As condições de trabalho e os direitos sociais no Brasil
variaram em momentos de conquistas e de revés nos direitos
dos trabalhadores. A composição musical caracteriza uma
situação vivenciada durante
Capitão de indústria
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça
Que passa e polui o lar
Eu nada sei
Eu não vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Eu acordo pra trabalhar
Eu durmo pra trabalhar
Eu corro pra trabalhar
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
(VALLE, 2010).
Capitão de indústria
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça
Que passa e polui o lar
Eu nada sei
Eu não vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Eu acordo pra trabalhar
Eu durmo pra trabalhar
Eu corro pra trabalhar
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
(VALLE, 2010).
Gabarito comentado
Alternativa correta: E
Tema central: a relação entre mudanças tecnológicas, abertura econômica dos anos 1990 e o enfraquecimento do movimento sindical no Brasil. A letra expõe rotina de trabalho alienante, característica de fases de reestruturação produtiva e precarização.
Resumo teórico: a partir do final dos anos 1980 e sobretudo na década de 1990 houve revolução tecnológica (informática, automação), globalização e políticas de abertura e privatizações (Plano Collor, 1990). Essas transformações alteraram o perfil do emprego: queda da indústria tradicional, terceirização, informalidade e maior flexibilidade, fatores que reduziram a capacidade de mobilização e a base de filiados dos sindicatos (ver OIT e estudos sobre sindicalização no Brasil).
Justificativa da alternativa E: o mandato de Collor (1990-1992) inaugurou medidas de liberalização econômica e uma fase de rápida incorporação de tecnologias da informação nas empresas. Essa conjuntura favoreceu formas de trabalho menos estáveis e dispersou trabalhadores, contribuindo para o enfraquecimento do movimento sindical – cenário coerente com o sentimento de alienação e ausência de tempo livre presente na letra.
Análise das alternativas incorretas:
A – Incorreta. A organização sindical de matriz socialista não foi causa generalizada de suspensão de garantias e estabelecimento de ditaduras no Brasil; historicamente, ditaduras (ex.: 1964-1985) reprimiram sindicatos, mas a relação descrita é equivocada.
B – Incorreta. O governo Dutra (1946–1951) alinhou-se aos EUA na Guerra Fria; não existe retrocesso que leve "ao retorno à Ditadura" nesse contexto — a ditadura militar só se instala em 1964 por outras razões.
C – Incorreta. No governo João Goulart (1961–1964) houve proposta de reformas de base, mas elas não foram aprovadas integralmente; também não houve “compensação” com efetiva reforma agrária que justificasse a descrição dada.
D – Parcialmente enganosa. Durante a ditadura militar houve forte repressão e intervenção sindical (1964 em diante), com perda de liberdades organizativas; porém os sindicatos não foram totalmente extintos e a letra foca mais em precarização e alienação típicas da reestruturação produtiva dos anos 1990, não apenas na supressão legislativa do período militar.
Dica de interpretação: relacione o sentido da letra (alienação, rotina exaustiva, impacto tecnológico/industrial) ao contexto histórico que melhor expressa essas transformações sociais — aqui, os anos 1990 e a globalização são o cenário mais compatível.
Fontes sugeridas: relatórios da OIT sobre sindicalização; estudos sobre Plano Collor e reestruturação produtiva (literatura de sociologia do trabalho e economia política brasileira).
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