Questõessobre Figuras de Linguagem

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e0e11a07-7a
USS 2022 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

“E aí aconteceu o imprevisto; num gesto aparentemente desesperado,

Clocky saltou pela amurada.” (l. 12-13)


No trecho, destaca-se a seguinte figura de linguagem:

A
personificação
B
metonímia
C
hipérbole
D
antítese
a033511e-67
UFPR 2021 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

 A figura de linguagem correspondente à expressão “McDonaldização” do mundo no texto é:  

O texto a seguir é referência para a questão. 


(Peter Burke. Quando foi a globalização? In: O historiador como colunista: ensaios da Folha. RJ: Civilização Brasileira, 2009. Adaptado.)

A
uma personificação das empresas multinacionais.
B
uma metáfora da capilarização das empresas multinacionais.
C
um paradoxo sobre a distribuição mundial de alimentos.
D
uma alegoria sobre as redes de alimentação fast food. 
E
um eufemismo sobre a obesidade mundial crescente.
ff8ff2eb-58
UECE 2021 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

Na expressão “GAROTAS DOURADAS” (linha 16), a palavra destacada é exemplo de 

A
hipérbole.
B
catacrese.
C
sinestesia.
D
metáfora.
3e7d59de-0b
UFMS 2018 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Assinale a alternativa correta que aponta correspondência pertinente entre o recurso expressivo usado pelo poeta e o efeito produzido.

Leia o poema a seguir para responder à questão:


Índia Velha 


Índia Velha índia velha

se lembra do cheiro verde

na fonte limpa

onde se matava a sede

água boa de beber

índia velha

se lembra

do teu tempo de criança

tinha festa e tinha dança

pra chover.

índia velha

se lembra

do primeiro

do segundo

do terceiro branco

que chegou

se lembra?

se lembra

Quando tu andavas nua

olha a cor de teu vestido

encardido

quando andas pela rua.

se lembra!

se lembra de teus colares

teus amores a lua cheia

lençóis de flores na aldeia

se lembra?

índia velha

se lembra

dos pés pisando no mato

olha a cor de teu sapato

pisando asfalto e areia.

índia velha

se lembra

tantos brancos que

chegaram

tantos

que até perdestes as contas

e as contas de teus colares

hoje andas tonta nos bares

e é tão grande a dor que

sentes e que o amor de tua gente

foi junto ao rio

foi junto ao rio

por onde os brancos chegaram

se lembra?

se lembra?


(MARINHO, Emmanuel. Cantos de terra. Campo Grande: Letra Livre, 2016. A primeira edição foi publicada em 1981 [2]).

A
Sinestesia: antiguidade e simplicidade da cultura indígena.
B
Antíteses: confrontos entre brancos e índios.
C
Alternância no uso de pessoas gramaticais: simulação de diálogo entre locutores com hábitos linguísticos diferentes.
D
Falta de sinais de pontuação entre a maioria dos versos: rapidez da ocorrência dos fatos narrados.
E
Repetição do verso “foi junto ao rio” ao final do poema: insistência do interlocutor para fazer que a índia recupere a memória de fatos e cenas que vivenciou.
3e5fa5f3-0b
UFMS 2018 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Analise os elementos empregados na construção da letra da canção e assinale a alternativa correta. 

A Via Láctea 

Quando tudo está perdido

Sempre existe um caminho

Quando tudo está perdido

Sempre existe uma luz

Mas não me diga isso

Hoje a tristeza não é passageira

Hoje fiquei com febre a tarde inteira

E quando chegar a noite

Cada estrela parecerá uma lágrima

Queria ser como os outros

E rir das desgraças da vida

Ou fingir estar sempre bem

Ver a leveza das coisas com humor

Mas não me diga isso

É só hoje e isso passa

Só me deixe aqui quieto isso passa

Amanhã é um outro dia, não é?


