Questão 6c78d0a1-eb
Prova:CÁSPER LÍBERO 2009
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Assinale a alternativa correta sobre os versos de “Carta a Stalingrado”, poema que
integra A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade, apresentados a seguir.
“A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.”
Assinale a alternativa correta sobre os versos de “Carta a Stalingrado”, poema que
integra A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade, apresentados a seguir.
“A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.”
A
Escritos para celebrar o fim da Segunda Guerra, os versos tratam de uma área geográfica
ambígua e utópica, a província e o mundo, que oscila entre o privado e o público, e que
servirá de lastro para definir a força e o valor do Brasil no contexto das nações.
B
Os versos retratam o engajamento de Drummond, pelo viés ideológico-político, com as lutas
revolucionárias no Brasil e no mundo afora, aludindo alegoricamente à adesão do poeta ao
Partido Comunista Brasileiro.
C
Os versos prestam uma homenagem à memória de Josef Stalin, lançando questões relevantes
para se discutir o papel político da palavra poética e o valor estratégico da imaginação num
mundo que se queria em paz.
D
Retratando o ambiente nacional tomado pela covardia e a demência, bem como o ambiente
internacional tomado por irmãos inimigos e sanguinários, os versos rejeitam a palavra poética
tradicional, celebrando, em seu lugar, a força dos meios de comunicação.
E
Escritos durante a Segunda Guerra, os versos falam que os poemas épicos de então estão
sendo escritos pelo povo europeu em guerra contra o nazi-fascismo, enquanto os brasileiros
afundavam na retórica do Estado Novo e no desconhecimento de um mundo novo que surgia.
Gabarito comentado
A
Andréia Farias Monitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: O elemento decisivo é a oposição, no próprio trecho, entre a poesia tradicional (“livros”) e a poesia ligada ao acontecimento histórico presente (“jornais” e “telegramas de Moscou”), com a conclusão de que o “nós” está “na escuridão” e “ignorávamos” esse “mundo novo”. Esse núcleo semântico é o que permite a alternativa E e invalida leituras que atribuem ao excerto homenagens pessoais, adesão partidária ou exaltação autônoma da mídia.
Tema central: épica do presente
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por introduzir elementos que o trecho não autoriza: “celebrar o fim da Segunda Guerra”, “província e o mundo” e “definir a força e o valor do Brasil no contexto das nações”. Nada disso aparece nos versos citados. O excerto fala da passagem da poesia para os fatos históricos noticiados e da ignorância do “nós”, não de exaltação do Brasil nem do encerramento da guerra.
B
Errada
A alternativa extrapola ao transformar a dimensão político-histórica do trecho em prova de “adesão do poeta ao Partido Comunista Brasileiro”. A menção a “telegramas de Moscou” e a “mundo novo” autoriza leitura histórica e ideológica ampla, mas não comprova filiação ou adesão partidária explícita. O erro é de inferência indevida.
C
Errada
A alternativa troca o referente do poema: os versos não prestam homenagem à memória de Josef Stalin. A base é expressa ao apontar erro de referente histórico-discursivo nessa leitura. Além disso, o trecho não fala de um mundo que “se queria em paz”, mas de um “mundo novo” surgindo no interior da guerra. Há mudança indevida de foco e de sentido.
D
Errada
A alternativa distorce o núcleo semântico do excerto. Quando o poema diz que a poesia está “nos jornais” e que os “telegramas” repetem Homero, não celebra os meios de comunicação em si, mas a grandeza histórica dos acontecimentos que eles veiculam. Também acrescenta conteúdos ausentes do trecho, como “covardia e demência” e “irmãos inimigos e sanguinários”. O erro está na reinterpretação infiel do valor de “jornais” e “telegramas”.
E
Certa
A alternativa E se sustenta porque lê corretamente três marcas centrais do excerto: a transferência da poesia para o presente histórico em “agora está nos jornais”, a atualização da épica em “Os telegramas de Moscou repetem Homero” e “Os telegramas cantam um mundo novo”, e a autocrítica do sujeito coletivo em “que nós, na escuridão, ignorávamos”. Assim, a alternativa acerta ao entender que, durante a Segunda Guerra, a grande matéria poética está nos fatos da guerra e que o “nós” brasileiro aparece afastado desse mundo novo. A formulação sobre nazi-fascismo, povo europeu em guerra, Estado Novo e desconhecimento brasileiro é uma contextualização histórico-discursiva compatível com o trecho e com seu horizonte de produção.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre elogio da imprensa e valorização da matéria histórica transmitida por jornais e telegramas, além da tendência de ler “Stalingrado” como homenagem pessoal a Stalin. O trecho não exalta a mídia em si nem autoriza essa personalização.
Dica para questões semelhantes
- Identifique quem recebe o valor principal no verso: aqui, não são os jornais como meio, mas os fatos históricos que eles narram.
- Quando houver referência cultural como “Homero”, observe sua função no trecho: aqui, ela serve para atualizar a épica no presente, não para ornamentação erudita.
- Dê peso às adversativas e aos fechos avaliativos: “Mas Homero é velho” e “nós, na escuridão, ignorávamos” orientam decisivamente a interpretação.
- Elimine alternativas que acrescentem dados históricos ou biográficos não sustentados pelo excerto, mesmo que pareçam plausíveis no contexto da obra.






