Considere as afirmativas abaixo sobre os aspectos
formais do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília
Meireles:
I. Apegada ao estilo simbolista, do qual nunca se
afastou, a autora escreve no livro apenas
sonetos de temática amorosa ambientada no
contexto da proclamação da República no Brasil.
II. Encarnando até as últimas consequências o
espírito da neovanguarda dos anos 1950, a
autora escreve no livro uma série de poemas
concretos sobre a história do Brasil, colocando
como centro da luta pela liberdade assumida
pelo movimento abolicionista.
III. Embora se abra a uma variedade de metros
poéticos, predominam no texto as redondilhas
maiores (de sete sílabas) e as redondilhas
menores (de cinco sílabas). Isso demonstra o
apego da autora à tradição e, ao mesmo tempo,
a busca por exprimir vivacidade e musicalidade
que, segundo os teóricos, são alcançados de
modo mais pleno nesse tipo de métrica.
IV. Composto de “romances”, tomados como
narrativas de tom lírico, o romanceiro é uma
referência à tradição poética medieval, para a
qual o termo romance tinha um sentido diferente
do atual. Primordialmente, havia romances que
não eram escritos em prosa. Essa ligação com o
passado hibrido – narrativo e lírico – da forma
romance é trabalhada esteticamente nos textos
do livro, que contam uma ação, mas com
elementos poéticos.
É correto o que se afirma SOMENTE em:
Considere as afirmativas abaixo sobre os aspectos formais do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles:
I. Apegada ao estilo simbolista, do qual nunca se afastou, a autora escreve no livro apenas sonetos de temática amorosa ambientada no contexto da proclamação da República no Brasil.
II. Encarnando até as últimas consequências o espírito da neovanguarda dos anos 1950, a autora escreve no livro uma série de poemas concretos sobre a história do Brasil, colocando como centro da luta pela liberdade assumida pelo movimento abolicionista.
III. Embora se abra a uma variedade de metros poéticos, predominam no texto as redondilhas maiores (de sete sílabas) e as redondilhas menores (de cinco sílabas). Isso demonstra o apego da autora à tradição e, ao mesmo tempo, a busca por exprimir vivacidade e musicalidade que, segundo os teóricos, são alcançados de modo mais pleno nesse tipo de métrica.
IV. Composto de “romances”, tomados como narrativas de tom lírico, o romanceiro é uma referência à tradição poética medieval, para a qual o termo romance tinha um sentido diferente do atual. Primordialmente, havia romances que não eram escritos em prosa. Essa ligação com o passado hibrido – narrativo e lírico – da forma romance é trabalhada esteticamente nos textos do livro, que contam uma ação, mas com elementos poéticos.
É correto o que se afirma SOMENTE em:
Gabarito comentado
Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é confrontar cada afirmativa com a caracterização formal e histórico-literária efetiva de Romanceiro da Inconfidência: a obra se liga à Inconfidência Mineira, retoma a tradição do romanceiro, articula narratividade e lirismo e apresenta uso relevante de redondilhas; por isso, III e IV se sustentam, enquanto I e II caem por atribuírem à obra traços incompatíveis, como “apenas sonetos”, temática amorosa, proclamação da República, “poemas concretos” e centralidade do movimento abolicionista.
- Verifique se a afirmativa respeita o eixo histórico específico da obra; aqui, o centro é a Inconfidência Mineira, não República nem abolicionismo.
- Desconfie de marcas excessivas como “apenas”, “nunca” e classificações muito fechadas quando a obra tem caracterização formal mais complexa.
- Em literatura, confirme se o rótulo estético combina com a forma do texto; retomada tradicional de romanceiro não se confunde com poesia concreta.
- Quando aparecer o termo “romance” ou “romanceiro”, cheque o sentido histórico-literário, não apenas o uso moderno de narrativa longa em prosa.