Eu nem sei porque me sinto assim

Vem de repente um anjo triste perto de mim

E essa febre que não passa

E meu sorriso sem graça

Não me dê atenção

Mas obrigado por pensar em mim

Quando tudo está perdido

Sempre existe uma luz

Quando tudo está perdido

Sempre existe um caminho

Quando tudo está perdido

Eu me sinto tão sozinho

Quando tudo está perdido

Não quero mais ser quem eu sou

Mas não me diga isso

Não me dê atenção

E obrigado por pensar em mim


(LEGIÃO URBANA. A tempestade ou O livro dos dias (álbum). Rio de Janeiro: EMI Music Ltda, 1996).

A
Nos versos iniciais, predomina uma relação de valor causal na articulação entre os seus enunciados, revelando a importância dos elementos mencionados para o sujeito da letra.
B
Nela, recorre-se à metáfora para explicitar o estado melancólico do sujeito, conforme se evidencia na associação construída entre os vocábulos “lágrima” e “estrela”.
C
O enunciado “Quando tudo está perdido”, repetido por seis vezes ao longo da letra da canção, remete ao estado de desesperança em que o sujeito se encontra.
D
As figuras “anjo triste” e “sorriso sem graça” destoam de outras que se verificam no texto, em razão de conferirem traços que alimentam a crença do sujeito na reversão do estado vivido.
E
A construção da letra da canção como um diálogo contribui para atenuar a sensação de melancolia a que o sujeito se vê exposto.
495f9256-0b
UECE 2021 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

Assinale a opção cuja expressão destacada é um exemplo de metáfora.


A
“Gastamos nosso salário em procedimentos estéticos” (linhas 214-215)
B
“[...] hoje somos bombardeadas por centenas de imagens” (linhas 187-188)
C
“Esse momento pode ser o mais perigoso porque gera muitas frustrações.” (linhas 202- 203)
D
“Muitas vezes, apenas para chegar a alguma meta difícil de ser alcançada” (linhas 216-218)
49426993-0b
UECE 2021 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

No trecho: “Não nomear a menstruação usando no lugar eufemismos como [...]” (linhas 44- 46), a palavra eufemismos é atribuída como estratégia de


A
buscar termos que atenuem o envergonhamento da menstruação.
B
exagerar o problema da pobreza menstrual para encontrar soluções mais rápidas.
C
comparar a pobreza menstrual a mitos e crendices como forma de mistificação.
D
encontrar termos para que menstruantes enfrentem a pobreza menstrual.
79af40f8-07
SÃO CAMILO 2018 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

O eu lírico recorre a uma construção paradoxal em:

Leia o poema do escritor português Fernando Pessoa para responder à questão. 

Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longinquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber.
Nessa ilusão de viver
O tempo morre e renasce
Sem que o sintamos correr. 

O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.

Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.

(Obra poética, 1997.)
A
“Nem se sonha nem se vive” (4a estrofe)
B
“Nos meus desejos existe” (1a estrofe)
C
“O amor não é amor” (3a estrofe)
D
“Vive-se como se nasce” (2a estrofe)
E
“Nesse impossível jardim” (4a estrofe)
799ccd2f-07
SÃO CAMILO 2018 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Examine a tira do cartunista americano Bill Watterson.


(Criaturas bizarras de outro planeta!:
as aventuras de Calvin & Haroldo, 2011.)

No último quadrinho, o garoto Calvin faz uso do seguinte recurso expressivo:

A
pleonasmo.
B
gradação.
C
eufemismo.
D
ironia.
E
antítese.
b3403ad7-06
SÃO CAMILO 2019 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

Nos trechos “e eis que ela não sustentou o olhar / e se esvaiu” e “A infância não foi uma manhã de sol: / demorou vários séculos;”, ocorrem, respectivamente, os seguintes recursos expressivos:

Leia o poema de Antonio Cicero para responder à questão.

Balanço

A infância não foi uma manhã de sol:
demorou vários séculos; e era pífia,
em geral, a companhia. Foi melhor,
em parte, a adolescência, pela delícia
do pressentimento da felicidade na malícia,
na molícia, na poesia,
no orgasmo; e pelos livros e amizades.
Um dia, apaixonado, encarei a minha
morte: e eis que ela não sustentou o olhar
e se esvaiu. Desde então é a morte alheia
que me abate. Tarde aprendi a gozar
a juventude, e já me ronda a suspeita
de que jamais serei plenamente adulto:
antes de sê-lo, serei velho. Que ao menos
os deuses façam felizes e maduros
Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos.

