Questão bdf3b3ff-6e
Prova:UEPB 2008
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Leia os fragmentos 1 e 2, abaixo, e analise o que se afirma sobre eles em seguida.

1. “O meu nome é Severino,/não tenho outro de pia./Como há muitos Severinos,/que é santo de romaria,/deram então de me chamar/ Severino de Maria [...] Somos muitos Severinos/iguais em tudo na vida” (seis primeiros versos do poema Morte e vida severina)

2. “[...] E aqui arribou, onde havia tantos outros, Rosálios, chegados pelas mesmas veredas, macambúzios, revestidos de cinzenta tristeza [...]” (O vôo da guará vermelha. p. 12)

A leitura dos fragmentos permite o leitor perceber

I - que ambos convergem para um mesmo ponto semântico: a aproximação entre Severino e Rosálio, que, pelo nome, comum ou adotado de uma “linhagem sem precedentes”, enfatiza um sujeito social sem grande “função”, espécie de “peso morto”, aparentemente vivendo à revelia dos prazeres, uma vez que a prioridade na vida de ambos é a sobrevivência.

II - que, diferentemente de Severino, Rosálio sobrepõe-se à mera atividade funcional por ele desenvolvida, porque encontra alimento para o seu espírito no “prazer de ler”, e somente isso na vida lhe basta.

III - que Severino, assim como Rosálio, encontra nas tradições culturais de sua comunidade respostas para uma vida melhor, daí migrar do interior para centros urbanos mais desenvolvidos, onde, à custa de bastante sacrifício, encontra uma forma de viver dignamente.

É(São) correto(s) apenas:

A
I e III
B
II
C
III
D
I
E
II e III

Gabarito comentado

M
Mariana OliveiraMonitor com apoio de IA

Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a leitura comparativa dos fragmentos, que evidenciam coletivização da identidade e precariedade existencial: “Como há muitos Severinos” / “Somos muitos Severinos/iguais em tudo na vida” e “onde havia tantos outros, Rosálios, chegados pelas mesmas veredas, macambúzios, revestidos de cinzenta tristeza”. Esse núcleo semântico sustenta apenas a afirmação I e invalida II e III por extrapolação do recorte textual.

Tema central: identidade coletiva e precariedade
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui a afirmação III. Os fragmentos não autorizam concluir que Severino e Rosálio encontrem nas tradições culturais da comunidade respostas para uma vida melhor, nem que a migração os leve a centros urbanos mais desenvolvidos onde passem a viver dignamente. O campo semântico expresso é de repetição de destino e vida dura, não de superação social.
B
Errada
Está errada porque toma II como correta, mas II introduz conteúdo ausente do recorte. No fragmento de Rosálio, ele aparece entre “tantos outros” e como alguém “macambúzios, revestidos de cinzenta tristeza”; não há qualquer menção a “prazer de ler” nem à ideia de que isso lhe baste na vida. A assertiva depende de informação externa à passagem apresentada.
C
Errada
Está errada porque considera correta apenas III, e III não se sustenta no texto. Os fragmentos mostram coletividade, semelhança de trajetórias e tristeza social; não mostram melhora de vida, resposta nas tradições culturais nem conquista de vida digna em centros urbanos. A inferência proposta rompe o limite do que o texto efetivamente permite perceber.
D
Certa
A alternativa D está correta porque apenas a afirmação I corresponde ao sentido comum dos dois fragmentos: nos dois casos, o nome próprio deixa de individualizar plenamente e passa a representar um conjunto de sujeitos socialmente semelhantes, inseridos numa existência dura, repetida e marcada pela sobrevivência. Essa leitura se apoia diretamente na multiplicidade de “Severinos” e de “Rosálios” e na caracterização comum de tristeza e precariedade.
E
Errada
Está errada porque reúne II e III, e ambas extrapolam os fragmentos. II acrescenta o “prazer de ler” como alimento espiritual suficiente; III acrescenta trajetória de ascensão e vida digna. Nenhum desses elementos aparece nos trechos transcritos, que se concentram na multiplicidade dos sujeitos e na precariedade da existência.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões: levar o candidato a usar conhecimento externo das obras em vez de se limitar aos fragmentos e interpretar a repetição dos nomes como individualização, quando o efeito textual é o oposto, de coletivização e apagamento da singularidade.
Dica para questões semelhantes
  • Em comparação de fragmentos, identifique primeiro o núcleo semântico comum expresso por palavras do próprio texto.
  • Se o comando pergunta o que a leitura dos fragmentos permite perceber, rejeite alternativas que acrescentem fatos narrativos não explicitados.
  • Quando nomes próprios aparecem repetidos em série, verifique se o efeito é de individualização ou de identidade coletiva.
  • Não transforme trajetória comum ou deslocamento em prova automática de melhora de vida; isso precisa estar textualizado.

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