Questão 91bb1292-af
Prova:UNESP 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Morfologia - Verbos, Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro), Coesão e coerência, Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo), Redação - Reescritura de texto

Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá [...].


Se a frase apresentada for reescrita trocando-se perseguisse, que está no pretérito imperfeito do modo subjuntivo, por perseguir, futuro do mesmo modo, as formas estivesse e corria assumirão, por correlação de modos e tempos, as seguintes flexões:

Instrução: A questão toma por base uma passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional.



Curupira


       Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo.
      Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo, como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios. Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando à frente de varas de porcos do mato, fumando cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”.
     Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”. Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só mito em regiões e circunstâncias diferentes.

(O Brasil no folclore, 1970.)



(*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2. Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI.)

A
estiver e correu.
B
estaria e correria.
C
estará e corria.
D
esteja e correra.
E
estiver e correrá.

Gabarito comentado

M
Marcelo Vieira Monitor com apoio de IA

Gabarito: E

Fundamento decisivo: Em "Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá [...].", a troca de "perseguisse" por "perseguir" desloca a construção para o futuro do subjuntivo; por correlação de modos e tempos, "estivesse" passa a "estiver" e a oração principal passa de "corria" para "correrá", o que conduz à alternativa E.

Tema central: correlação verbal
Análise das alternativas
A
Errada
"estiver" está de acordo com a correlação esperada nas subordinadas, mas "correu" está no pretérito perfeito e transforma a consequência em fato concluído no passado. Isso rompe a correlação pedida a partir de "perseguir" no futuro do subjuntivo.
B
Errada
"estaria" é futuro do pretérito do indicativo, não a forma subjuntiva correlata exigida pela reescrita. "correria" também cria outra configuração hipotética, diferente da determinada pelo comando, que pede futuro do subjuntivo nas subordinadas e futuro do presente na principal.
C
Errada
"estará" está no futuro do presente do indicativo, inadequado para a subordinada de valor eventual ligada a "animal que...". Além disso, "corria" mantém o eixo pretérito da frase original, sem acompanhar a mudança para "perseguir".
D
Errada
"esteja" está no presente do subjuntivo, não no futuro do subjuntivo, e "correra" está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo. As duas formas quebram a correlação modo-temporal exigida pela reescrita normativa do período.
E
Certa
A alternativa E recompõe corretamente todo o período após a mudança de eixo verbal determinada pelo enunciado. Se "perseguisse" passa a "perseguir", a forma "estivesse" deve acompanhar esse mesmo quadro eventual e virar "estiver". Na oração principal, "corria" não pode permanecer no imperfeito, porque a reescrita pedida exige projeção correspondente para o futuro do presente: "correrá". A formulação resultante é a indicada na base: "Todo aquele que perseguir um animal que estiver amamentando correrá o risco de ver Anhangá".
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre trocar apenas uma forma verbal e reescrever o período inteiro com nova correlação. Quem olha só para "perseguir" pode até chegar a "estiver", mas erra ao manter "corria" ou ao aceitar qualquer tempo de futuro.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado mandar reescrever por correlação de modos e tempos, não altere só o verbo indicado: revise também as demais formas dependentes dele.
  • Quando a subordinada vai para o futuro do subjuntivo, verifique se a principal deve passar ao futuro do presente para manter o mesmo eixo temporal.
  • Não basta haver ideia de futuro ou hipótese; é preciso conferir o modo verbal exato pedido pela estrutura da frase.

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