Considere o trecho a seguir, que descreve
uma definição sobre como se estabelecem as
normas de ação a partir de uma determinada
situação vivida no mundo:
“O mundo vivido é considerado a partir do
processo de entendimento no qual diferentes
pessoas se entendem sobre algo no mundo objetivo
dos fatos, no mundo social das normas de ação e
mundo subjetivo das vivências. O mundo vivido
garante aos sujeitos de uma comunidade de
comunicação convicções a partir das quais se forma
o contexto dos processos de entendimento”. OLIVEIRA, M. A. de. Reviravolta linguístico-pragmática
na filosofia contemporânea. São Paulo:
Edições Loyola, 1996. Adaptado. A passagem acima apresenta uma visão da
moralidade, sobre a qual é correto afirmar que
Gabarito comentado
Resposta correta: D
Tema central: a questão trata da concepção de moralidade como produto da ação comunicativa e do consenso intersubjetivo — quadro característico da teoria de Jürgen Habermas. Para responder, é preciso reconhecer palavras-chave como “mundo vivido”, “comunidade de comunicação” e “processos de entendimento”.
Resumo teórico (sintético): Habermas descreve o mundo vivido (Lebenswelt) constituído por fatos objetivos, normas sociais e experiências subjetivas. A ética discursiva sustenta que normas são legitimadas quando sujeitos, em condições de comunicação ideal, alcançam consenso racional. Ou seja, a validade moral emerge da intersubjetividade e da ação comunicativa (ver: J. Habermas, The Theory of Communicative Action; Between Facts and Norms).
Por que D está correta: o enunciado enfatiza entendimento mútuo, comunidade comunicativa e formação de convicções que geram normas — exatamente os princípios da ética discursiva habermasiana: normatividade fundada no diálogo e na busca de consenso entre agentes.
Análise das alternativas incorretas:
A (Kant): Kant funda a moral na razão prática individual e no dever universalizado (imperativo categórico). Não prioriza consenso comunicativo entre sujeitos, mas a razão autônoma que legisla para si mesma — divergente do foco intersubjetivo do enunciado.
B (Aristóteles): Aristóteles vincula ética à virtude e à vida política da pólis, com ênfase em hábitos e phronesis (prudência). Embora relacione ética e comunidade, não descreve a origem das normas como fruto de um procedimento comunicativo de consenso racional, como Habermas.
C (Marxismo): Marx analisa moralidade em termos de estruturas de classe, ideologia e transformação socioeconômica; a solução passa pela superação das relações de produção, não por um modelo de ética discursiva baseado no consenso comunicativo.
Dica de prova: identifique termos-chave que remetam a autores (ex.: “comunidade de comunicação” → Habermas). Use eliminação: compare se o núcleo da alternativa corresponde ao mecanismo descrito (razão individual, virtude comunitária, luta de classes, ou consenso comunicativo).
Fontes rápidas: J. Habermas, The Theory of Communicative Action; Between Facts and Norms. Para o conceito de Lebenswelt: E. Husserl, The Crisis of European Sciences.
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