Questão 6c93c320-eb
Prova:CÁSPER LÍBERO 2009
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Coesão e coerência, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Assinale a alternativa correta quanto ao sentido, à coerência e à coesão.
Assinale a alternativa correta quanto ao sentido, à coerência e à coesão.
Leia o texto e responda à questão.
A maior estrela da Festa Literária Internacional de Paraty é uma figura anacrônica.
Se você não conhece o jornalista e escritor Gay Talese, pode chegar a essa conclusão
apenas pela observação de suas roupas e sua postura altiva. Está sol e faz calor em
Paraty, mas Gay Talese só anda de terno. (...) O homem consegue ser a referência,
mesmo para os que não sabem nada sobre sua importância. Ele passa, e todos olham.
Ler sobre Talese apenas aumenta a impressão de que ele não pertence ao mundo
atual. Ele foi um dos fundadores de uma maneira de reportar fatos chamada new
journalism (novo jornalismo). Nada mais é do que contar a realidade com o cuidado
e o talento de quem escreve um romance. Mesmo que o espaço seja um pequeno
artigo de jornal. Em seu perfil mais famoso, sobre o cantor Frank Sinatra, não falou
com o personagem principal. Observou-o durante uma noite inteira e ouviu todas as
pessoas comuns, anônimas, que o cercavam. Contou a história como quem descreve
uma cena. Como ficção.
Talese não entende a internet e abomina o fato de que jovens jornalistas achem
possível exercer a profissão diante da tela de um computador. “Quando eles querem
saber algo, perguntam ao Google. Estão comprometidos apenas com as perguntas
que fazem. Não se chocam acidentalmente com nada que estimule a pensar ou a
imaginar”, diz. Sua doutrina é quem escuta muito e pergunta pouco. “Em nossa
profissão, você não precisa fazer perguntas. Basta ir às ruas e olhar as pessoas. É aí que
você descobre a vida como ela realmente é”, afirma. Para isso precisamos de tempo. E
a internet não tem tempo a perder.(...)
A cidade de Paraty olha para Gay Talese com espanto. Mas o ponto de vista dele,
de dentro de seu terno com corte fino, embaixo de seu chapéu, é de quem acha que
o mundo é que está diferente do que deveria ser. Em nenhum momento ele se sente
estranho, ou fora de moda, principalmente quando fala de sua maior paixão: escrever
sobre a realidade. (Época, 6/7/2009).
Leia o texto e responda à questão.
A maior estrela da Festa Literária Internacional de Paraty é uma figura anacrônica.
Se você não conhece o jornalista e escritor Gay Talese, pode chegar a essa conclusão
apenas pela observação de suas roupas e sua postura altiva. Está sol e faz calor em
Paraty, mas Gay Talese só anda de terno. (...) O homem consegue ser a referência,
mesmo para os que não sabem nada sobre sua importância. Ele passa, e todos olham.
Ler sobre Talese apenas aumenta a impressão de que ele não pertence ao mundo
atual. Ele foi um dos fundadores de uma maneira de reportar fatos chamada new
journalism (novo jornalismo). Nada mais é do que contar a realidade com o cuidado
e o talento de quem escreve um romance. Mesmo que o espaço seja um pequeno
artigo de jornal. Em seu perfil mais famoso, sobre o cantor Frank Sinatra, não falou
com o personagem principal. Observou-o durante uma noite inteira e ouviu todas as
pessoas comuns, anônimas, que o cercavam. Contou a história como quem descreve
uma cena. Como ficção.
Talese não entende a internet e abomina o fato de que jovens jornalistas achem
possível exercer a profissão diante da tela de um computador. “Quando eles querem
saber algo, perguntam ao Google. Estão comprometidos apenas com as perguntas
que fazem. Não se chocam acidentalmente com nada que estimule a pensar ou a
imaginar”, diz. Sua doutrina é quem escuta muito e pergunta pouco. “Em nossa
profissão, você não precisa fazer perguntas. Basta ir às ruas e olhar as pessoas. É aí que
você descobre a vida como ela realmente é”, afirma. Para isso precisamos de tempo. E
a internet não tem tempo a perder.(...)
A cidade de Paraty olha para Gay Talese com espanto. Mas o ponto de vista dele,
de dentro de seu terno com corte fino, embaixo de seu chapéu, é de quem acha que
o mundo é que está diferente do que deveria ser. Em nenhum momento ele se sente
estranho, ou fora de moda, principalmente quando fala de sua maior paixão: escrever
sobre a realidade. (Época, 6/7/2009).