(Porventura, 2012.) 
A
personificação e paradoxo.
B
eufemismo e hipérbole.
C
eufemismo e paradoxo.
D
paradoxo e eufemismo.
E
personificação e hipérbole.
78d74818-06
SÃO CAMILO 2019 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto e uma figura de linguagem que nele ocorre.

Leia o trecho da crônica de Machado de Assis, escrita em 1861, para responder à questão.

     Começo por uma raridade, não uma dessas raridades vulgares de que fala uma personagem de teatro, mas uma raridade vulgarmente rara: — o governo de acordo com a opinião. 
     Os complacentes e os otimistas hão de rir; não assim os julgadores severos; esses dirão consigo: — é verdade! — A opinião havia acolhido com entusiasmo a unificação da Itália; o governo acaba de reconhecer com prazer e sem delongas acintosas o novo reino italiano. Não é caso de milagre, mas também não é comum.
     Afez-se o país por tal modo a ver no governo o seu primeiro contraditor, que não pôde reprimir uma exclamação quando o viu pressuroso concluir o ato diplomático a que aludo. E por que não havia de fazê-lo? Perguntará o otimista. Eu sei! por descuido, por cortesania, por qualquer outro motivo, mas a regra é invariável: o governo sempre contrariou a opinião.

(Comentários da semana, 2008.)
A
“não assim os julgadores severos; esses dirão consigo: — é verdade!” (2° parágrafo); hipérbole.
B
“não assim os julgadores severos; esses dirão consigo: — é verdade!” (2° parágrafo); personificação.
C
“o governo sempre contrariou a opinião” (3° parágrafo); pleonasmo.
D
“Começo por uma raridade, não uma dessas raridades vulgares de que fala uma personagem de teatro” (1° parágrafo); paradoxo.
E
“Começo por uma raridade, não uma dessas raridades vulgares de que fala uma personagem de teatro” (1° parágrafo); eufemismo.
6603f052-05
FGV 2020 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética., Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Considere a tirinha de Laerte.


(folha.uol.com.br)

Para a construção de seu significado, a tirinha recorre

A
ao eufemismo.
B
à metalinguagem.
C
ao pleonasmo.
D
à hipérbole.
E
à gradação.
a8569047-02
UEG 2017 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem, Intertextualidade, Coesão e coerência, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto


Jornal O Popular, p. M7, 09 mar. 2017.

Há entre a tirinha de Maurício de Sousa e a conhecida narrativa do Éden, da tradição judaico-cristã, uma relação

A
coesiva
B
paradoxal
C
hiperbólica
D
intertextual
E
pleonástica
a8502d1e-02
UEG 2017 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

O enunciado “metaboliza as forças vitais e as práticas da vida cotidiana com voracidade inaudita” (linha 2), usando termos da biologia para caracterizar a sociedade contemporânea, é construído a partir da seguinte figura de linguagem:

Leia com atenção o texto a seguir para responder à questão.


SIBILIA, Paula. O homem pós-orgânico: a alquimia dos corpos e das almas à luz das tecnologias digitais. 2. ed. Rio de Janeiro:
Contraponto, 2015. p. 34-36. (Adaptado). 
A
ironia
B
metáfora
C
metonímia
D
sinestesia
E
catacrese
2cae099e-06
UNICENTRO 2015 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a figura de linguagem expressa nos versos da canção.

Leia a canção e a charge a seguir e responda à questão.

Asa Branca

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Até mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chores não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Hoje longe muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro Não chores não, viu?
Que eu voltarei, viu meu coração.


(GONZAGA, L.; TEIXEIRA, H. Asa Branca. Disponível em: <http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.phd?titulo=Asa+Branca,+Luiz+Gonzaga+Teixeira&ltr=a&id_perso=7038>. Acesso em: 9 set. 2015.)

