Questão 89b2b3e2-af
Prova:PUC - Campinas 2010
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

As referências a bagaceira e senhor de engenho indicam tratar-se de um romance em que  

Para responder à questão, considere o texto abaixo.


    − É o que lhe digo, seu Laurentino. Você mora na vila. Soube valorizar o seu ofício. A minha desgraça foi esta história de bagaceira. É verdade que senhor de engenho nunca me botou canga. Vivo nesta casa como se fosse dono. Ninguém dá valor a oficial de beira de estrada. Se estivesse em Itabaiana, estava rico. Não é lastimar, não. Ninguém manda no mestre José Amaro. Aqui moro para mais de trinta anos.

(José Lins do Rego. Fogo morto. 4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 32) 

A
a vida cultural e os temas folclóricos ocupam o primeiro plano das ações narradas.
B
se assinala o contraste entre o processo industrial urbano e o atraso rural.
C
é tomado como tema o rápido desenvolvimento de parte do norte brasileiro.
D
jagunços e cangaceiros provocam a decadência econômica de uma parte do nordeste.
E
um ciclo econômico se mostra indissoluvelmente ligado à vida dos habitantes da região.

Gabarito comentado

G
Gisele Freitas Monitor com apoio de IA

Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a inferência temática a partir do campo semântico do engenho, ativado por “A minha desgraça foi esta história de bagaceira. É verdade que senhor de engenho nunca me botou canga.” Essas expressões remetem ao universo econômico-social da produção açucareira e, por isso, autorizam a leitura de que o romance liga um ciclo econômico regional à vida dos habitantes.

Tema central: ciclo econômico regional
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o trecho não põe em primeiro plano vida cultural nem temas folclóricos. O foco textual recai sobre ofício, condição social e relações vinculadas ao engenho. O erro da alternativa é trocar um universo econômico-social por folclorismo.
B
Errada
Está errada porque não há no excerto oposição entre processo industrial urbano e atraso rural. As referências do texto estão inteiramente concentradas no mundo rural do engenho. A alternativa introduz um contraste ausente do trecho.
C
Errada
Está errada porque o texto não menciona desenvolvimento rápido nem parte do norte brasileiro. As marcas lexicais apontam para o universo açucareiro nordestino tradicional, não para progresso regional acelerado. A alternativa extrapola tema e espaço geográfico sem base textual.
D
Errada
Está errada porque o excerto não menciona jagunços nem cangaceiros, nem atribui a eles qualquer decadência econômica. A alternativa cria referentes e uma relação de causa que não aparecem no texto.
E
Certa
A alternativa E está certa porque traduz exatamente o que o trecho permite inferir: não se trata apenas de ambientação regional, mas da associação entre estrutura econômica e existência individual. Quando o personagem afirma “A minha desgraça foi esta história de bagaceira”, ele vincula sua trajetória pessoal a uma realidade econômica específica; e, ao mencionar “senhor de engenho”, evoca as relações sociais próprias desse universo. A alternativa correta capta esse vínculo estrutural entre ciclo econômico e vida regional.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre reconhecer marcas regionais e identificar o eixo temático do romance: “bagaceira” e “senhor de engenho” não servem para indicar folclore ou cangaço, mas o vínculo entre economia açucareira, hierarquia social e vida das personagens.
Dica para questões semelhantes
  • Observe se as palavras-chave do trecho indicam apenas cenário ou uma estrutura social e econômica que afeta as personagens.
  • Quando o comando pedir o tipo de romance, identifique o eixo temático dominante, não só a região mencionada.
  • Elimine alternativas que acrescentem contrastes, agentes ou processos históricos sem marcas textuais correspondentes.

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