Questão 98757a33-e7
Prova:UNB 2012
Disciplina:Filosofia
Assunto:

Centros de referência intelectual, espiritual e assistencial, os mosteiros medievais, além de guardiões de relíquias sagradas e da própria fé, desempenharam o importante papel de preservação da herança cultural greco-romana, conservando, entre outras, obras de filosofia, literatura e medicina.

       A dúvida pode significar o fim de uma fé, ou pode significar o começo de outra. Em dose moderada, estimula o pensamento. Em excesso, paralisa-o. A dúvida, como exercício intelectual, proporciona um dos poucos prazeres puros, mas, como experiência moral, ela é uma tortura. Aliada à curiosidade, é o berço da pesquisa e assim de todo conhecimento sistemático. Em estado destilado, mata toda curiosidade e é o fim de todo conhecimento.
       O ponto de partida da dúvida é sempre uma fé, uma certeza.A fé é, pois, o estado primordial do espírito. O espírito “ingênuo” e “inocente” crê. Essa ingenuidade e inocência se dissolvem no ácido corrosivo da dúvida, e o clima de autenticidade se perde irrevogavelmente. As tentativas dos espíritos corroídos pela dúvida de reconquistar a autenticidade, a fé original, não passam de nostalgias frustradas em busca da reconquista do paraíso perdido. As certezas originais postas em dúvida nunca mais serão certezas autênticas. Tal dúvida, metodicamente aplicada, produzirá novas certezas, mais refinadas e sofisticadas, mas essas certezas novas não serão autênticas. Conservarão sempre a marca da dúvida que lhes serviu de parteira.
       A dúvida, portanto, é absurda, pois substitui a certeza autêntica pela certeza inautêntica. Surge, portanto, a pergunta: “por que duvido?” Essa pergunta é mais fundamental do que a outra: “de que duvido?” Trata-se, portanto, do último passo do método cartesiano: duvidar da dúvida — duvidar da autenticidade da dúvida. A pergunta “por que duvido?” engendra outra: “duvido mesmo?”
       Descartes, e com ele todo o pensamento moderno, parece não dar esse último passo. Aceita a dúvida como indubitável
Vilém Flusser. A dúvida. São Paulo: Editora Annablume, 2011, p. 21-2 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens de 110 a 118, assinale a opção correta no item 119, que é do tipo C, e faça o que se pede no item 120, que é do tipo D.

C
Certo
E
Errado

Gabarito comentado

M
Manuela Cardoso Monitor do Qconcursos

Resposta: C — Certo

Tema central: o papel dos mosteiros medievais na preservação da herança greco‑romana. É uma questão frequente em provas de História da Filosofia: reconhecer instituições e processos que mantiveram o legado antigo até a Idade Média e a transição para a Modernidade.

Resumo teórico — Os mosteiros (especialmente beneditinos) funcionaram como centros religiosos, educativos e assistenciais, com scriptoria e bibliotecas onde se copiavam manuscritos. Foi nessas comunidades que muitos textos clássicos (filosofia, literatura, medicina, direito) foram transcritos e conservados, permitindo sua transmissão posterior — direta para o Ocidente latino e, via intermediação islâmica e bizantina, para renascimentos culturais posteriores (ver, por exemplo, estudos de Peter Brown e Jacques Le Goff sobre cultura medieval).

Por que a alternativa C está correta: a afirmativa descreve exatamente o papel histórico dos mosteiros: além de abrigo espiritual e social, seus scriptoria copiavam obras de autores greco‑romanos (e colecionavam códices), preservando conhecimentos que, sem esse trabalho, teriam se perdido na turbulência dos séculos pós‑imperiais. Essa função é bem documentada pela historiografia medieval e pela codicologia.

Estratégia para responder questões assim — Identifique palavras‑chave: “preservação”, “herança greco‑romana”, “mosteiros/scriptoria”. Relacione com o contexto do Alto e Baixo Império e com a Regra de São Bento (ênfase em ora et labora e na manutenção de biblioteca/scriptorium). Em provas, quando o enunciado conecta mosteiros a conservação de textos clássicos, sinalize como verdadeiro, salvo contradição explícita.

Fontes e leituras recomendadas: obras introdutórias de história medieval e cultura: Peter Brown, The Rise of Western Christendom; Jacques Le Goff, A Civilização do Ocidente Medieval; além de textos sobre paleografia e codicologia que tratam de scriptoria e bibliotecas monásticas.

Dica final: associe sempre instituições (mosteiros, escolas catedrais, centros islâmicos e bizantinos) às rotas concretas de transmissão do saber — isso ajuda a justificar de forma precisa alternativas “Certo”.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Estatísticas

Aulas sobre o assunto

Questões para exercitar

Artigos relacionados

Dicas de estudo