A alternativa que expressa a mensagem central desse
texto é:
A questão toma por base o texto a
seguir, de Carlos Drummond de Andrade.
Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. 47
ed. Rio de
Janeiro: Record, 2001.
Vocabulário:
Elegia – Poema lírico, cujo tom é quase sempre terno e
triste.
A questão toma por base o texto a
seguir, de Carlos Drummond de Andrade.
Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo. Praticas laboriosamente os gestos universais, sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas, e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção. À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer. Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito. A literatura estragou tuas melhores horas de amor. Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva. Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. 47
ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.
Vocabulário:
Elegia – Poema lírico, cujo tom é quase sempre terno e triste.
Gabarito comentado
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a progressão temática do poema, construída por imagens de mecanização, desumanização, impotência individual e adiamento da transformação social: "Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, / onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo. [...] Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina [...] Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota / e adiar para outro século a felicidade coletiva. [...] Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição / porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan." A alternativa correta deve condensar essa mensagem global sem extrapolar o texto.
- Procure os campos semânticos que se repetem no texto; aqui, eles são mecanização, derrota subjetiva e impotência social.
- Dê peso máximo aos versos que explicitam consequência temática, como "adiar para outro século a felicidade coletiva".
- Elimine alternativas que tragam tese externa não textualizada, mesmo que pareçam plausíveis no debate social em geral.
- Quando um termo puder ter leitura positiva ou negativa, defina seu valor pelo contexto; "Grande Máquina" aqui tem sentido opressivo.