A
Talese consegue ser uma referência sobretudo pela maneira exótica de se vestir, mas o que o
caracteriza é, sem dúvida, o cuidado na apuração dos fatos, sendo que não se deixa trair pela
imaginação, nem pelo senso de realidade.
B
Para Talese, a melhor maneira de se construir a matéria jornalística consiste em observar
a realidade e imprimir-lhe certa dose de imaginação, técnica que não deve contar com a
interferência da internet.
C
Não que Talese não aceite a contribuição da internet, também ele supõe que, indo às ruas,
o jornalista pode ampliar mais as informações sobre a matéria da qual se ocupa e que
certamente muito terá a ganhar com a contribuição das pessoas.
D
Como um dos fundadores do novo jornalismo, Talese está convicto do impulso que a
tecnologia poderá dar aos novos profissionais; portanto, instiga-os também a sair às ruas
para colher a melhor informação sobre o assunto a ser pesquisado.
E
Mesmo aos 77 anos, Talese está afinado com todos os avanços que a tecnologia imprimiu à
comunicação e, se é possível hoje elaborar matéria jornalística de qualidade, sempre se pode
dizer que é por causa dela que a imprensa evoluiu.
Gabarito comentado
B
Bruno MendesMonitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a preservação simultânea dos dois eixos de sentido do texto: o new journalism como modo de “contar a realidade com o cuidado e o talento de quem escreve um romance” e a recusa de Talese à mediação da internet no trabalho jornalístico, conforme “Basta ir às ruas e olhar as pessoas” e “E a internet não tem tempo a perder.” Por isso, a alternativa correta é a B, única que mantém esse núcleo semântico.
Tema central: paráfrase fiel
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa é infiel ao texto em dois pontos. Primeiro, desloca o centro da relevância de Talese para sua maneira de vestir, quando o texto apenas diz que a roupa e a postura permitem uma impressão inicial de figura anacrônica; sua importância decorre de sua trajetória e de seu modo de fazer jornalismo. Segundo, a formulação “não se deixa trair pela imaginação, nem pelo senso de realidade” é semanticamente inadequada ao texto, que associa sua escrita ao romance e à descrição “como ficção”, sem opor imaginação e realidade nesses termos.
B
Certa
A alternativa B recompõe com fidelidade o sentido do texto em seus dois núcleos: o método de Talese parte da observação da realidade e da escuta do mundo concreto, e sua escrita dá forma narrativa aos fatos reais, em linha com a definição de new journalism como modo de “contar a realidade com o cuidado e o talento de quem escreve um romance”. Além disso, a alternativa mantém a oposição à internet, coerente com a afirmação de que Talese “não entende a internet” e “abomina” o jornalismo exercido diante do computador. A expressão sobre imaginação só se sustenta aqui como elaboração narrativa da realidade, não como invenção de fatos.
C
Errada
A alternativa contradiz diretamente o texto ao afirmar que Talese aceita a contribuição da internet. O texto diz expressamente que ele “não entende a internet” e “abomina” a ideia de exercer a profissão diante da tela de um computador. Também acrescenta, sem base textual, que essa contribuição faria o jornalista ganhar mais informações e teria ganho certo com as pessoas.
D
Errada
A alternativa inverte o posicionamento de Talese sobre tecnologia. Em vez de estar “convicto do impulso que a tecnologia poderá dar aos novos profissionais”, ele é apresentado como crítico da centralidade da internet no jornalismo. No texto, sair às ruas não complementa uma confiança na tecnologia; funciona como oposição a ela.
E
Errada
A alternativa é incompatível com o texto em toda a sua formulação. Afirma que Talese está afinado com os avanços tecnológicos, mas o texto afirma o contrário: ele “não entende a internet”. Também atribui à tecnologia a qualidade da matéria jornalística e a evolução da imprensa, ideias que não aparecem no texto e ainda contrariam a perspectiva defendida por Talese.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar o uso de recursos narrativos próximos ao romance como invenção de fatos e supor que observação direta da realidade seja compatível, no texto, com aceitação da internet, quando Talese constrói oposição explícita a essa mediação.
Dica para questões semelhantes
- Em questões de paráfrase, confirme se a alternativa preserva simultaneamente todos os eixos centrais do texto, e não apenas um deles.
- Quando o texto traz posicionamento explícito do autor ou personagem, elimine alternativas que atenuem, invertam ou modernizem essa posição.
- Se houver aproximação entre jornalismo e ficção, verifique se o texto fala em forma narrativa da realidade ou em invenção factual; não são a mesma coisa.






