Questão 89725404-af
Prova:PUC - Campinas 2010
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Coesão e coerência, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
O que nesse trecho se afirma pode ser adequadamente
ilustrado com esta passagem de Oswald de Andrade:
O que nesse trecho se afirma pode ser adequadamente
ilustrado com esta passagem de Oswald de Andrade:
Para responder à questão,
considere o texto abaixo.
Do primitivismo de Pau-Brasil, saiu em 1927 o movimento
Antropófago, chefiado por Oswald de Andrade, com Tarsila do
Amaral, Raul Bopp, Antônio de Alcântara Machado e outros. A
posição anterior é aí requintada em sentido mitológico e simbólico
mais amplo, com uma verdadeira filosofia embrionária da cultura.
Oswald propugnava uma atitude brasileira de devoração ritual dos
valores europeus, a fim de superar a civilização patriarcal e
capitalista, com as suas normas rígidas no plano social e os seus
recalques impostos, no plano psicológico.
(Antonio Candido e José Aderaldo Castello, Presença da Literatura
Brasileira − Modernismo. 6. ed. Rio de Janeiro/S. Paulo: Difel, 1977.
p. 16)
Para responder à questão,
considere o texto abaixo.
Do primitivismo de Pau-Brasil, saiu em 1927 o movimento
Antropófago, chefiado por Oswald de Andrade, com Tarsila do
Amaral, Raul Bopp, Antônio de Alcântara Machado e outros. A
posição anterior é aí requintada em sentido mitológico e simbólico
mais amplo, com uma verdadeira filosofia embrionária da cultura.
Oswald propugnava uma atitude brasileira de devoração ritual dos
valores europeus, a fim de superar a civilização patriarcal e
capitalista, com as suas normas rígidas no plano social e os seus
recalques impostos, no plano psicológico.
(Antonio Candido e José Aderaldo Castello, Presença da Literatura
Brasileira − Modernismo. 6. ed. Rio de Janeiro/S. Paulo: Difel, 1977.
p. 16)
A
Todo e qualquer sentimento, toda e qualquer verdade,
toda e qualquer intenção não consegue se tornar beleza,
se não se transformar nesse sentimento técnico que lhes
dá a forma.
B
Nesta fase se desenvolve um gênero em que sempre
tivemos bons escritores, desde os folhetinistas do tempo
do Império: a crônica, livre e ocasional, aderente aos
fatos
C
Quando abandonaremos a parte inútil e decorativa do
nosso ser? Quando nos aproximaremos com fervor da
nossa essência, partindo nosso pobre pão com o
Hóspede que está no céu?
D
Para esta ilha não se levará bíblia nem se carregarão
discos. Algum amigo que saiba contar histórias está
naturalmente convidado. Bem como alguma amiga de
voz doce ou quente.
E
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Ou figurando nas
óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.
Gabarito comentado
G
Gaspar Valentim Monitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: O comando pede a passagem que melhor ilustra a ideia do texto-base de “devoração ritual dos valores europeus”, como atitude brasileira de assimilação crítica e transformadora. O critério de escolha é, portanto, a correspondência conceitual com a antropofagia cultural descrita no enunciado.
Tema central: antropofagia cultural
Análise das alternativas
A
Errada
A passagem trata de elaboração estética: o sentimento só se torna beleza quando recebe forma técnica. O foco está em um princípio geral de criação artística, não na assimilação crítica de valores europeus em chave brasileira. Falta correspondência temática e conceitual com a antropofagia cultural.
B
Errada
A alternativa descreve o desenvolvimento da crônica e a tradição desse gênero no Brasil. Trata-se de comentário histórico-literário sobre gênero textual, sem crítica à europeização, sem recusa da catequização e sem apropriação paródica de valores europeus. Por isso, não ilustra o conceito exigido.
C
Errada
O trecho é introspectivo e espiritualizante, com campo semântico religioso em “Hóspede que está no céu”. Mesmo ao falar em “nossa essência”, não encena a lógica antropofágica de devorar e reelaborar criticamente o europeu; trata de essencialismo e elevação espiritual, não de apropriação cultural paródica.
D
Errada
A passagem constrói uma situação imagética e coloquial sobre o que levar para uma ilha. O tom pode soar irreverente, mas irreverência isolada não caracteriza antropofagia. Não há tematização da devoração ritual dos valores europeus nem da superação crítica da ordem cultural herdada.
E
Certa
A alternativa E materializa diretamente o núcleo conceitual apresentado no texto-base. Em “Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval”, há recusa irônica da submissão cultural europeia e afirmação de uma resposta brasileira própria. Na sequência, “O índio vestido de senador do Império” e “nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses” dramatizam, de modo crítico e paródico, a apropriação e reelaboração de formas europeias pelo elemento nacional. Isso corresponde exatamente à “devoração ritual dos valores europeus” mencionada no trecho-base.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre traço modernista genérico e antropofagia propriamente dita: nem toda passagem irreverente, nacional ou de autoria de Oswald exemplifica a “devoração ritual dos valores europeus”.
Dica para questões semelhantes
- Leia o comando como filtro: aqui não bastava reconhecer modernismo ou autoria, mas achar a passagem que ilustrasse o conceito definido no texto-base.
- Procure marcas de assimilação crítica do europeu, e não simples rejeição da Europa nem nacionalismo descritivo.
- Quando o texto-base trouxer uma fórmula conceitual decisiva, confronte cada alternativa com esse núcleo semântico antes de considerar tom ou estilo.






