Questão 77253c5d-e2
Prova:FATEC 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
À vista do texto e das teses correntes sobre os estilos de época em nossa literatura, é correto afirmar que, nesse texto, Mário de
Andrade
À vista do texto e das teses correntes sobre os estilos de época em nossa literatura, é correto afirmar que, nesse texto, Mário de
Andrade
O parnasianismo, entre nós, foi especialmente uma reação de cultura. É mesmo isso que o torna simpático... As academias de arte,
algumas delas, até ridículas superfetações1
em nosso meio, como a de Belas Artes da Missão Lebreton, mesmo criadas muito anteriormente, só
nesse período começam a produzir verdadeiros frutos nativos, na pintura, na música. Se dava então um progresso cultural verdadeiramente
fatal, escolas que tradicionalizavam seu tipo, maior difusão de leitura, maior difusão da imprensa. Essa difusão de cultura atingiu também
a poesia. Excetuado um Gonçalves Dias, a nossa poesia romântica é fundamentalmente um lirismo inculto. Todo o nosso romantismo se
caracteriza bem brasileiramente por essa poesia analfabeta, canto de passarinho, ou melhor, canto de cantador; em sensível oposição à
poética culteranista anterior. Mesmo da escola mineira, que, se não se poderá dizer culteranista, era bastante cultivada, principalmente com
Cláudio Manuel e Dirceu. É possível reconhecer que os nossos românticos liam muito os poetas e poetastros estrangeiros do tempo. Isso lhes
deu apenas uma chuvarada de citações para epígrafe de seus poemas; por dentro, estes poemas perseveraram edenicamente analfabetos.
A necessidade nova de cultura, se em grande parte produziu apenas, em nossos parnasianos, maior leitura e consequente
enriquecimento de temática em sua poesia, teve uma consequência que me parece fundamental. Levou poetas e prosadores em geral a um....
culteranismo novo, o bem falar conforme às regras das gramáticas lusas. Com isso foi abandonada aquela franca tendência pra escrever
apenas pondo em estilo gráfico a linguagem falada, com que os românticos estavam caminhando vertiginosamente para a fixação estilística de
uma língua nacional. Os parnasianos, e foi talvez o seu maior crime, deformaram a língua nascente, “em prol do estilo". [...]
Essa foi a grande transformação. Uma necessidade de maior extensão de cultivo intelectual para o poeta, atingiu também a poesia. Da
língua boa passou-se para a língua certa.
(ANDRADE, Mário de. Parnasianismo. In: ______ O empalhador de passarinhos. 3.ed. São Paulo: Martins; Brasília: INL, 1972, p. 11-2)
superfetações1
: A palavra significa, literalmente, fecundação de um segundo óvulo, no curso de uma gestação. Mário de Andrade a emprega em sentido figurado.
O parnasianismo, entre nós, foi especialmente uma reação de cultura. É mesmo isso que o torna simpático... As academias de arte,
algumas delas, até ridículas superfetações1
em nosso meio, como a de Belas Artes da Missão Lebreton, mesmo criadas muito anteriormente, só
nesse período começam a produzir verdadeiros frutos nativos, na pintura, na música. Se dava então um progresso cultural verdadeiramente
fatal, escolas que tradicionalizavam seu tipo, maior difusão de leitura, maior difusão da imprensa. Essa difusão de cultura atingiu também
a poesia. Excetuado um Gonçalves Dias, a nossa poesia romântica é fundamentalmente um lirismo inculto. Todo o nosso romantismo se
caracteriza bem brasileiramente por essa poesia analfabeta, canto de passarinho, ou melhor, canto de cantador; em sensível oposição à
poética culteranista anterior. Mesmo da escola mineira, que, se não se poderá dizer culteranista, era bastante cultivada, principalmente com
Cláudio Manuel e Dirceu. É possível reconhecer que os nossos românticos liam muito os poetas e poetastros estrangeiros do tempo. Isso lhes
deu apenas uma chuvarada de citações para epígrafe de seus poemas; por dentro, estes poemas perseveraram edenicamente analfabetos.
A necessidade nova de cultura, se em grande parte produziu apenas, em nossos parnasianos, maior leitura e consequente enriquecimento de temática em sua poesia, teve uma consequência que me parece fundamental. Levou poetas e prosadores em geral a um.... culteranismo novo, o bem falar conforme às regras das gramáticas lusas. Com isso foi abandonada aquela franca tendência pra escrever apenas pondo em estilo gráfico a linguagem falada, com que os românticos estavam caminhando vertiginosamente para a fixação estilística de uma língua nacional. Os parnasianos, e foi talvez o seu maior crime, deformaram a língua nascente, “em prol do estilo". [...]
Essa foi a grande transformação. Uma necessidade de maior extensão de cultivo intelectual para o poeta, atingiu também a poesia. Da língua boa passou-se para a língua certa.
(ANDRADE, Mário de. Parnasianismo. In: ______ O empalhador de passarinhos. 3.ed. São Paulo: Martins; Brasília: INL, 1972, p. 11-2)
superfetações1 : A palavra significa, literalmente, fecundação de um segundo óvulo, no curso de uma gestação. Mário de Andrade a emprega em sentido figurado.
A necessidade nova de cultura, se em grande parte produziu apenas, em nossos parnasianos, maior leitura e consequente enriquecimento de temática em sua poesia, teve uma consequência que me parece fundamental. Levou poetas e prosadores em geral a um.... culteranismo novo, o bem falar conforme às regras das gramáticas lusas. Com isso foi abandonada aquela franca tendência pra escrever apenas pondo em estilo gráfico a linguagem falada, com que os românticos estavam caminhando vertiginosamente para a fixação estilística de uma língua nacional. Os parnasianos, e foi talvez o seu maior crime, deformaram a língua nascente, “em prol do estilo". [...]
