Considerando o excerto acima e os desdobramentos
da atividade algodoeira no Ceará na década de
1930, analise os seguintes itens:
I. o aparecimento de várias fábricas e lojas de
tecidos, que diariamente ganhavam destaque
nos jornais da cidade de Fortaleza, e sua
multiplicação em grande número, pelo interior
do estado do Ceará;
II. o surgimento de uma mão de obra
especializada, oriunda dos retirantes da seca,
que passaram a vender sua força de trabalho
a essa indústria;
III. o fortalecimento do controle da indústria sobre
os homens vindos do sertão, fugindo da seca,
em busca de emprego, pelo fato de que o
grande número de famintos aumentava a
oferta de mão de obra barata. Corresponde(m) a desdobramento(s) da atividade
algodoeira no Ceará na década de 1930 somente
Atente ao seguinte excerto: “A produção do
algodão para exportação ou indústrias da fiação e
tecelagem de Fortaleza era o principal fator que
fazia crescer o cofre dos capitalistas cristãos do
Ceará. Vale lembrar que a principal expressão
comercial da década de 1930 ligava-se intimamente
ao algodão”.
RIOS, Kênia Souza. A cidade cercada: festa e
isolamento na seca de 1932, in SOUZA, Simone
(org). SECA. Fortaleza: Fundação Demócrito
Rocha, 2002.
Gabarito comentado
Resposta: Alternativa B
Tema central: os efeitos da expansão algodoeira no Ceará na década de 1930 — sobretudo suas repercussões econômicas e sociais em Fortaleza e sobre a população sertaneja que migrou em razão da seca.
Resumo teórico: a década de 1930 no Nordeste cearense foi marcada por um boom do algodão que estimulou o comércio e criou núcleos industriais têxteis em Fortaleza. Contudo, essa “industrialização” foi limitada, concentrada e voltada para o processamento comercial do algodão, não configurando uma transformação profunda do parque produtivo regional. Ao mesmo tempo, as secas provocaram intensa migração de retirantes que chegavam sem qualificação, ampliando a oferta de mão de obra e fortalecendo o poder de barganha patronal (reduzindo salários e precarizando as condições). Referências úteis: Rios, Kênia Souza (2002) e Celso Furtado, Formação Econômica do Brasil (para contexto regional).
Por que a alternativa B está correta: o item III afirma que houve fortalecimento do controle da indústria sobre os migrantes em função do grande número de famintos, o que corresponde ao quadro histórico: a abundância de mão de obra barata aumentou a capacidade dos empregadores de impor condições de trabalho e salários baixos. Isso é consistente com análises sobre mercado de trabalho urbano diante de fluxos migratórios por seca (fonte: Rios; análises de economia regional).
Por que os outros itens estão incorretos:
- I — A frase diz que várias fábricas e lojas de tecidos se multiplicaram pelo interior. Isso exagera: houve crescimento de comércio e algumas indústrias em Fortaleza, mas não uma ampla multiplicação industrial pelo interior do estado. A industrialização foi localizada e limitada.
- II — Afirma que surgiu mão de obra especializada oriunda dos retirantes. Incorreto: os retirantes chegavam sem qualificação industrial; eram mão de obra não especializada, vulnerável e sujeita a exploração, não “especializada” para indústrias têxteis.
Dica de interpretação: ao resolver questões históricas, distinga crescimento comercial de industrialização estruturada, e cuidado com termos que elevam o grau técnico dos sujeitos (ex.: “mão de obra especializada”) — pergunte-se se o contexto social permite essa qualificação.
Fontes citadas: RIOS, Kênia Souza. A cidade cercada: festa e isolamento na seca de 1932, in SOUZA, Simone (org.). SECA. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2002; FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil.
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