A
“Quando olhei a terra ardendo / Qual fogueira de São João” – Comparação.
B
“Que braseiro, que fornalha / Nem um pé de plantação” – Hipérbole.
C
“Então eu disse adeus Rosinha / Guarda contigo meu coração” – Prosopopeia.
D
“Espero a chuva cair de novo / Pra mim voltar pro meu sertão – Aliteração.
E
“Quando o verde dos teus olhos / Se espalhar na plantação” – Pleonasmo.
2cd80f1c-06
UNICENTRO 2015 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem, Vocativo e Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal, Diferença entre Adjunto Adnominal e Complemento Nominal, Adjunto Adverbial e Aposto, Sintaxe, Termos integrantes da oração: predicativo do sujeito e predicativo do objeto

Com base no texto, considere as afirmativas a seguir.

I. Em “Mattos explica que os anos de 1980 foram transformados pela computação, os 1990 pela Internet”, pode-se observar uma elipse da expressão sublinhada.
II. Em “as coisas ficarão cada vez mais ‘espertas’ e”, é possível perceber o uso de prosopopeia.
. Em “nós, humanos, somos apenas mais uma dessas coisas”, o termo sublinhado é um predicativo do sujeito.
IV. Em “Talvez, para um terráqueo das antigas, muito pode parecer roteiro de ficção científica”, o termo sublinhado é um adjunto adnominal.

Assinale a alternativa correta.

Leia o texto a seguir e responda à questão.

Internet é coisa do passado

Para especialista, humanos estarão cada vez mais integrados com tecnologia. Não, um futurista não é alguém que veio do futuro para nos prevenir a respeito do domínio das máquinas e o início de uma guerra sem fim. Muito pelo contrário, Tiago Mattos é multiempreendedor, educador, palestrante e formado pela Singularity University como futurista e seu trabalho é entender que tendências a tecnologia está seguindo. Para entrar no curso, o empreendedor gaúcho de 35 anos de idade foi avaliado com a capacidade de impactar um bilhão de pessoas em dez anos. De acordo com ele, a revolução da Internet já passou e, agora, o futuro aponta para uma integração cada vez maior entre homens e tecnologias. A Singularity University é uma iniciativa da NASA em parceria com o Google e tem como meta principal discutir e encontrar novos caminhos da cultura digital e pós-digital. “O pensamento humano é linear. Já o pensamento dos computadores funciona de acordo com uma lógica exponencial. A cada dezoito meses, mais ou menos, nossa capacidade duplica. Por isso, a velocidade da evolução é cada vez maior”, explica Mattos. Depois da Internet, segundo as discussões da Singularity, três novas revoluções em curso ditam as tendências do futuro próximo: genética/biotecnologia, nanotecnologia e robótica/inteligência artificial. Mattos explica que os anos de 1980 foram transformados pela computação, os 1990 pela Internet e os 2000/2010 viveram o advento dos sensores e da Internet das coisas, agora, o momento já é outro. As interações entre os objetos e os humanos devem se intensificar e se complexificar. “Este é um processo irreversível. Se já temos smartphone, SmarTVs... as coisas ficarão cada vez mais “espertas” e nós, humanos, somos apenas mais uma dessas coisas”, afirma Tiago.

As novas revoluções já começaram

Talvez, para um terráqueo das antigas, muito pode parecer roteiro de ficção científica, mas as três revoluções citadas por Mattos já estão a pleno vapor. Pesquisas para desenvolvimento de órgãos humanos com impressoras 3D, realidade aumentada para uso pedagógico em simulações de situações de risco e funções de dispositivos móveis capazes de monitorar condições médicas dos usuários ou acessar dados bancários remotamente são exemplos de como essas novas tecnologias já estão em nosso dia a dia. E, pelo visto, vem muito mais por aí.

(Adaptado de: RODRIGUES, Ennio. Internet é coisa do passado. Disponível em:<https://super.abril.com.br/tecnologia/internet-e-coisa-do-passado/> . Acesso em: 21 jul. 2015.) 
A
Somente as afirmativas I e II são corretas.
B
Somente as afirmativas I e IV são corretas.
C
Somente as afirmativas III e IV são corretas.
D
Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E
Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
6f8195fd-06
UNIFESP 2015 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

O eufemismo (do grego euphemismós, que significava “emprego de uma palavra favorável no lugar de uma de mau augúrio”, vocábulo formado de eu, “bem” + femi, “dizer, falar”, designando, pois, “o ato de falar de uma maneira agradável”) é a figura de retórica em que há uma diminuição da intensidade semântica, com a utilização de uma expressão atenuada para dizer alguma coisa desagradável.

