Questão 9b77cc86-b0
Prova:PUC-MINAS 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

“Poema do futuro cidadão”

Vim de qualquer parte
de uma nação que ainda não existe.
Vim e estou aqui!

Não nasci apenas eu
nem tu nem outro...
mas irmão.
Mas
tenho amor para dar às mãos-cheias.
Amor do que sou
e nada mais.

E
tenho no coração
gritos que não são meus somente
porque venho dum país que ainda não existe.

Ah! Tenho meu amor à rodos para dar
do que sou.
Eu!
Homem qualquer
cidadão de uma nação que ainda não existe. 

(CRAVEIRINHA, José. Poema do futuro cidadão [1964]. In: SAÚTE, Nelson. Nunca mais é sábado: antologia de poesia moçambicana. Lisboa: Dom Quixote, 2004. p. 71).  

Na literatura africana de língua portuguesa, a busca por uma identidade nacional desempenha um importante papel, especialmente no contexto das lutas pela independência. No poema de José Craveirinha, essa busca revela-se:

A
na ideia de pátria enquanto espaço de igualdade.
B
na sugestão de uma nação a ser construída. 
C
no amor fraternal pelos semelhantes.
D
no anonimato dos que não pertencem a nenhum país. 

Gabarito comentado

L
Luana CostaMonitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é semântico-textual: a repetição de “nação que ainda não existe” e de “país que ainda não existe”, somada ao valor de incompletude de “ainda”, aponta para um projeto nacional futuro e sustenta a alternativa B.

Tema central: nação em construção
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o poema não formula a pátria como “espaço de igualdade”. O que o texto explicita é a existência ainda não realizada da nação. A coletividade sugerida em “irmão” não autoriza converter o sentido central em igualdade cívica ou social, ideia que a alternativa acrescenta sem apoio textual direto.
B
Certa
A alternativa B traduz o núcleo do poema: o eu lírico afirma pertencimento a uma nacionalidade que não está pronta no presente, mas projetada para o futuro. Isso está explicitado na reiteração de “nação que ainda não existe” e “país que ainda não existe”, formulações que apresentam a identidade nacional como processo histórico e coletivo de constituição.
C
Errada
Está errada porque desloca o foco do poema para o afeto. Expressões como “mas irmão” e “tenho amor para dar às mãos-cheias” aparecem, mas funcionam como apoio à dimensão coletiva do sujeito. O comando pede a busca por identidade nacional, e o eixo estruturante do texto está na repetição de “nação que ainda não existe”, não no amor fraternal isoladamente.
D
Errada
Está errada porque o poema não apresenta falta de pertencimento nem anonimato apátrida. Ao contrário, o eu lírico se afirma como “Eu!” e sobretudo como “cidadão de uma nação que ainda não existe.” Portanto, há pertencimento identitário afirmado, embora projetado para um país futuro. “Homem qualquer” e “qualquer parte” universalizam o sujeito, mas não anulam sua vinculação nacional.
Pegadinha da questão
A banca mistura elementos secundários plausíveis — fraternidade, amor, universalização do sujeito — com o núcleo temático real do poema. A confusão decisiva seria ler “ainda não existe” como ausência total de país ou reduzir o texto ao afeto coletivo, quando o centro está na projeção de uma nacionalidade futura.
Dica para questões semelhantes
  • Localize a expressão repetida que organiza o poema; ela costuma indicar a ideia central pedida no comando.
  • Quando aparecer “ainda”, verifique seu valor semântico: ele pode marcar incompletude no presente e abertura para realização futura.
  • Separe tema principal de elementos de apoio: afetos e imagens coletivas podem sustentar o sentido central sem substituí-lo.
  • Se o texto afirma pertencimento explícito, não conclua ausência de identidade apenas por palavras como “qualquer” ou por traços de universalização.

Estatísticas

Aulas sobre o assunto

Questões para exercitar

Artigos relacionados

Dicas de estudo