Essa foi a grande transformação. Uma necessidade de maior extensão de cultivo intelectual para o poeta, atingiu também a poesia. Da língua boa passou-se para a língua certa.
(ANDRADE, Mário de. Parnasianismo. In: ______ O empalhador de passarinhos. 3.ed. São Paulo: Martins; Brasília: INL, 1972, p. 11-2)
superfetações1 : A palavra significa, literalmente, fecundação de um segundo óvulo, no curso de uma gestação. Mário de Andrade a emprega em sentido figurado.
A
recusa-se a ver aspectos culturais positivos na arte parnasiana, que considera culteranista, tal qual a escola mineira (o arcadismo),
na qual ele reconhece simplicidade no tratamento da linguagem.
B
reconhece, na simplicidade da linguagem romântica, a aproximação entre língua escrita e língua falada, o esforço para afirmação
de uma língua nacional na poesia, tal qual ocorreu na linguagem modernista.
C
manifesta sua aprovação ao projeto parnasiano de afirmar uma língua certa, em lugar de uma língua boa, visto que esta última
servia apenas para expressar o atraso intelectual do país.
D
contesta a importância que nossa cultura letrada dá a Gonçalves Dias, o qual ele entende ser uma exceção no quadro de uma
poesia que já se afirmava como nacionalista.
E
adere às teses estilísticas do parnasianismo, as quais caracteriza como culto à forma, em especial pela contribuição daquelas
para afirmar uma autêntica língua brasileira.
Gabarito comentado
F
Fabiana Lacerda Monitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: A oposição decisiva é entre a tendência romântica de aproximar escrita e fala e a crítica ao parnasianismo, que impõe a "língua certa". O trecho obrigatório — "Com isso foi abandonada aquela franca tendência pra escrever apenas pondo em estilo gráfico a linguagem falada, com que os românticos estavam caminhando vertiginosamente para a fixação estilística de uma língua nacional. Os parnasianos, e foi talvez o seu maior crime, deformaram a língua nascente, “em prol do estilo". [...] Da língua boa passou-se para a língua certa." — sustenta a alternativa B e afasta as demais.
Tema central: romantismo e parnasianismo
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra em três pontos textualmente verificáveis. Primeiro, Mário de Andrade não recusa por completo aspectos culturais positivos do parnasianismo, pois reconhece "um progresso cultural" e "maior leitura". Segundo, a escola mineira não é equiparada ao culteranismo "tal qual" o parnasianismo; o texto ressalva: "se não se poderá dizer culteranista". Terceiro, ela não é descrita como simples na linguagem, mas como "bastante cultivada".
B
Certa
A alternativa B retoma com fidelidade o núcleo do texto: embora Mário de Andrade critique a poesia romântica como "lirismo inculto", ele preserva um ponto positivo decisivo nesse movimento, a "tendência pra escrever apenas pondo em estilo gráfico a linguagem falada", o que levava à "fixação estilística de uma língua nacional". Já o parnasianismo é criticado por interromper esse processo ao impor a "língua certa" conforme as "gramáticas lusas". O paralelo com o modernismo é compatível com o comando da questão, que autoriza considerar as teses correntes sobre os estilos de época, e com a perspectiva do autor sobre a valorização de uma língua nacional literária.
C
Errada
A alternativa inverte a avaliação do autor. O texto não aprova o projeto parnasiano; ele o condena expressamente: "Os parnasianos, e foi talvez o seu maior crime, deformaram a língua nascente, “em prol do estilo"." Também a fórmula "Da língua boa passou-se para a língua certa" é crítica à normatização artificial, não elogio da correção parnasiana.
D
Errada
A leitura contraria o valor da expressão de exceção. Ao afirmar "Excetuado um Gonçalves Dias", o autor não desvaloriza o poeta; ao contrário, separa-o positivamente do quadro geral do romantismo como "lirismo inculto". Além disso, o texto não afirma que a poesia romântica já estava plenamente afirmada como nacionalista; sustenta apenas que ela caminhava para a "fixação estilística de uma língua nacional".
E
Errada
A alternativa atribui adesão ao parnasianismo onde o texto manifesta reprovação. Mário de Andrade chama esse movimento de "culteranismo novo", vincula-o ao "bem falar conforme às regras das gramáticas lusas" e afirma que os parnasianos "deformaram a língua nascente". Portanto, não há defesa de culto à forma nem de contribuição para afirmar uma autêntica língua brasileira; há crítica ao seu efeito antinacional.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: a crítica ao romantismo como "lirismo inculto" pode levar o candidato a ignorar que o autor valoriza justamente sua aproximação entre linguagem falada e escrita; e a menção a "progresso cultural" no período parnasiano pode induzir à falsa ideia de adesão ao parnasianismo, quando a crítica central recai exatamente sobre seu projeto de linguagem.
Dica para questões semelhantes
- Separe crítica parcial de rejeição total: aqui o romantismo recebe censura quanto à incultura letrada, mas elogio quanto ao rumo linguístico.
- Quando o texto opõe fórmulas como "língua boa" e "língua certa", identifique o valor argumentativo delas no contexto antes de atribuir sentido positivo à expressão mais normativa.
- Em alternativas sobre escolas literárias, confira se o item respeita as ressalvas do texto, como "Excetuado um Gonçalves Dias" e "se não se poderá dizer culteranista".






