada pelo enunciado: Irene é aproximada de Sherazade pelo ato de contar histórias de "fazer durar" e "estender o tempo". A formulação também mantém a ideia de que a narrativa desperta no outro o desejo de continuar ouvindo, o que sustenta a continuidade e o adiamento do fim.
B
Errada
Está errada porque contraria diretamente o eixo do enunciado. Se Irene é vinculada a histórias de "fazer durar" e comparada a Sherazade, a obra não é apresentada como negação do prazer de viver, mas como narrativa de resistência ao fim. Além disso, a afirmação "quem está condenado à morte (...) não sente mais prazer em viver" é uma generalização absoluta que não decorre do texto.
C
Errada
Está errada porque nega a comparação explicitamente construída pelo enunciado. Ao dizer "atitude similar a de Sherazade", o comando autoriza e exige a aproximação entre as obras no plano da função narrativa. Portanto, afirmar que a história é "incomparável" a As mil e uma noites contradiz semanticamente o enunciado.
D
Errada
Está errada porque reduz indevidamente a narração de Irene a motivação exclusiva de ganho material e nega a função de adiamento do destino trágico. Isso entra em choque com o núcleo interpretativo dado pelo enunciado: contar histórias para "fazer durar" ou "estender o tempo". O termo "apenas" torna a alternativa ainda mais incompatível, por impor uma exclusividade sem respaldo na base.
E
Errada
Está errada porque contradiz a literalidade do enunciado: "Irene conta (e ouve) histórias". Se o texto afirma que Irene conta histórias, não se pode negar a ela o estatuto de narradora. A ideia de que seria mera reprodutora da fala não encontra apoio na base e se opõe ao verbo expresso no comando.
Pegadinha da questão
A banca explora a possibilidade de o candidato ignorar a expressão "atitude similar a de Sherazade" e, com isso, aceitar alternativas que negam a comparação, absolutizam a experiência da morte ou reduzem a narrativa a interesse prático.
Dica para questões semelhantes
- Quando o enunciado oferece uma comparação explícita, use essa comparação como critério obrigatório de leitura das alternativas.
- Dê peso semântico a expressões-chave como "fazer durar", "estender o tempo" e "evitar a sua morte": elas indicam a função central da narrativa.
- Elimine alternativas com generalizações absolutas quando o texto não autoriza esse alcance.
- Se o enunciado afirma literalmente que a personagem "conta" histórias, descarte opções que neguem sua ação narrativa.






