No nascimento da razão moderna com a metafísica cartesiana e a revolução científica do séc XVII, a questão
ontológica grega que perguntava pelo ser das coisas é substituída pela questão gnosiológica que pergunta pelos
limites e possibilidades da razão. Nesse contexto surgem duas tendências fundamentais que pretendem explicar
a fonte e a natureza do processo de conhecimento. A esse respeito tem-se o seguinte:
Gabarito comentado
Alternativa correta: D
Tema central: trata-se da diferença entre duas correntes epistemológicas da modernidade — racionalismo e empirismo — que disputam a fonte e o critério do conhecimento. Esse contraste é recorrente em provas de filosofia e história da filosofia: reconhecer termos-chave (inatismo, evidência, experiência sensível, tabula rasa) resolve muitas questões.
Resumo teórico: - Racionalismo: defende que a razão é a fonte principal do conhecimento; há ideias inatas; o critério de verdade envolve clareza e distinção das ideias (ex.: René Descartes — Meditações). - Empirismo: sustenta que todo conhecimento deriva da experiência sensorial; mente como tabula rasa (ex.: John Locke — Ensaio sobre o Entendimento Humano; David Hume enfatiza a experiência e a indução).
Justificativa da alternativa D: A alternativa D afirma que o racionalismo, sem apoio da experiência sensível, coloca a razão como fonte do conhecimento, adota a evidência como critério da verdade e propõe o inatismo das ideias. Essa descrição sintetiza com precisão o núcleo do racionalismo moderno (Descartes, Spinoza, Leibniz). Portanto a alternativa D está correta.
Análise das alternativas incorretas: - A: Inverte as posições — atribui ao empirismo as “idéias inatas” e ao racionalismo a verificação sensorial. Incorreto. - B: Afirma que ambos aceitam conhecimento revelado que dispensa evidência/verificação — falsa: nem o racionalismo nem o empirismo defendem a autoridade da revelação como método epistemológico central. - C: Diz que ambos negam a experiência sensível e defendem inatismo — falso: isso descreve apenas o racionalismo; o empirismo afirma justamente o oposto. - E: Afirma que o empirismo dispensa o trabalho da razão por haver uma ordem implícita na realidade — equivocado: o empirismo valoriza a experiência sensorial e o raciocínio indutivo/analítico sobre dados empíricos; não elimina o uso da razão nem pressupõe ordem implícita que torne o raciocínio supérfluo.
Dica de prova: identifique palavras-chave (inatismo, evidência clara, tabula rasa, experiência sensível). Questões que generalizam (“tanto... quanto...”) pedem cautela — muitas alternativas erram por atribuir a ambas correntes características exclusivas de uma delas.
Fontes recomendadas: Descartes, Meditações; John Locke, Ensaio sobre o Entendimento Humano; David Hume, An Enquiry Concerning Human Understanding; Stanford Encyclopedia of Philosophy (artigos sobre Rationalism e Empiricism).
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