[Em novembro de 1937], (...) ao falar em organizar a juventude com a finalidade “de promover-lhe a disciplina moral e
o adestramento físico, de maneira a prepará-la ao cumprimento dos seus deveres para com a economia e a Nação, [o
ministro da Justiça Francisco] Campos estava pensando em
instituições voltadas para a mobilização e a militarização dos
jovens. (...)
Consciente de que não poderia contar com o apoio de
Gustavo Capanema para a efetivação de seu projeto de mobilização política da juventude através do sistema de ensino e
tendo fracassado na sua tentativa de afastá-lo do Ministério
da Educação e Saúde, Campos planejava reunir os jovens
em um sistema e criar para isto uma grande organização
nacional, sob a dependência direta do Ministério da Justiça,
isto é, dele mesmo.
(José Silvério Baía Horta. O hino, o sermão e a ordem do dia:
a educação no Brasil (1930-1945), 1994)
Considerando o fragmento e o contexto do Estado Novo, é
correto afirmar que
Gabarito comentado
Gabarito comentado — Alternativa Correta: E
Tema central: O enunciado aborda as tentativas de militarização e controle ideológico da juventude no Estado Novo (1937-1945), por meio de propostas do ministro Francisco Campos, e como essas ideias, inspiradas em modelos fascistas europeus, encontraram resistência de outro setor importante do governo Vargas.
Explicação teórica: O Estado Novo, instaurado por Getúlio Vargas, foi uma ditadura de inspiração autoritária, caracterizada por forte centralização do poder e supressão das liberdades políticas. Francisco Campos, mentor da Constituição de 1937, defendia uma juventude organizada e disciplinada nos moldes das experiências nazifascistas da época — como a Juventude Hitlerista e os Balillas na Itália.
Por outro lado, Gustavo Capanema, ministro da Educação, era contrário à incorporação dessas práticas militarizadas na educação, preferindo uma formação mais cívico-intelectual. Esse embate evidencia as divergências políticas dentro do próprio governo ditatorial de Vargas.
Justificativa da alternativa E: A alternativa destaca com precisão que Francisco Campos defendia um projeto de juventude inspirado no modelo fascista e que a resistência de Capanema revela tensões e desacordos políticos internos no Estado Novo. Esse ponto é confirmado na historiografia — como em Boris Fausto (História do Brasil) — e corrobora o contexto do documento apresentado.
Análise das alternativas incorretas:
A) Erra ao afirmar que o projeto foi amplamente apoiado institucionalmente e implementado com recursos, além de vincular indevidamente aos interesses dos EUA e Aliados. O projeto não chegou a ser implementado nesses moldes.
B) Erra ao inventar detalhes (Duque de Caxias como patrono, atuação restrita a capitais, conflitos entre líderes e forte oposição liberal nordestina) não atestados pela historiografia.
C) Inverte os fatos: Capanema não foi convencido por Campos; ao contrário, opôs-se ao projeto, impedindo sua militarização efetiva.
D) Falsa premissa: Francisco Campos foi figura central do governo e Vargas não se opôs à promoção de esportes e civismo — seu projeto era justamente controlá-los.
Estratégia de resolução: Perceba palavras-chave como “militarização”, “experiências nazifascistas”, “oposição de Capanema” e “divergências políticas” para identificar a alternativa mais fiel ao contexto histórico. Fique atento a informações inventadas ou anacrônicas e evite ser atraído por alternativas com longas descrições que tentam confundir com excesso de detalhes.
Resumo: A alternativa E é a correta pois apresenta um quadro fiel à história do Estado Novo, seus projetos autoritários e os limites impostos pelas disputas internas. Esse tipo de análise é comum em provas de História, então pratique identificar relações causais e as oposições reais dentro de regimes políticos.
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