Leia os poemas do escritor tocantinense Giordano Maçaranduba para responder a QUESTÃO .
Pensatorto (1)Comprou, vendeuVendeu, comprouComprou e vendeuVendeu e comprouTrocou o remédioE morreu.
Pensatorto (2)Era um cara assustadoAssustado era o caraFicou corajosoSe meteu numa brigaE morreu.
Pensatorto (3)Contador era
Mas histórias não sabia nenhumaUm dia descobriu uma históriaNunca mais foi contador.
Fonte: MAÇARANDUBA, Giordano. Todoeu. Goiânia: Trilhas Urbanas, 2008, p.58-60.
Nos poemas, nota-se um uso repetitivo das mesmas palavras,
dos tempos verbais e das estruturas frasais que vão sendo
reestruturadas.
Considerando a leitura dos três poemas Pensatorto, é
CORRETO afirmar que tais recursos poéticos produzem um
sentido de
Gabarito comentado
Tema central: Interpretação de textos literários e uso de figuras de linguagem (anáfora, paralelismo), com foco nos efeitos de sentido produzidos pela repetição e reestruturação de frases.
Para resolver essa questão, é necessário analisar como a estrutura repetitiva dos poemas contribui para a construção do significado. Os versos utilizam anáfora (repetição de palavras) e paralelismo (estruturas sintáticas semelhantes), recursos que, segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, reforçam e evidenciam ideias, conduzindo o leitor ao núcleo de sentido da obra.
Em todos os poemas, há um processo de mudança nos personagens: o sujeito realiza ações sucessivas e termina em uma situação diferente da inicial—seja pela morte ou pela mudança de função. Assim, o sentido central não é de repetição ou retorno à estaca zero, mas sim de transformação provocada pelas "trocas" realizadas no correr do poema.
Justificativa da alternativa correta (D): “transformação dos sujeitos que, nas trocas, se tornam diferentes do que eram.”
A alternativa destaca justamente o foco principal dos poemas: cada personagem, ao tomar uma decisão ou realizar uma troca, torna-se alguém diferente, e essa transformação é definitiva. Isso é explícito, por exemplo, quando o contador deixa de ser contador porque agora conhece uma história—não há retorno ao estado inicial.
Análise das alternativas incorretas:
A) “alteração de contador para não mais contador.”
Restrita ao terceiro poema e não representa o que ocorre nos demais. Não abrange o sentido dos processos de transformação dos outros sujeitos.
B) “morte dos sujeitos pela troca do remédio e da valentia.”
Limita-se aos dois primeiros poemas, deixando o terceiro de fora. Além disso, foca apenas no desfecho, não no processo de mudança.
C) “permanência dos sujeitos que, depois das trocas, voltam ao estado anterior.”
Incorrecta, pois, em nenhum poema, os sujeitos retornam ao ponto inicial—há sempre uma transformação permanente.
Estratégia para questões semelhantes: Ao ler poemas ou textos literários, observe palavras-chaves, conectivos, ordem das frases e consequências das ações. Busque identificar processos de mudança, permanência ou repetição, sempre atentos ao desfecho do texto.
Como afirmam Bechara e Fiorin, a repetição na literatura costuma ressaltar trajetórias e mudanças cruciais.
Alternativa correta: D.
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