Questão 91c7187c-af
Prova:UNESP 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Anhangá e Caapora se identificam, segundo o texto, pelo fato de
caracterizarem
Anhangá e Caapora se identificam, segundo o texto, pelo fato de
caracterizarem
Instrução: A questão toma por base uma
passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional.
Curupira
Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era
imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo. Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava
logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo
mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo
o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça
do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um
porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito
para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza
de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele
se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo,
como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios.
Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando à frente de varas de porcos do mato, fumando
cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele
voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”. Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes
que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para
o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região
setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para
trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O
Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como
no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve
alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros
dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver
se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação
de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é
proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer
modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a
pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar
com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”.
Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só
mito em regiões e circunstâncias diferentes.
(O Brasil no folclore, 1970.)
(*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos
deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2.
Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo
politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI.)
Instrução: A questão toma por base uma
passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional.
Curupira
Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era
imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo.
Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava
logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo
mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo
o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça
do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um
porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito
para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza
de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele
se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo,
como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios.
Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando à frente de varas de porcos do mato, fumando
cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele
voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”.
Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes
que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para
o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região
setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para
trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O
Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como
no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve
alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros
dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver
se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação
de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é
proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer
modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a
pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar
com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”.
Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só
mito em regiões e circunstâncias diferentes.
(O Brasil no folclore, 1970.)
(*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos
deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2.
Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo
politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI.)
A
um mesmo tipo mítico com aparências diferentes.
B
a influência do cristianismo nas lendas dos indígenas.
C
a reação dos colonizadores ao impacto destruidor dos indígenas.
D
a presença da mitologia grega nas lendas aborígines.
E
lendas trazidas da Europa pelos portugueses.
Gabarito comentado
C
Camila Costa Monitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é localizar a equivalência mítica explicitamente afirmada no texto e distingui-la da diferença de aparência: “O caapora é o mesmo tipo mítico encontrado nas regiões central e meridional (...) Ambos representam um só mito com diferente configuração”. Como o texto afirma unidade mítica e variação de configuração, a alternativa correta é a que diz que Anhangá e Caapora caracterizam um mesmo tipo mítico com aparências diferentes.
Tema central: equivalência mítica explícita
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque traduz com fidelidade a afirmação expressa do texto: Caapora e Anhangá não são apresentados como mitos distintos, mas como manifestações de um só mito. A expressão “mesmo tipo mítico” estabelece a identidade essencial entre eles, e “diferente configuração” indica que essa identidade não elimina diferenças de forma ou representação. Portanto, o ponto de identificação entre ambos é exatamente serem o mesmo tipo mítico sob aparências diferentes.
B
Errada
Está errada porque o texto não menciona cristianismo nem influência cristã na formação dessas lendas. A alternativa introduz um conteúdo religioso ausente do excerto, sem base textual.
C
Errada
Está errada porque o texto não trata de colonizadores nem de reação ao impacto destruidor dos indígenas. O excerto descreve entidades folclóricas ligadas à proteção da caça e da floresta, o que torna a alternativa tematicamente incompatível com o texto.
D
Errada
Está errada porque a presença da palavra “teogonia” não autoriza concluir influência da mitologia grega. O próprio texto especifica “teogonia tupi”, de modo que o termo funciona como vocabulário explicativo, não como prova de filiação cultural grega das lendas.
E
Errada
Está errada porque o texto enquadra essas figuras na tradição tupi e no folclore brasileiro, não como lendas trazidas da Europa. A menção a “expressões portuguesas” refere-se apenas ao vocabulário derivado de “caapora”, e não à origem europeia do mito.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre identidade mítica e identidade física: o texto diz que é “o mesmo tipo mítico”, mas com “diferente configuração”. Quem ignora essa articulação pode rejeitar a correta por notar descrições diferentes ou marcar alternativas que extrapolam dados históricos e culturais não mencionados.
Dica para questões semelhantes
- Quando o texto trouxer formulação direta como “mesmo tipo mítico” ou “um só mito”, priorize essa afirmação explícita antes de fazer inferências.
- Verifique se a diferença apontada no texto é de essência ou apenas de forma; aqui, a diferença é de configuração, não de identidade mítica.
- Elimine alternativas que introduzem cristianismo, colonização, influência estrangeira ou sincretismo sem apoio literal no excerto.






