Questão 895af174-af
Prova:PUC - Campinas 2010
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
A consolidação do poder monárquico luso a que o texto faz
referência deve ser compreendida historicamente no contexto
da formação dos Estados Nacionais na Europa, durante a
época moderna. Dentre as ideias que embasaram esse
processo, no caso português, pode-se citar:
A consolidação do poder monárquico luso a que o texto faz
referência deve ser compreendida historicamente no contexto
da formação dos Estados Nacionais na Europa, durante a
época moderna. Dentre as ideias que embasaram esse
processo, no caso português, pode-se citar:
Para responder à questão,
considere o texto abaixo.
O padre Antonio Vieira, ao contrário de um Gregório de
Matos saudoso do “Antigo Estado”, sabia que a máquina mercante
da colonização viera para ficar, irreversível, inexorável. E que, sendo inútil lamentar a sua intrusão nos portos da Colônia, importava
dominá-la imitando seus mecanismos e criando, na esfera do poder
monárquico luso, uma estrutura similar que pudesse vencê-la na
concorrência entre os impérios. Esse projeto o situa no centro
nervoso da política colonial. Enquanto conselheiro de D. João IV,
inspira ao rei a fundação de uma Companhia das Índias Ocidentais
assentada principalmente em capitais judaicos.
(Alfredo Bosi, Dialética da colonização. S. Paulo: Companhia das
Letras, 1992. p. 120)
Para responder à questão,
considere o texto abaixo.
O padre Antonio Vieira, ao contrário de um Gregório de
Matos saudoso do “Antigo Estado”, sabia que a máquina mercante
da colonização viera para ficar, irreversível, inexorável. E que, sendo inútil lamentar a sua intrusão nos portos da Colônia, importava
dominá-la imitando seus mecanismos e criando, na esfera do poder
monárquico luso, uma estrutura similar que pudesse vencê-la na
concorrência entre os impérios. Esse projeto o situa no centro
nervoso da política colonial. Enquanto conselheiro de D. João IV,
inspira ao rei a fundação de uma Companhia das Índias Ocidentais
assentada principalmente em capitais judaicos.
(Alfredo Bosi, Dialética da colonização. S. Paulo: Companhia das
Letras, 1992. p. 120)
A
o fortalecimento do poder da Igreja Católica diante da
concepção do direito divino do monarca, o nacionalismo
e a adoção de medidas liberais para desenvolver e
expandir a economia nacional.
B
a elaboração de leis nacionais sintetizadas numa Carta
Magna, a afirmação da soberania por meio de guerras
de expansão, e a aliança entre clero, monarquia e
nobreza para conter os interesses e a atuação da
burguesia.
C
o despotismo esclarecido, a concepção de que o Estado
deveria ser empreendedor e alimentado pela arrecadação de impostos, a formação de um exército forte e
autônomo e o rompimento com os valores feudais.
D
a organização do governo em três poderes (executivo,
legislativo e judiciário), a afirmação da nacionalidade em
oposição à cultura estrangeira e a defesa da liberdade
individual e do “estado de natureza”.
E
a defesa da monarquia absolutista, o projeto de integração nacional através da unidade territorial, linguística
e monetária, e o incentivo estatal ao desenvolvimento
mercantilista.
Gabarito comentado
F
Fábio de AguiarMonitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: "criando, na esfera do poder monárquico luso, uma estrutura similar que pudesse vencê-la na concorrência entre os impérios" é o trecho decisivo porque vincula o sintagma ao fortalecimento e à centralização do Estado português na disputa imperial e mercantil; por isso, a resposta correta deve corresponder ao projeto de monarquia absolutista e de incentivo estatal ao mercantilismo.
Tema central: Estado nacional português
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque mistura elementos incompatíveis com o núcleo semântico do texto. O excerto aponta para fortalecimento do "poder monárquico luso" em contexto mercantil-colonial, não para fortalecimento da Igreja diante do monarca. Além disso, "medidas liberais" contrariam o horizonte estatal e mercantilista indicado por "a máquina mercante da colonização" e pela fundação de companhia mercantil.
B
Errada
Está errada por desajuste contextual. A referência a "Carta Magna" não corresponde ao processo português de formação do Estado nacional moderno pedido no comando. Também a ideia de aliança entre clero, monarquia e nobreza para conter a burguesia colide com a lógica mercantil do texto, reforçada pela menção a capitais judaicos e à organização estatal para competir economicamente com outros impérios.
C
Errada
Está errada por anacronismo conceitual. O núcleo "despotismo esclarecido" não é a chave histórica da formação inicial dos Estados Nacionais indicada no comando. Embora a alternativa traga traços de fortalecimento estatal, o conceito central desloca a leitura para outro momento e compromete a compatibilidade com o "poder monárquico luso" referido no texto.
D
Errada
Está errada porque traz conceitos incompatíveis com a consolidação monárquica indicada no excerto. Separação em três poderes, liberdade individual e "estado de natureza" pertencem ao ideário liberal e contratualista, enquanto o texto sustenta um projeto de centralização estatal e intervenção econômica na esfera colonial e imperial.
E
Certa
A alternativa E está correta porque explicita, de modo historicamente compatível com o trecho, a monarquia absolutista e a integração nacional por unidade territorial, linguística e monetária. Esses elementos correspondem ao contexto de consolidação do poder régio português, associado no texto à intervenção estatal na economia colonial e à atuação na concorrência entre os impérios.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre qualquer ideia genérica de fortalecimento do Estado e o recorte histórico específico do Estado nacional moderno português: quem não articula "poder monárquico luso" com "concorrência entre os impérios" e com a fundação de companhia mercantil pode cair em alternativas com liberalismo, separação de poderes ou despotismo esclarecido.
Dica para questões semelhantes
- Localize a expressão nuclear do texto e leia o comando junto com ela; aqui, "poder monárquico luso" só se resolve corretamente com a contextualização histórica exigida.
- Em alternativas históricas, elimine as que misturam um traço correto com outro incompatível, como absolutismo com liberalismo ou nacionalidade com separação de poderes.
- Quando o texto menciona competição imperial, companhia mercantil e política colonial, o campo semântico é de centralização estatal e mercantilismo, não de limitação liberal do poder.






