Questão a6879169-f4
Prova:CESMAC 2019
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Analise o trecho seguinte: “as dificuldades de compreensão vão crescendo quanto mais a gente recua no tempo”. Considerando a relação do segmento destacado com o restante do texto, pode-se perceber a declaração de uma ‘mudança’, de caráter:

 

Como uma onda

1. Toda língua muda com o tempo. Por mais que isso pareça óbvio, vale a pena repetir. Basta comparar um texto escrito em português na Idade Média, ou em 1600, ou mesmo há cem anos com qualquer coisa publicada nos dias de hoje.

2. As diferenças saltam aos olhos, e as dificuldades de compreensão vão crescendo quanto mais a gente recua no tempo.

3. Lendo as gramáticas, a gente tem a impressão de que a língua está pronta e acabada, que ela pode até ter sofrido transformações no passado, mas que, agora, as regras estão fixadas para sempre. Mas isso é uma ilusão. 4. Enquanto tiver gente falando uma língua, ela vai sofrer variação e mudança, incessantemente. Os mesmos processos que fizeram a língua mudar no passado continuam em ação, fazendo a língua mudar neste exato momento em que você me lê. 5. Apesar dessa obviedade, a mudança linguística sempre foi encarada como um problema, uma coisa negativa, um sinal de ruína, decadência e corrupção da língua. 6. No entanto, a mudança é inevitável: tudo no universo, na natureza, na sociedade passa incessantemente por processos de mudança, de obsolescência, de reinvenção, de evolução... Por que só a língua teria de ficar parada no tempo e no espaço?

7. Todas as demais instituições humanas sofrem mudança; por que a língua não sofreria? Na verdade, o melhor seria dizer: os falantes mudam a língua o tempo todo!

(Marcos Bagno. Nada na língua é por acaso. São Paulo: Parábola, 2007, p 163-164).

A
irregular.
B
proporcional.
C
variável.
D
esporádico.
E
eventual.

Gabarito comentado

A
André AlvesMonitor do Qconcursos

Comentário do Gabarito — Questão de Interpretação: “quanto mais... mais”

Tema central: Interpretação de texto, com foco em relações de proporcionalidade (conjunções subordinativas proporcionais) segundo a norma-padrão.

Análise do trecho: A frase “as dificuldades de compreensão vão crescendo quanto mais a gente recua no tempo” utiliza a estrutura correlativa quanto mais... mais. Essa construção indica proporcionalidade: à medida que se avança em uma ação (recuar no tempo), avança-se na outra (crescem as dificuldades). Trata-se de uma relação direta, não ocasional nem imprevisível, mas sim constante e proporcional.

Conforme Evanildo Bechara em Moderna Gramática Portuguesa: “a subordinada exprime um fato que aumenta ou diminui na mesma proporção do fato que se declara na principal” (p. 412).

Alternativa correta:

B) proporcional.
Correta porque traduz a relação interna da frase: as ações aumentam/conectam-se em proporção direta. O termo “proporcional” é justamente utilizado para descrever fenômenos em que um elemento cresce ou diminui na mesma medida que outro, como prevê regra gramatical das orações subordinadas proporcionais.

Análise das alternativas incorretas:

A) irregular: Algo irregular é não sistemático, inesperado, o oposto do que demonstra o crescimento organizado e proporcional do trecho.

C) variável: “Variável” pode se referir a qualquer tipo de mudança, mas não explicita a natureza proporcional estabelecida na frase. Falta precisão.

D) esporádico: Indica ocorrência eventual, isolada, sem regularidade. O trecho fala de um crescimento contínuo.

E) eventual: Similar à anterior, transmite a ideia de algo raro, o contrário da relação constante e progressiva expressa no texto.

Estratégia para prova: Sempre que encontrar construções como “quanto mais... (mais/menos)...”, lembre-se: trata-se de proporcionalidade. Busque o par de alternativas que expresse uma relação direta ou inversamente proporcional.

Dica extra: Atente-se para palavras e expressões-chave, como conjunções correlativas e sua função no texto. Elas costumam aparecer como pegadinha em provas.

Resumo: O uso do “quanto mais... mais” estabelece no texto uma progressão proporcional. Por isso, o caráter da mudança ali declarado é proporcional.

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