Questão 894046ab-af
Prova:PUC - Campinas 2010
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

A ausência de relativismo religioso marca a chamada Guerra Justa, empreendida no período colonial. Sobre a Guerra Justa, é correto afirmar que esta foi

Para responder à questão, considere o texto abaixo.


     Creio que a posição de José de Alencar, quanto ao processo de colonização, é clara. No último capítulo de Iracema, quando Poti se converte, o narrador se regozija: “Germinou a palavra do Deus verdadeiro na terra selvagem; e o bronze sagrado ressoou nos vales onde rugia o maracá”. A frase diz tudo: não há relativismo religioso em Alencar: Tupã é o deus falso; o deus dos cristãos é o deus verdadeiro. E a civilização cristã é, já pelo fato de ser cristã, superior.

(Paulo Franchetti, “Apresentação” a Iracema, de José de Alencar. S.Paulo: Ateliê Editorial, 2006. p. 82) 

A
defendida pelo frei Bartolomeu de las Casas, que apregoava que os índios possuíam o direito legítimo de reagirem aos colonizadores, diante dos massacres, aprisionamentos, saques e violações, que justificavam, assim, uma “guerra justa” contra a opressão dos brancos.
B
baseada na filosofia de São Tomás de Aquino, o tomismo, que defendia que os fins justificavam os meios, sendo justa uma ação violenta coletiva, da parte dos índios ou dos conquistadores, cujo objetivo fosse nobre.
C
proposta pelo espanhol Sepúlveda, que alegava o direito dos conquistadores a guerrear contra os indígenas, uma vez que estes eram bárbaros e que a conquista e a evangelização representariam benfeitorias, civilizariam esses povos.
D
disseminada pelo padre José de Anchieta após ter sido prisioneiro de índios belicosos que reagiram negativamente à evangelização: a guerra, segundo ele, seria justa nessas situações em que os aborígenes estivessem atrapalhando a colonização.
E
combatida pelos frades franciscanos desde a Idade Média, quando essa ideia ganhou força por meio das cruzadas, sendo posteriomente transplantada para a América, onde serviu de justificativa para a escravização dos índios e o combate aos judeus.

Gabarito comentado

R
Rafael Silva Monitor com apoio de IA

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O texto-base afirma a superioridade da crença cristã e da civilização cristã — “não há relativismo religioso em Alencar: Tupã é o deus falso; o deus dos cristãos é o deus verdadeiro. E a civilização cristã é, já pelo fato de ser cristã, superior.” — e o comando relaciona essa lógica à Guerra Justa; por isso, a resposta correta é a alternativa que legitima a guerra dos conquistadores contra os indígenas em nome da conquista e da evangelização.

Tema central: Guerra Justa colonial
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa inverte o polo legitimado da guerra. Ela apresenta a Guerra Justa como direito de reação dos índios contra os colonizadores, mas o enunciado vincula essa doutrina à ausência de relativismo religioso usada para justificar a ação colonial cristã. O erro está na incompatibilidade semântica com a lógica do texto e do comando.
B
Errada
A alternativa descaracteriza o recorte exigido ao transformar a Guerra Justa numa fórmula genérica segundo a qual os fins justificariam os meios e ao admitir como justa a violência tanto dos índios quanto dos conquistadores. O comando não trata de qualquer violência com finalidade nobre, mas de uma doutrina colonial específica fundada na superioridade cristã e civilizatória.
C
Certa
A alternativa C está correta porque formula exatamente a matriz discursiva indicada pelo texto-base e pelo comando: os indígenas são colocados no polo da barbárie, e os conquistadores, no polo da missão civilizadora e evangelizadora. Essa combinação é a consequência direta da superioridade religiosa e civilizatória afirmada no excerto, que é o critério semântico decisivo da questão.
D
Errada
A alternativa troca uma formulação doutrinária geral por uma narrativa particularizada, centrada em José de Anchieta e em circunstância biográfica específica. O enunciado pede a identificação de uma lógica ideológica ampla do período colonial, articulada à superioridade religiosa e civilizatória, e não de um episódio individual.
E
Errada
A alternativa entra em choque com o valor argumentativo do comando ao dizer que a Guerra Justa foi combatida, quando a questão pede justamente a formulação que a legitimava no contexto colonial. Além disso, acrescenta uma associação temática heterogênea com o combate aos judeus, sem pertinência direta ao recorte semântico estabelecido pelo texto-base.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a doutrina usada para justificar a violência colonial e posições de crítica a essa violência, além de tentar atrair o candidato por alternativas com nomes históricos ou vocabulário filosófico que parecem plausíveis, mas não reproduzem a lógica de superioridade cristã/civilizatória dada pelo texto.
Dica para questões semelhantes
  • Use o texto-base para descobrir qual lógica ideológica o comando manda transferir para as alternativas.
  • Em questões interpretativas com fundo histórico, não escolha pela fama do personagem citado; confira se a alternativa repete a mesma relação de sentido do texto.
  • Elimine opções que generalizam demais o conceito e apagam o polo legitimado pelo enunciado.
  • Quando o texto opõe crenças e culturas em termos hierárquicos, procure a alternativa que mantenha essa hierarquização sem inverter os agentes.

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