Questão 9c243e47-c5
Prova:UEG 2018
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Tem-se, no soneto apresentado, uma sugestão de que

Leia o soneto a seguir para responder à questão


Tome, Dr., esta tesoura, e... corte 
Minha singularíssima pessoa. 
Que importa a mim que a bicharia roa 
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou na minha sorte! 
Também, das diatomáceas da lagoa 
A criptógama cápsula se esbroa 
Ao contacto de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida 
Igualmente a uma célula caída 
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades 
Fique batendo nas perpétuas grades 
Do último verso que eu fizer no mundo! 


                        ANJOS, Augusto dos. Budismo moderno. In: Eu e outros poemas. 30. ed. Rio de janeiro: Livraria São José, 1965. p. 84. 

A
há idealização da literatura, apanágio de plenitude.
B
há confiança na capacidade de cura do médico.
C
a má-sorte na vida pode provocar a morte.
D
a existência humana é olvidada pela arte.
E
a literatura é mais perene que a vida humana.

Gabarito comentado

C
Camila OliveiraMonitor do Qconcursos

Gabarito Comentado – Interpretação de Texto Literário

Tema central: Interpretação de texto literário com ênfase em semântica e figuras de linguagem, conforme orientações de Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra.

O poema de Augusto dos Anjos traz uma reflexão sobre a transitoriedade da vida humana e a perenidade da literatura. O eu-lírico mostra indiferença diante da destruição física do corpo, mas expressa o desejo de que “o agregado abstrato das saudades / Fique batendo nas perpétuas grades / Do último verso…”. Isso significa que, ainda que a existência humana seja efêmera, a produção artística (os versos) permanece.

Estratégia de interpretação: Procure identificar oposições centrais (vida x arte, corporal x abstrato) e foque nas expressões de desejo do eu-lírico. Palavras como “perpétuas” e construções como “o último verso que eu fizer no mundo” são pistas claras dessa oposição temporal.

Análise das alternativas:

E) a literatura é mais perene que a vida humana.
Correta. O texto compara a efemeridade da vida ao poder eterno da literatura. Norma-padrão: em literatura, “perenidade” corresponde à qualidade de durar além do tempo do próprio autor.

A) há idealização da literatura, apanágio de plenitude.
Incorreta. O poema não idealiza a literatura como plenitude, mas ressalta apenas sua durabilidade.

B) há confiança na capacidade de cura do médico.
Incorreta. O médico é citado apenas como figura simbólica do corpo físico, e não como objeto de confiança ou salvação.

C) a má-sorte na vida pode provocar a morte.
Incorreta. O “urubu” simboliza o destino trágico, mas não há causalidade direta entre má-sorte e morte.

D) a existência humana é olvidada pela arte.
Incorreta. Pelo contrário: a arte é vista como elemento de preservação da memória e não de esquecimento.

Dica para provas: Atenção às expressões ambíguas e à extrapolação no campo das ideias. Contextualize figuras de linguagem e procure o sentido global do texto, não apenas trechos isolados.

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