Tem-se, no soneto apresentado, uma sugestão de que
Leia o soneto a seguir para responder à questão
Tome, Dr., esta tesoura, e... corte Minha singularíssima pessoa. Que importa a mim que a bicharia roa Todo o meu coração, depois da morte?!Ah! Um urubu pousou na minha sorte! Também, das diatomáceas da lagoa A criptógama cápsula se esbroa Ao contacto de bronca destra forte!Dissolva-se, portanto, minha vida Igualmente a uma célula caída Na aberração de um óvulo infecundo;Mas o agregado abstrato das saudades Fique batendo nas perpétuas grades Do último verso que eu fizer no mundo!
ANJOS, Augusto dos. Budismo moderno. In: Eu e outros poemas. 30. ed. Rio de janeiro: Livraria São José, 1965. p. 84.
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ANJOS, Augusto dos. Budismo moderno. In: Eu e outros poemas. 30. ed. Rio de janeiro: Livraria São José, 1965. p. 84.
Gabarito comentado
Gabarito Comentado – Interpretação de Texto Literário
Tema central: Interpretação de texto literário com ênfase em semântica e figuras de linguagem, conforme orientações de Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra.
O poema de Augusto dos Anjos traz uma reflexão sobre a transitoriedade da vida humana e a perenidade da literatura. O eu-lírico mostra indiferença diante da destruição física do corpo, mas expressa o desejo de que “o agregado abstrato das saudades / Fique batendo nas perpétuas grades / Do último verso…”. Isso significa que, ainda que a existência humana seja efêmera, a produção artística (os versos) permanece.
Estratégia de interpretação: Procure identificar oposições centrais (vida x arte, corporal x abstrato) e foque nas expressões de desejo do eu-lírico. Palavras como “perpétuas” e construções como “o último verso que eu fizer no mundo” são pistas claras dessa oposição temporal.
Análise das alternativas:
E) a literatura é mais perene que a vida humana.
Correta. O texto compara a efemeridade da vida ao poder eterno da literatura. Norma-padrão: em literatura, “perenidade” corresponde à qualidade de durar além do tempo do próprio autor.
A) há idealização da literatura, apanágio de plenitude.
Incorreta. O poema não idealiza a literatura como plenitude, mas ressalta apenas sua durabilidade.
B) há confiança na capacidade de cura do médico.
Incorreta. O médico é citado apenas como figura simbólica do corpo físico, e não como objeto de confiança ou salvação.
C) a má-sorte na vida pode provocar a morte.
Incorreta. O “urubu” simboliza o destino trágico, mas não há causalidade direta entre má-sorte e morte.
D) a existência humana é olvidada pela arte.
Incorreta. Pelo contrário: a arte é vista como elemento de preservação da memória e não de esquecimento.
Dica para provas: Atenção às expressões ambíguas e à extrapolação no campo das ideias. Contextualize figuras de linguagem e procure o sentido global do texto, não apenas trechos isolados.
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