(José Luiz Fiorin. Figuras de retórica, 2014. Adaptado.)

Verifica-se a ocorrência desse recurso no seguinte trecho:

Leia o trecho inicial de um artigo do livro Bilhões e bilhões do astrônomo e divulgador científico Carl Sagan (1934-1996) para responder à questão.

O tabuleiro de xadrez persa
    
  Segundo o modo como ouvi pela primeira vez a história, aconteceu na Pérsia antiga. Mas podia ter sido na Índia ou até na China. De qualquer forma, aconteceu há muito tempo. O grão-vizir, o principal conselheiro do rei, tinha inventado um novo jogo. Era jogado com peças móveis sobre um tabuleiro quadrado que consistia em 64 quadrados vermelhos e pretos. A peça mais importante era o rei. A segunda peça mais importante era o grão-vizir – exatamente o que se esperaria de um jogo inventado por um grão-vizir. O objetivo era capturar o rei inimigo e, por isso, o jogo era chamado, em persa, shahmat – shah para rei, mat para morto. Morte ao rei. Em russo, é ainda chamado shakhmat. Expressão que talvez transmita um remanescente sentimento revolucionário. Até em inglês, há um eco desse nome – o lance final é chamado checkmate (xeque-mate). O jogo, claro, é o xadrez. Ao longo do tempo, as peças, seus movimentos, as regras do jogo, tudo evoluiu. Por exemplo, já não existe um grão-vizir – que se metamorfoseou numa rainha, com poderes muito mais terríveis.
    A razão de um rei se deliciar com a invenção de um jogo chamado “Morte ao rei” é um mistério. Mas reza a história que ele ficou tão encantado que mandou o grão-vizir determinar sua própria recompensa por ter criado uma invenção tão magnífica. O grão-vizir tinha a resposta na ponta da língua: era um homem modesto, disse ao xá. Desejava apenas uma recompensa simples. Apontando as oito colunas e as oito filas de quadrados no tabuleiro que tinha inventado, pediu que lhe fosse dado um único grão de trigo no primeiro quadrado, o dobro dessa quantia no segundo, o dobro dessa quantia no terceiro e assim por diante, até que cada quadrado tivesse o seu complemento de trigo. Não, protestou o rei, era uma recompensa demasiado modesta para uma invenção tão importante. Ofereceu joias, dançarinas, palácios. Mas o grão-vizir, com os olhos apropriadamente baixos, recusou todas as ofertas. Só desejava pequenos montes de trigo. Assim, admirando-se secretamente da humildade e comedimento de seu conselheiro, o rei consentiu.
    No entanto, quando o mestre do Celeiro Real começou a contar os grãos, o rei se viu diante de uma surpresa desagradável. O número de grãos começa bem pequeno: 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024... mas quando se chega ao 64o quadrado, o número se torna colossal, esmagador. Na realidade, o número é quase 18,5 quintilhões*. Talvez o grão-vizir estivesse fazendo uma dieta rica em fibras.
    Quanto pesam 18,5 quintilhões de grãos de trigo? Se cada grão tivesse o tamanho de um milímetro, todos os grãos juntos pesariam cerca de 75 bilhões de toneladas métricas, o que é muito mais do que poderia ser armazenado nos celeiros do xá. Na verdade, esse número equivale a cerca de 150 anos da produção de trigo mundial no presente. O relato do que aconteceu a seguir não chegou até nós. Se o rei, inadimplente, culpando-se pela falta de atenção nos seus estudos de aritmética, entregou o reino ao vizir, ou se o último experimentou as aflições de um novo jogo chamado vizirmat, não temos o privilégio de saber.

*1 quintilhão = 1 000 000 000 000 000 000 = 1018. Para se contar esse número a partir de 0 (um número por segundo, dia e noite), seriam necessários 32 bilhões de anos (mais tempo do que a idade do universo).

