Questão 50bd9fee-77
Prova:PUC - PR 2012
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Considere as afirmativas abaixo sobre os aspectos formais do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles:

I. Apegada ao estilo simbolista, do qual nunca se afastou, a autora escreve no livro apenas sonetos de temática amorosa ambientada no contexto da proclamação da República no Brasil.

II. Encarnando até as últimas consequências o espírito da neovanguarda dos anos 1950, a autora escreve no livro uma série de poemas concretos sobre a história do Brasil, colocando como centro da luta pela liberdade assumida pelo movimento abolicionista.

III. Embora se abra a uma variedade de metros poéticos, predominam no texto as redondilhas maiores (de sete sílabas) e as redondilhas menores (de cinco sílabas). Isso demonstra o apego da autora à tradição e, ao mesmo tempo, a busca por exprimir vivacidade e musicalidade que, segundo os teóricos, são alcançados de modo mais pleno nesse tipo de métrica.

IV. Composto de “romances”, tomados como narrativas de tom lírico, o romanceiro é uma referência à tradição poética medieval, para a qual o termo romance tinha um sentido diferente do atual. Primordialmente, havia romances que não eram escritos em prosa. Essa ligação com o passado hibrido – narrativo e lírico – da forma romance é trabalhada esteticamente nos textos do livro, que contam uma ação, mas com elementos poéticos.

É correto o que se afirma SOMENTE em:

A
III.
B
II, III e IV.
C
II e III.
D
III e IV.
E
I, II e III.

Gabarito comentado

F
Fernanda LimaMonitor com apoio de IA

Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é confrontar cada afirmativa com a caracterização formal e histórico-literária efetiva de Romanceiro da Inconfidência: a obra se liga à Inconfidência Mineira, retoma a tradição do romanceiro, articula narratividade e lirismo e apresenta uso relevante de redondilhas; por isso, III e IV se sustentam, enquanto I e II caem por atribuírem à obra traços incompatíveis, como “apenas sonetos”, temática amorosa, proclamação da República, “poemas concretos” e centralidade do movimento abolicionista.

Tema central: aspectos formais da obra
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque admite apenas a III e exclui a IV. Essa exclusão é indevida, já que a IV descreve corretamente a obra como ligada à tradição do romanceiro e como forma narrativa-lírica. O erro aqui é de reconhecimento do gênero literário implicado no título e na composição do livro.
B
Errada
Está errada porque inclui a II. A II falseia a filiação estética e o eixo histórico da obra ao chamá-la de neovanguarda dos anos 1950, de poesia concreta e ao deslocar o centro para o movimento abolicionista. Esses elementos são incompatíveis com a caracterização efetiva de Romanceiro da Inconfidência.
C
Errada
Está errada por dois motivos objetivos: inclui a II, que é incompatível com a obra, e exclui a IV, que está correta. A falha decisiva é aceitar uma caracterização estético-histórica indevida e rejeitar um traço formal legítimo do romanceiro.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne exatamente as duas afirmativas compatíveis com a obra. A III reconhece um traço formal aceito pela base: há variedade métrica, com predominância de redondilhas, o que se ajusta à retomada de formas tradicionais e à musicalidade do romanceiro. A IV também está correta porque identifica adequadamente o sentido tradicional de “romances” e o vínculo da obra com o romanceiro medieval, isto é, uma forma híbrida em que há narração com elaboração lírica.
E
Errada
Está errada porque inclui I e II, ambas incorretas. A I erra ao dizer que a obra é feita apenas de sonetos amorosos e ao situá-la na proclamação da República, além de simplificar indevidamente a poética da autora como apego permanente ao simbolismo. A II erra ao associar a obra à poesia concreta, à neovanguarda e ao abolicionismo. Como há erros objetivos nas duas afirmativas, a alternativa deve ser eliminada.
Pegadinha da questão
A banca mistura referências historicamente e formalmente incompatíveis com a obra — proclamação da República, abolicionismo, poesia concreta, neovanguarda — para confundir quem reconhece apenas de modo genérico que o livro trata da história do Brasil; além disso, explora a confusão entre “romanceiro” e o sentido moderno de romance em prosa.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a afirmativa respeita o eixo histórico específico da obra; aqui, o centro é a Inconfidência Mineira, não República nem abolicionismo.
  • Desconfie de marcas excessivas como “apenas”, “nunca” e classificações muito fechadas quando a obra tem caracterização formal mais complexa.
  • Em literatura, confirme se o rótulo estético combina com a forma do texto; retomada tradicional de romanceiro não se confunde com poesia concreta.
  • Quando aparecer o termo “romance” ou “romanceiro”, cheque o sentido histórico-literário, não apenas o uso moderno de narrativa longa em prosa.

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