Questão 8fd58b61-1d
Prova:FGV 2016, FGV 2016
Disciplina:História
Assunto:História do Brasil, Era Vargas – 1930-1954

[Em novembro de 1937], (...) ao falar em organizar a juventude com a finalidade “de promover-lhe a disciplina moral e o adestramento físico, de maneira a prepará-la ao cumprimento dos seus deveres para com a economia e a Nação, [o ministro da Justiça Francisco] Campos estava pensando em instituições voltadas para a mobilização e a militarização dos jovens. (...)
Consciente de que não poderia contar com o apoio de Gustavo Capanema para a efetivação de seu projeto de mobilização política da juventude através do sistema de ensino e tendo fracassado na sua tentativa de afastá-lo do Ministério da Educação e Saúde, Campos planejava reunir os jovens em um sistema e criar para isto uma grande organização nacional, sob a dependência direta do Ministério da Justiça, isto é, dele mesmo.

(José Silvério Baía Horta. O hino, o sermão e a ordem do dia: a educação no Brasil (1930-1945), 1994)

Considerando o fragmento e o contexto do Estado Novo, é correto afirmar que

A
o prestígio do ministro Francisco Campos podia ser dimensionado pela importância que Getúlio Vargas deu ao projeto da juventude brasileira, com recursos financeiros, apoio político e aval da Câmara dos Deputados, e foi implantado durante a Segunda Guerra, encaminhando o Brasil em direção aos interesses dos Estados Unidos e dos Aliados.
B
a efetivação da Juventude Brasileira, que tinha como patrono Duque de Caxias, funcionando apenas no Rio de Janeiro e em algumas outras capitais brasileiras, desencadeou um sério conflito entre vários líderes do Estado Novo, o que enfraqueceu o regime autoritário, que perdia as suas bases de sustentação por conta da forte oposição liberal nascida nos estados nordestinos.
C
o ministro Francisco Campos, um notável articulador político, soube convencer o ministro Capanema das vantagens em organizar militarmente os estudantes brasileiros, assim o projeto inicial foi ampliado e, durante boa parte do Estado Novo, os jovens brasileiros receberam instruções sobre o uso de armas, civismo e condicionamento físico.
D
o ministro da Justiça do Estado Novo, apesar da sua função relevante de autor da Constituição de 1937, ocupava poucos espaços políticos na ordem derivada do golpe de Estado, e a proposta de uma organização militar para a juventude dificilmente contaria com o apoio do presidente Vargas, avesso às práticas físicas e esportivas, que desviavam a população do trabalho.
E
o ministro Francisco Campos, um dos mais importantes ideólogos do autoritarismo, defendia uma organização da juventude brasileira em formato parecido com as experiências das nações nazifascistas, e, ao mesmo tempo, a oposição do ministro Capanema a esse projeto mostra o governo ditatorial de Vargas marcado por divergências políticas entre os seus ministros.

Gabarito comentado

E
Eduardo MendesMonitor do Qconcursos

Gabarito comentado — Alternativa Correta: E

Tema central: O enunciado aborda as tentativas de militarização e controle ideológico da juventude no Estado Novo (1937-1945), por meio de propostas do ministro Francisco Campos, e como essas ideias, inspiradas em modelos fascistas europeus, encontraram resistência de outro setor importante do governo Vargas.

Explicação teórica: O Estado Novo, instaurado por Getúlio Vargas, foi uma ditadura de inspiração autoritária, caracterizada por forte centralização do poder e supressão das liberdades políticas. Francisco Campos, mentor da Constituição de 1937, defendia uma juventude organizada e disciplinada nos moldes das experiências nazifascistas da época — como a Juventude Hitlerista e os Balillas na Itália.

Por outro lado, Gustavo Capanema, ministro da Educação, era contrário à incorporação dessas práticas militarizadas na educação, preferindo uma formação mais cívico-intelectual. Esse embate evidencia as divergências políticas dentro do próprio governo ditatorial de Vargas.

Justificativa da alternativa E: A alternativa destaca com precisão que Francisco Campos defendia um projeto de juventude inspirado no modelo fascista e que a resistência de Capanema revela tensões e desacordos políticos internos no Estado Novo. Esse ponto é confirmado na historiografia — como em Boris Fausto (História do Brasil) — e corrobora o contexto do documento apresentado.

Análise das alternativas incorretas:

A) Erra ao afirmar que o projeto foi amplamente apoiado institucionalmente e implementado com recursos, além de vincular indevidamente aos interesses dos EUA e Aliados. O projeto não chegou a ser implementado nesses moldes.

B) Erra ao inventar detalhes (Duque de Caxias como patrono, atuação restrita a capitais, conflitos entre líderes e forte oposição liberal nordestina) não atestados pela historiografia.

C) Inverte os fatos: Capanema não foi convencido por Campos; ao contrário, opôs-se ao projeto, impedindo sua militarização efetiva.

D) Falsa premissa: Francisco Campos foi figura central do governo e Vargas não se opôs à promoção de esportes e civismo — seu projeto era justamente controlá-los.

Estratégia de resolução: Perceba palavras-chave como “militarização”, “experiências nazifascistas”, “oposição de Capanema” e “divergências políticas” para identificar a alternativa mais fiel ao contexto histórico. Fique atento a informações inventadas ou anacrônicas e evite ser atraído por alternativas com longas descrições que tentam confundir com excesso de detalhes.

Resumo: A alternativa E é a correta pois apresenta um quadro fiel à história do Estado Novo, seus projetos autoritários e os limites impostos pelas disputas internas. Esse tipo de análise é comum em provas de História, então pratique identificar relações causais e as oposições reais dentro de regimes políticos.

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