(Carl Sagan. Bilhões e bilhões, 2008. Adaptado.)
A
“se o último experimentou as aflições de um novo jogo chamado vizirmat” (4º parágrafo).
B
“O número de grãos começa bem pequeno” (3º parágrafo).
C
“pediu que lhe fosse dado um único grão de trigo no primeiro quadrado” (2º parágrafo).
D
“De qualquer forma, aconteceu há muito tempo” (1º parágrafo).
E
“admirando-se secretamente da humildade e comedimento de seu conselheiro” (2º parágrafo).
6f8b4668-06
UNIFESP 2015 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

Uma das principais figuras exploradas por Camões em sua poesia é a antítese. Neste soneto, tal figura ocorre no verso:

Leia o soneto do poeta Luís Vaz de Camões (1525?-1580) para responder à questão.

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando-se com vê-la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assi negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida,

começa de servir outros sete anos,
dizendo: “Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida”.

(Luís Vaz de Camões. Sonetos, 2001.)
A
“mas não servia ao pai, servia a ela,”
B
“passava, contentando-se com vê-la;”
C
“para tão longo amor tão curta a vida.”
D
“porém o pai, usando de cautela,”
E
“lhe fora assi negada a sua pastora,”
6c5381b8-ff
URCA 2017 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

... e acabam estreitas que nem vielas; dão voltas, circuitos inúteis e parecem fugir ao alinhamento reto com um ódio tenaz e sagrado. No excerto acima a voz narrativa utiliza uma figura de linguagem denominada de:

ESPINHOS E FLORES


Os subúrbios do Rio de Janeiro são a mais curiosa cousa em matéria de edificação de cidade. A topografia do local, caprichosamente montuosa, influiu decerto para tal aspecto, mais influíram, porém, os azares das construções. Nada mais irregular, mais caprichoso, mais sem plano qualquer, pode ser imaginado. As casas surgiam como se fossem semeadas ao vento e, conforme as casas, as ruas se fizeram. Há algumas delas que começam largas como boulevards e acabam estreitas que nem vielas; dão voltas, circuitos inúteis e parecem fugir ao alinhamento reto com um ódio tenaz e sagrado. Às vezes se sucedem na mesma direção com uma frequência irritante, outras se afastam, e deixam de permeio um longo intervalo coeso e fechado de casas. Num trecho, há casas amontoadas umas sobre outras numa angústia de espaço desoladora, logo adiante um vasto campo abre ao nosso olhar uma ampla perspectiva.

Marcham assim ao acaso as edificações e conseguintemente o arruamento. Há casas de todos os gostos e construídas de todas as formas. Vai-se por uma rua a ver um correr de chalets, de porta e janela, parede de frontal, humildes e acanhados, de repente se nos depara uma casa burguesa, dessas de compoteiras na cimalha rendilhada, a se erguer sobre um porão alto com mezaninos gradeados. Passada essa surpresa, olha-se acolá e dá-se com uma choupana de pau-a-pique, coberta de zinco ou mesmo palha, em torno da qual formiga uma população; adiante, é uma velha casa de roça, com varanda e colunas de estilo pouco classificável, que parece vexada a querer ocultar-se, diante daquela onda de edifícios disparatados e novos. Não há nos nossos subúrbios cousa alguma que nos lembre os famosos das grandes cidades européias, com as suas vilas de ar repousado e satisfeito, as suas estradas e ruas macadamizadas e cuidadas, nem mesmo se encontram aqueles jardins, cuidadinhos, aparadinhos, penteados, porque os nossos, se os há, são em geral pobres, feios e desleixados.

