Questão 80d762e1-df
Prova:UFMT 2008
Disciplina:Atualidades
Assunto:Trabalho, Transporte, Previdência e outras Questões Sociais

Relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que Mato Grosso é o segundo estado com mais trabalhadores libertados de situações semelhantes ao trabalho escravo ou dele propriamente dito – 4.690 trabalhadores, nos últimos doze anos. Sobre essa questão, analise as afirmativas.


I - A permanência do trabalho escravo demonstra, de um lado, a enorme desigualdade social existente no Brasil e em Mato Grosso, de outro, a fraca atuação do Estado no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores.

II - Os projetos estatais de colonização de Mato Grosso, iniciados com a Marcha para o Oeste, implantados a partir da lógica do capitalismo, impediram a proliferação do trabalho escravo.

III - Embora o sistema escravagista da exploração da mão-de-obra no Brasil tivesse sido extinto em 1888, o país convive até hoje com esta “modalidade de trabalho”, como os agregados nas fazendas de gado, no desmatamento e no agronegócio.

IV - Dom Pedro Casaldáliga, quando Bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia-MT, destacou-se pelo combate ao trabalho escravo em Mato Grosso.


Estão corretas as afirmativas

A
II, III e IV, apenas.
B
I e II, apenas.
C
I, III e IV, apenas.
D
II e III, apenas.
E
I, II, III e IV.

Gabarito comentado

K
Karen Azevedo Monitor com apoio de IA

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é identificar quais afirmativas são compatíveis com a base histórico-social da questão: I, III e IV se sustentam, enquanto II é falsa. O elemento central do enunciado é a persistência contemporânea do trabalho escravo em Mato Grosso, em contexto de ocupação econômica e conflitos fundiários, o que conduz ao gabarito C.

Tema central: Trabalho escravo contemporâneo
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque inclui a afirmativa II. Historicamente, os projetos estatais de colonização de Mato Grosso, vinculados à Marcha para o Oeste e à expansão capitalista, não impediram a proliferação do trabalho escravo contemporâneo; ao contrário, inserem-se em contexto de ocupação territorial, conflitos fundiários e exploração do trabalho.
B
Errada
Incorreta por duas razões objetivas: inclui II, que é falsa, e exclui III e IV, que são verdadeiras. A composição da alternativa não corresponde ao conjunto historicamente sustentável indicado pela base.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reúne exatamente as assertivas sustentadas pela base. A I é verdadeira, pois a permanência do trabalho escravo contemporâneo se relaciona à desigualdade social, à vulnerabilidade dos trabalhadores e à insuficiência de prevenção e fiscalização estatal. A III também é verdadeira, porque a abolição legal de 1888 não eliminou formas contemporâneas de exploração análoga à escravidão, que persistem em atividades rurais e de fronteira econômica, como pecuária, desmatamento e agronegócio. A IV é verdadeira, já que Dom Pedro Casaldáliga é historicamente associado à denúncia da violência no campo, da opressão sobre trabalhadores e da estrutura fundiária excludente no Araguaia mato-grossense. A II é a única falsa.
D
Errada
Incorreta porque contém II, incompatível com o contexto histórico da expansão econômica de Mato Grosso, e ainda omite I e IV, que se sustentam pela associação entre persistência do trabalho escravo, insuficiência estatal e atuação de Casaldáliga no combate a essa realidade.
E
Errada
Incorreta porque afirma que todas as assertivas estão corretas, mas a II é falsa. Basta a falsidade de uma assertiva para invalidar a alternativa totalizante.
Pegadinha da questão
A confusão explorada está na assertiva II: a referência à colonização estatal, à Marcha para o Oeste e à lógica do capitalismo pode soar como modernização capaz de reduzir abusos, mas o critério histórico cobrado é o oposto — essas frentes de expansão não eliminaram o trabalho escravo contemporâneo.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões sobre escravidão contemporânea, se o enunciado trouxer dados atuais de resgate ou libertação de trabalhadores, isso reforça a persistência do problema após 1888.
  • Desconfie de afirmativas que atribuam à colonização, modernização ou expansão econômica efeito automático de proteção ao trabalhador; o critério histórico pode apontar convivência com exploração e conflitos.
  • Quando aparecer agente social ou religioso ligado ao campo, verifique se a banca cobra reconhecimento de atuação concreta em denúncias de violência agrária e opressão de trabalhadores.

Estatísticas

Questões para exercitar

Artigos relacionados

Dicas de estudo