Questão 937be09f-db
Prova:FAMEMA 2018
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Leia a fábula “A tartaruga e a águia” do escritor grego Esopo (620 a.C.?-564 a.C.?).


    Uma tartaruga pediu a uma águia que a ensinasse a voar. A ave tentou dissuadi-la:

   – Voar é completamente contrário à sua natureza.

    Mas a tartaruga suplicou e insistiu ainda mais. Então a águia pegou a tartaruga com suas garras, levou-a até bem alto no céu e depois a soltou. A tartaruga caiu nos rochedos e se espatifou.

                                                                                   (Fábulas, 2013.)


Depreende-se leitura da fábula a seguinte moral:

A
Aqueles que têm uma natureza má prejudicam até mesmo quem os ajuda.
B
Quem concebe armadilhas para os outros se torna o causador de seus próprios males.
C
Os artifícios dos maus não escapam à perspicácia dos mais sensatos.
D
Muitas vezes o esforço vence o talento natural, quando este se torna indiferença.
E
Muitos se recusam a ouvir os bons conselhos que lhes são dados: azar o deles.

Gabarito comentado

G
Gláucia Moretti Monitor do Qconcursos

Tema central: Interpretação de Texto, com foco na identificação da moral de uma fábula e aplicação de conceitos de coerência textual.

Segundo a norma-padrão, interpretar o texto exige reconhecer a mensagem implícita, considerando a estrutura da fábula: animais personificados transmitem ensinamentos sobre condutas humanas. Como apontam Cunha & Cintra, a moral deve ser coerente com os acontecimentos e consequências do enredo.

Justificativa da alternativa correta — Letra E:

A frase “Muitos se recusam a ouvir os bons conselhos que lhes são dados: azar o deles.” reflete diretamente o desenlace. A tartaruga ignora o conselho sábio da águia, insiste e sofre as consequências. Pela coerência textual (Koch & Elias), a causa do desfecho trágico é exatamente o desprezo pelo conselho, e não maldade, armadilha ou comparação de esforço/talento.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Aqueles que têm uma natureza má prejudicam até mesmo quem os ajuda.” — Incorreta: Não há menção de maldade na natureza da tartaruga, nem prejuízo à águia.

B) “Quem concebe armadilhas para os outros se torna o causador de seus próprios males.” — Incorreta: Não há armadilha criada pela tartaruga. O foco está em não ouvir o conselho.

C) “Os artifícios dos maus não escapam à perspicácia dos mais sensatos.” — Incorreta: A narrativa não apresenta personagens maus, nem o tema é esperteza versus maldade.

D) “Muitas vezes o esforço vence o talento natural, quando este se torna indiferença.” — Incorreta: Não há vitória do esforço. Pelo contrário, o desfecho mostra limite do esforço sem respeito à própria natureza.

Dica para a prova: Sempre relacione o desfecho ao ensinamento implícito e questione se a moral proposta deriva logicamente do texto. Desconfie de alternativas que introduzem conceitos ou personagens não presentes no enredo.

Resumo da regra: Em fábulas, a moral é a lição central extraída da experiência da personagem; alternativas corretas são, geralmente, as que explicitam a consequência direta do comportamento ilustrado.
(CUNHA & CINTRA, 2007; KOCH & ELIAS, 2017)

Resposta correta: E) Muitos se recusam a ouvir os bons conselhos que lhes são dados: azar o deles.

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