Os cuidados municipais também são variáveis e caprichosos. Às vezes, nas ruas, há passeios em certas partes e outras não; algumas vias de comunicação são calçadas e outras da mesma importância estão ainda em estado de natureza. Encontra-se aqui um pontilhão bem cuidado sobre um rio seco e passos além temos que atravessar um ribeirão sobre uma pinguela de trilhos mal juntos. Há pelas ruas damas elegantes, com sedas e brocados, evitando a custo que a lama ou o pó lhes empane o brilho do vestido; há operário de tamancos; há peralvilhos à última moda; há mulheres de chita; e assim pela tarde, quando essa gente volta do trabalho ou do passeio, a mescla se faz numa mesma rua, num quarteirão, e quase sempre o mais bem posto não é que entra na melhor casa. Além disto, os subúrbios têm mais aspectos interessantes, sem falar no namoro epidêmico e no espiritismo endêmico; as casas de cômodos (quem as suporia lá!) constituem um deles bem inédito. Casas que mal dariam para uma pequena família, são divididas, subdivididas, e os minúsculos aposentos assim obtidos, alugados à população miserável da cidade. Aí, nesses caixotins humanos, é que se encontra a fauna menos observada da nossa vida, sobre a qual a miséria paira com um rigor londrino. Não se podem imaginar profissões mais tristes e mais inopinadas da gente que habita tais caixinhas. Além dos serventes de repartições, contínuos de escritórios, podemos deparar velhas fabricantes de rendas de bilros, compradores de garrafas vazias, castradores de gatos, cães e galos, mandingueiros, catadores de ervas medicinais, enfim, uma variedade de profissões miseráveis que as nossas pequena e grande burguesias não podem adivinhar. Às vezes, num cubículo desses se amontoa uma família, e há ocasiões em que os seus chefes vão a pé para a cidade por falta do níquel do trem. Ricardo Coração dos Outros morava em uma pobre casa de cômodos de um dos subúrbios. Não era das sórdidas, mas era uma casa de cômodos dos subúrbios. Desde anos que ele a habitava e gostava da casa que ficava trepada sobre uma colina, olhando da janela do seu quarto para uma ampla extensão edificada que ia da Piedade a Todos os Santos.

Vistos assim do alto, os subúrbios têm a sua graça. As casas pequeninas, pintadas de azul, de branco, de oca, engastadas nas comas verde-negras das mangueiras, tendo de permeio, aqui e ali, um coqueiro ou uma palmeira, alta e soberba, fazem a vista boa e a falta de percepção do desenho das ruas põe no programa um sabor de confusão democrática, de solidariedade perfeita entre as gentes que as habitavam; e o trem minúsculo, rápido, atravessa tudo aquilo, dobrando à esquerda, inclinando-se para a direita, muito flexível nas suas grandes vértebras de carros, como uma cobra entre pedrouços. Era daquela janela que Ricardo espraiava as suas alegrias, as suas satisfações, os seus triunfos e também os seus sofrimentos e mágoas. Ainda agora estava ele lá, debruçado no peitoril, com a mão em concha no queixo, colhendo com a vista uma grande parte daquela bela, grande e original cidade, capital de um grande país, de que ele a modos que era e se sentia ser, a alma, consubstanciado os seus tênues sonhos e desejos em versos discutíveis, mas que a plangência do violão, se não lhes dava sentido, dava um quê de balbucio, de queixume dorido da pátria criança ainda, ainda na sua formação... Em que pensava ele? Não pensava só, sofria também. Aquele tal preto continuava na sua mania de querer fazer a modinha dizer alguma cousa, e tinha adeptos. Alguns já o citavam como rival dele, Ricardo; outros já afirmavam que o tal rapaz deixava longe o Coração dos Outros, e alguns mais – ingratos! – já esqueciam os trabalhos, o tenaz trabalhar de Ricardo Coração dos Outros em prol do levantamento da modinha e do violão, e nem nomeavam o abnegado obreiro.


                                                                                                        

(Triste Fim de Policarpo Quaresma, pp.160­-165)

A
Zeugma;
B
Elipse;
C
Hipérbato;
D
Prosopopeia;
E
Hipérbole.
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ESPM 2019 - Português - Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem, Ortografia, Regência, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia, Sintaxe, Concordância verbal, Concordância nominal

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Observando o aviso acima, é possível constatar duas ocorrências linguísticas (uma ligada à transgressão gramatical e outra ligada à semântica). Essas ocorrências são respectivamente de:

A
concordância nominal e ambiguidade.
B
concordância verbal e ambiguidade.
C
flexão de gênero e polissemia.
D
ortografia e redundância.
E
regência verbal e léxico.