Questão 637028da-60
Prova:UFLA 2008
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Com relação à leitura do conto “Uma doença” da obra “Paraísos artificiais”, de Paulo Henriques Britto, marque a alternativa CORRETA.
Com relação à leitura do conto “Uma doença” da obra “Paraísos artificiais”, de Paulo Henriques Britto, marque a alternativa CORRETA.
A
O ato da escrita de um relato e de uma descrição, dispondo de dados que, “à primeira vista”, se resumem à cama, mesa-de-cabeceira e paredes nuas, constitui tarefa impossível.
B
A conclusão de que o movimento da rachadura do teto era determinado pelo estado melhor ou pior do corpo doente é inquestionável para o narrador.
C
A situação de imobilidade em que se encontra o narrador-personagem concorre para proporcionar uma inter-relação entre ele e os elementos inanimados do ambiente.
D
O fato de o doente desenhar mapas que representam toda a superfície vista no quarto caracteriza-o como um especialista em geografia.
Gabarito comentado
F
Flavio Rocha Monitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a inferência textual sobre a imobilidade do narrador-personagem e sua relação perceptiva com os elementos do quarto: o confinamento físico reduz o campo de ação e amplia a atenção aos objetos e ao espaço reduzido. Por isso, a alternativa C é a que preserva essa relação de sentido sem absolutização indevida nem extrapolação.
Tema central: imobilidade e percepção
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por absolutização indevida. Ela afirma que escrever um relato ou uma descrição a partir de cama, mesa-de-cabeceira e paredes nuas seria tarefa impossível. A base aponta o contrário: a escassez de elementos do quarto não impede a narração; ela é justamente explorada discursivamente e se torna matéria do relato. O erro está em converter ambiente restrito em impossibilidade narrativa.
B
Errada
A alternativa erra no valor semântico da afirmação. Ela transforma em conclusão inquestionável uma relação que o conto apresenta como percepção subjetiva do narrador. Quando a rachadura do teto parece responder ao estado do doente, isso sinaliza uma leitura psicológica da experiência, não uma verdade objetiva e comprovada do enredo. O erro está em tomar impressão subjetiva como fato indiscutível.
C
Certa
A alternativa C está correta porque traduz a consequência central da situação narrada: o confinamento físico do narrador reduz seu campo de ação e amplia sua ligação perceptiva com o espaço e com os elementos inanimados do quarto. O conto constrói essa relação pela focalização do narrador nos objetos e superfícies do ambiente, de modo que a imobilidade passa a produzir uma interação de ordem imaginativa, perceptiva e narrativa, não uma relação física literal.
D
Errada
A alternativa erra por extrapolação sem apoio textual. O fato de o doente desenhar mapas ou organizar visualmente a superfície do quarto caracteriza uma estratégia de observação e ocupação mental do espaço durante o confinamento. Isso não autoriza concluir que ele seja especialista em geografia. O erro está em transformar uma prática circunstancial em qualificação técnica ou profissional.
Pegadinha da questão
A banca explora três confusões reais: ler como certeza objetiva o que o texto constrói como percepção subjetiva, aceitar termos absolutos como "impossível" e "inquestionável" sem apoio textual e extrapolar uma ação circunstancial do personagem para uma identidade técnica.
Dica para questões semelhantes
- Desconfie de alternativas com palavras absolutas quando o texto trabalha percepção, hipótese ou experiência subjetiva.
- Separe fato do enredo de leitura do narrador: nem toda associação feita por ele vale como verdade objetiva.
- Não transforme um gesto isolado do personagem em profissão, especialidade ou traço técnico sem base textual explícita.






