Questão a18ae0c3-d7
Prova:UEM 2010
Disciplina:Filosofia
Assunto:

Para o positivismo lógico, a ironia é incompatível com a filosofia, já que pertence à linguagem natural e imprecisa, mesclada de elementos afetivos, volitivos, perceptivos e imaginativos.

A ironia consiste em se dizer o contrário do que se quer dar a entender. Nela, o dito exprime o não dito, utilizando a sátira para criticar ideias e comportamentos. Como forma de expressão crítica, a ironia pode ser encontrada na filosofia, na literatura e na linguagem em geral.
Assinale o que for correto. 

C
Certo
E
Errado

Gabarito comentado

M
Manuela Cardoso Monitor do Qconcursos

Resposta: Certo (C)

Tema central: a relação entre ironia (fenômeno da linguagem natural, dependente de contexto e intenção) e a posição do positivismo lógico sobre o papel da linguagem na filosofia.

Resumo teórico: o positivismo lógico (Círculo de Viena; autores como A. J. Ayer e Rudolf Carnap) defendia que a filosofia deveria empregar linguagem clara, lógica e verificável, preferindo enunciados com sentido empírico ou lógico-formal. Pela regra do princípio de verificabilidade, sentenças que dependem de emoção, intenção, contexto implícito ou função estética/crítica (como a ironia) não se enquadram como proposições cognitivas significativas para a filosofia científica.

Por que a alternativa está correta: a ironia opera dizendo o contrário do que se quer comunicar e depende de pistas contextuais, tom, intenção e conhecimento compartilhado — elementos da linguagem natural que escapam à análise formal e verificável exigida pelo positivismo lógico. Assim, para essa corrente, ironia é incompatível com o uso filosófico estrito, pois não fornece proposições cuja verdade ou falsidade possa ser logicamente estabelecida (cf. A. J. Ayer, Linguagem, Verdade e Lógica; Rudolf Carnap).

Exemplo prático: dizer "Que ótimo, perdi o ônibus!" em tom irônico não descreve um estado verificável, mas expressa avaliação e intenção comunicativa — justamente o tipo de expressão que o positivismo lógico marginalizaria em filosofia.

Referências indicativas: A. J. Ayer, Linguagem, Verdade e Lógica (1936); Rudolf Carnap, obras sobre lógica e linguagem; estudos sobre o Círculo de Viena e o princípio da verificabilidade.

Observação sobre a alternativa 'Errado': considerá-la correta implicaria negar que o positivismo lógico distinguia a linguagem científica/formal da linguagem natural carregada de afetividade e ambiguidade — o que contradiz a posição histórica do movimento.

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