“(...) Há alguns que, mesmo não ignorando os seus próprios limites, buscam o saber com
tal afinco e insistem tão obstinadamente no estudo, que merecem obter, por obra da
vontade, aquilo que não obteriam pela eficácia do estudo em si. Mas há outros os quais,
sentindo que nunca poderiam compreender as coisas altíssimas, desprezam também as
coisas mínimas e, como que repousando em seu próprio torpor, tanto mais perdem a
luz da verdade nas coisas sumas, quanto mais fogem das coisas mínimas que poderiam
aprender”.
HUGO DE SÃO VITOR, Didascálicon, p. 43.
Sobre o excerto acima, considere as seguintes afirmações:
I. Todos os seres humanos são iguais em não saber, porque são limitados.
II. Saber é um dom da natureza e não depende nem de esforço nem de nenhum tipo de
exercício.
III. Não saber é determinado pela pobreza do patrimônio familiar que dificulta o estudo.
IV. Não saber é questão de incapacidade e não pode ser superado.
V. Não saber e não querer saber são duas coisas bem diversas.
Sobre as afirmações acima, assinale a alternativa CORRETA.
Gabarito comentado
Alternativa correta: B - Somente uma está correta.
Tema central: o trecho de Hugo de São Vítor distingue limitação cognitiva de falta de empenho, afirmando que a vontade e o esforço podem suprir limitações naturais, enquanto a preguiça ou o desprezo pelo aprendizado impede até o domínio de coisas menores. É um texto sobre educação, esforço e atitude no saber (Didascálicon, séc. XII).
Resumo teórico: Hugo defende que (1) há limites humanos ao saber; (2) a vontade e a perseverança podem vencer esses limites; (3) há quem, por desdém ou preguiça, perca oportunidades de aprender. Assim, distingue-se incapacidade possível de ser superada versus recusa voluntária.
Justificativa da resposta (por que B): Apenas a afirmação V está de acordo com o texto: o autor diferencia explicitamente “não saber” (limitação) e “não querer saber” (desprezo/preguiça). As demais afirmativas acrescentam generalizações ou causas não presentes ou contradizem o trecho.
Análise das alternativas incorretas:
I. Incorreta — o texto não afirma que todos sejam iguais no não saber; fala em limites, mas também em quem supera esses limites. Palavra absoluta “todos” é armadilha.
II. Incorreta — contrária ao enunciado; Hugo enfatiza que esforço e vontade podem levar ao saber, logo não é apenas dom natural sem exercício.
III. Incorreta — a causa socioeconômica (pobreza familiar) não aparece no excerto; é uma inferência externa não justificada pelo texto.
IV. Incorreta — o autor mostra que incapacidade pode ser superada pela vontade e pelo estudo obstinado; portanto “não pode ser superado” é falso.
Estratégia para a prova: identifique polaridades (ex.: “há alguns… mas há outros…”), cuidado com termos absolutos (todos, sempre), e procure no texto evidência direta antes de aceitar causas externas.
Fonte principal: Hugo de São Vítor, Didascálicon (cap. sobre educação e método do saber).
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