Questão 7b2a2001-b0
Prova:PUC-GO 2010
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Assinale a alternativa que caracteriza corretamente
o livro de contos Cinzas da paixão e outras estórias, de
Maria Aparecida Rodrigues:
Assinale a alternativa que caracteriza corretamente
o livro de contos Cinzas da paixão e outras estórias, de
Maria Aparecida Rodrigues:
TEXTO 05
Fecho os olhos com insistência e tento resgatar a
veracidade daqueles momentos. Tudo insólito, orvalho matutino, insolitíssimo. Na infância, corríamos quintal adentro. Subíamos nas grimpas das árvores e lá brincávamos de
morar. Ela sempre no andar de baixo; eu, nas alturas.
[...] O mundo dali era pequeno e ao mesmo tempo
enorme. Eu e o mundo. Um no dentro do outro. Um
além do outro. Tão longe e tão junto. [...] Ficava, eu,
horas e horas, assim, balançando nas grimpas. Esquecia do tempo. Às vezes, brincávamos de impulsionar
forte o galho, no ritmo do balanço até que lançássemos o nosso corpo da copa de uma árvore aos galhos
de outras árvores próximas, feito pássaros: voando de
galho em galho, de árvore em árvore, transpondo os
limites do vazio e do céu.
(RODRIGUES, Maria Aparecida. A Transfiguração de Lúcia In:. _______ . Cinzas da paixão e outras estórias. Goiânia: Ed. da UCG, 2007. p. 19.)
TEXTO 05
Fecho os olhos com insistência e tento resgatar a
veracidade daqueles momentos. Tudo insólito, orvalho matutino, insolitíssimo.
Na infância, corríamos quintal adentro. Subíamos nas grimpas das árvores e lá brincávamos de
morar. Ela sempre no andar de baixo; eu, nas alturas.
[...] O mundo dali era pequeno e ao mesmo tempo
enorme. Eu e o mundo. Um no dentro do outro. Um
além do outro. Tão longe e tão junto. [...] Ficava, eu,
horas e horas, assim, balançando nas grimpas. Esquecia do tempo. Às vezes, brincávamos de impulsionar
forte o galho, no ritmo do balanço até que lançássemos o nosso corpo da copa de uma árvore aos galhos
de outras árvores próximas, feito pássaros: voando de
galho em galho, de árvore em árvore, transpondo os
limites do vazio e do céu.
(RODRIGUES, Maria Aparecida. A Transfiguração de Lúcia In:. _______ . Cinzas da paixão e outras estórias. Goiânia: Ed. da UCG, 2007. p. 19.)
A
O conto “A Transfiguração de Lúcia” apresenta
uma cena tipicamente goiana, que revela aspectos
da infância recheados de brincadeiras despretensiosas; pura fantasia de criança.
B
A obra revela uma preocupação concreta com a
sustentabilidade do homem e do mundo contemporâneo, uma vez que podemos vislumbrar, em
seus contos, o passado e o presente sendo confrontados e, nesse processo, tanto o ser humano quanto
as coisas mundanas deixam transparecer suas fragilidades e suas mazelas.
C
Em Cinzas da paixão..., há uma preocupação constante com a infância que não volta mais, cheia de
alegria e sonhos, comparada com um presente sem
qualquer perspectiva, numa linguagem tão áspera
quanto é a vida de grande parte dos personagens
que se apresentam em suas estórias.
D
A cena descrita em “A Transfiguração de Lúcia” é
típica de saudade e melancolia, em linguagem comum, própria do universo infantil, fazendo aflorar tão-somente um desejo de recuperar o passado,
como aliás acontece na maioria dos contos deste
livro.
Gabarito comentado
I
Isabela Duarte Monitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: O trecho decisivo é “Fecho os olhos com insistência e tento resgatar a veracidade daqueles momentos.”, porque marca a rememoração a partir do presente e indica reconstrução crítica da memória, não mera fantasia infantil ou simples nostalgia.
Tema central: memória e confronto temporal
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra em dois pontos objetivos. Primeiro, não há no excerto marca textual que permita afirmar tratar-se de uma cena “tipicamente goiana”; quintal, árvores e brincadeiras não configuram regionalismo específico. Segundo, reduzir o texto a “pura fantasia de criança” contraria o trecho “Fecho os olhos com insistência e tento resgatar a veracidade daqueles momentos.”, que indica rememoração reflexiva e busca de compreensão da experiência, não simples fantasia infantil.
B
Certa
A alternativa B é a que melhor se ajusta ao excerto porque nele a infância não aparece como lembrança meramente afetiva ou idealizada, mas como experiência reelaborada por um eu que, no presente, tenta compreender o que viveu. A formulação “tento resgatar a veracidade daqueles momentos” mostra distanciamento reflexivo, e expressões como “O mundo dali era pequeno e ao mesmo tempo enorme. Eu e o mundo. Um no dentro do outro. Um além do outro.” ampliam o sentido para uma problematização da relação entre sujeito e mundo. Embora o termo “sustentabilidade” não seja diretamente demonstrado pelo trecho, o núcleo da alternativa se sustenta no confronto entre passado e presente.
C
Errada
A alternativa acrescenta sentidos que o texto não autoriza. O excerto não mostra “um presente sem qualquer perspectiva”; essa é uma generalização absoluta sem apoio textual. Também é incompatível com o estilo do trecho dizer que a linguagem é “áspera”: o texto é lírico, imagético e elaborado, como se vê em “Tudo insólito, orvalho matutino, insolitíssimo.” e nos paradoxos “pequeno e ao mesmo tempo enorme” e “Tão longe e tão junto.”
D
Errada
A alternativa reduz indevidamente o excerto a “saudade e melancolia” e afirma que há “tão-somente um desejo de recuperar o passado”. Isso é excluído pela expressão “resgatar a veracidade”, que aponta para reconstrução crítica da experiência, não para simples desejo sentimental de retorno. Além disso, é incorreto dizer que a linguagem é “comum, própria do universo infantil”, porque o excerto apresenta forte elaboração literária, com imagens e paradoxos, distantes de uma linguagem comum.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de o candidato confundir lembrança da infância com nostalgia pura e de tomar imagens poéticas como “fantasia de criança”, além de aceitar formulações absolutas como “pura”, “tão-somente” e “sem qualquer perspectiva” sem respaldo no texto.
Dica para questões semelhantes
- Observe se a memória é apenas lembrada ou se é reinterpretada no presente; verbos e expressões do presente de enunciação costumam decidir isso.
- Desconfie de alternativas com absolutizações como “pura”, “tão-somente” e “sem qualquer perspectiva” quando o texto é mais complexo que isso.
- Não infira regionalismo, melancolia exclusiva ou aspereza de linguagem sem marca textual específica.
- Quando o excerto traz paradoxos e imagens densas, isso costuma afastar leituras simplificadoras.






