TEXTO 2
I
Corre em mim
(devastado)
um rio de revolta
e
cicio.
Por nada deste mundo
há de saber-se afogado,
senão por sua sede
e seu desvio!
II
Tudo que edifico
na origem milenar da espera
é poder
do que não pode
e se revela
ad mensuram.
(VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade.
Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 23-24.)
O rio que corre no poeta (Texto 2) é de natureza
(marque a alternativa correta):
I
Corre em mim
(devastado)
um rio de revolta
e
cicio.
Por nada deste mundo
há de saber-se afogado,
senão por sua sede
e seu desvio!
II
Tudo que edifico
na origem milenar da espera
é poder
do que não pode
e se revela
ad mensuram.
(VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 23-24.)
O rio que corre no poeta (Texto 2) é de natureza (marque a alternativa correta):
Gabarito comentado
Tema central da questão: A questão avalia interpretação de texto, com foco em figuras de linguagem – especificamente, a identificação do recurso estilístico que melhor explica a expressão “um rio de revolta corre em mim”.
Comentário da alternativa correta (D):
A alternativa correta é a D) metafórica, pois, segundo a norma-padrão e gramáticas de referência (como Bechara e Cunha & Cintra), a metáfora consiste em transferir o sentido de uma palavra a outra com base numa relação de semelhança implícita, sem comparativo explícito.
No poema, o “rio” não é literalmente um curso d’água, mas destaca, de forma figurada, o sentimento intenso (“revolta”) que percorre o eu-lírico. Assim, “rio” representa a emoção do enunciador, como em “meus olhos eram duas jabuticabas” (metáfora clássica; não significa literalmente).
Análise das alternativas incorretas:
A) Metonímica: Metonímia implica relação de proximidade ou contiguidade entre termos, como autor pela obra (“ler Jorge Amado”) ou parte pelo todo. No poema, não há essa relação, pois “rio” não é parte ou associado diretamente ao sentimento, e sim uma substituição de sentido.
B) Irônica: A ironia ocorre quando se diz o contrário do que se pensa. No texto, o sentimento expresso é autêntico; não há contradição intencional ou tom de deboche, descartando ironia.
C) Antitética: Antítese consiste em aproximação de ideias opostas (“sede”/“água”). Embora haja menção à “sede”, o elemento central é a metáfora do rio, não o contraste entre opostos. A oposição não é o foco do poema nem da relação entre “rio” e “revolta”.
Dica de interpretação: Busque identificar se a expressão transporta sentido por semelhança (metáfora), por relação próxima (metonímia), sugere opostos (antítese) ou diz algo pelo avesso (ironia). Atenção: metáfora é muito comum na linguagem poética!
Citando Bechara (Moderna Gramática Portuguesa):
“Na metáfora, há transferências de significados baseadas em relações de analogia implícitas.”
Resumo: “Rio de revolta” é metáfora dos sentimentos do eu-lírico. Treine identificar as nuances das figuras de linguagem, pois a interpretação correta é fundamental para acertar questões desse tipo em vestibulares!
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!






