Minha língua, minha pátria
Estudante de Letras da UFSCar, o indígena Luciano Ariabo Quezo, decidiu escrever um livro didático
para evitar o desaparecimento da língua que era falada em sua aldeia, o umutina-balatiponé.
A cada dia, o estudante Luciano Ariabo Quezo, 25, percebia que a língua portuguesa ocupava mais
espaço na aldeia indígena onde nasceu e “engolia” sua língua materna, o umutina-balatiponé.
Preocupado com a situação, especialmente após a morte de um ancião – um dos poucos que só
falava o idioma nativo –, ele resolveu escrever um livro bilíngue para tentar evitar o desaparecimento
da língua de sua família.
Quezo é natural de uma reserva indígena de Barra do Bugres (MT), onde cerca de 600 pessoas falam
o idioma.
Aluno do último ano do curso de Letras da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), em São
Carlos, no interior paulista, ele trabalha no tema desde 2012, quando obteve uma bolsa da Fapesp
(Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para sua pesquisa.
Só existem duas escolas indígenas no território umutina e, segundo ele, aprender a língua
dependia do interesse individual. Após a morte do ancião, diz, não há mais idosos que dominem
completamente a língua e nem todos os jovens a conhecem.
Um esboço do projeto foi lançado em 2013, com 40 páginas e 180 exemplares, para ser testado e
aprovado pela comunidade.
“Língua e Cultura Indígena Umutina no Ensino Fundamental” é destinado a alunos das séries iniciais
das escolas de sua aldeia. Um irmão de Quezo trabalha em uma delas e utiliza o material com os
estudantes.
TOLEDO, Marcelo. “Minha língua, minha pátria”. Folha de São Paulo, 15 abr. 2015. Cotidiano.
Pode-se depreender, a partir da leitura do texto acima, que sua intencionalidade discursiva é:
Gabarito comentado
Tema central: Esta questão exige interpretação de texto, mais especificamente a habilidade de identificar a intencionalidade discursiva — ou seja, o propósito comunicativo do autor ao relatar a experiência do indígena Luciano Ariabo Quezo.
Alternativa correta: D
Justificativa: O texto evidencia de forma clara a ação de Luciano ao criar um livro didático bilíngue, buscando preservar sua língua materna e sua história familiar. O objetivo não é analisar contextos ou justificar perdas, mas relatar e valorizar uma iniciativa concreta de resistência cultural e linguística.
Como identificar isso? Observe as palavras e expressões do texto ligadas à ação, como “escrever um livro didático”, “para evitar o desaparecimento da língua”, “projeto foi lançado”, “destinado a alunos das séries iniciais”. Todas reforçam a ideia de preservação ativa, não análise abstrata nem confronto cultural.
Por que as outras alternativas estão incorretas?
A) “Analisar o posicionamento de um indígena...” – O texto não apresenta uma análise, mas sim a descrição de uma atitude. Foco na ação, não no posicionamento.
B) “Confrontar aspectos culturais...” – Não há confronto entre culturas nem menção à superioridade de uma sobre a outra. O texto valoriza a autonomia indígena, não um embate.
C) “Justificar a perda de espaço linguístico...” – Apesar de reconhecer o risco de esquecimento do idioma indígena, o texto não busca justificar, mas combater essa perda com uma solução concreta.
Estratégia de prova: Sempre que a questão pedir a intenção do texto, procure verbos de ação concreta (destacar, evidenciar, propor, relatar) e evite interpretações que ampliem excessivamente a discussão do autor. Em vestibulares, gabarite com confiança: localize no texto palavras-chave ligadas ao objetivo enunciado!
Referências: Fundamentação encontra respaldo em Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), Koch e Elias (Ler e Compreender: os sentidos do texto) sobre intencionalidade e leitura eficaz.
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