Questão 41e73377-0e
Prova:UEMG 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Lisbela e o Prisioneiro é uma obra que, por ser escrita para o teatro e retratar personagens populares típicos da Região Nordeste, apresenta um aproveitamento literário recorrente dos modos de falar, muitas vezes diferindo do que prescreve a norma culta.
Entre os trechos transcritos a seguir, isso só NÃO se observa em:
Lisbela e o Prisioneiro é uma obra que, por ser escrita para o teatro e retratar personagens populares típicos da Região Nordeste, apresenta um aproveitamento literário recorrente dos modos de falar, muitas vezes diferindo do que prescreve a norma culta.
Entre os trechos transcritos a seguir, isso só NÃO se observa em:
Entre os trechos transcritos a seguir, isso só NÃO se observa em:
A
“Tenho passado a minha vida toda (...), tratando todo mundo bem, sem fazer mal a uma mosca, nem carne eu como ...”
B
“ Liás, cabra safado não serve pra morrer, só serve pra apanhar. E apanhar entre os bicos do peito e o caroço do imbigo que é pra não deixar marcas da surra.”
C
“Pois voincê agora me tirou um peso de cima. Ô homem dum juízo escanzinado. Por que é que voincê não assume essa delegacia?”
D
“Não adianta, rapaz. Tenente Guedes Lima não está aqui, de modo que de maneiras tais, você está perdendo o seu latim.”
Gabarito comentado
Q
Qesia Nunes Monitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo está no comando — “Entre os trechos transcritos a seguir, isso só NÃO se observa em:” —, que pede a única alternativa sem marcas perceptíveis de fala popular/regional. Pela base, A não traz traços evidentes de oralidade popular estilizada, ao contrário de B e C; em D, a marca é mais discutível e menos nítida, razão pela qual a exceção permanece sendo A.
Tema central: variação linguística
Análise das alternativas
A
Certa
A está correta porque seu enunciado é compatível com uso corrente sem marcas linguísticas inequívocas de fala popular/regional estilizada. Há alguma naturalidade coloquial, mas isso não basta para caracterizar o tipo de exploração do falar popular mencionado no comando. Diferentemente das demais, A não traz formas como variantes fonéticas, contrações marcadas ou construções expressivamente popularizadas.
B
Errada
Está errada como resposta porque o trecho apresenta justamente marcas explícitas de fala popular/regional: “Liás”, “pra” e “imbigo”. Essas formas materializam o aproveitamento literário do falar popular referido no enunciado, então B não pode ser a alternativa em que isso não se observa.
C
Errada
Está errada como resposta porque há marcas claras de oralidade popular estilizada em “voincê” e “dum”. Além disso, “Ô homem” reforça a encenação de fala regional/popular. Portanto, o trecho se enquadra no fenômeno cobrado, e não na exceção.
D
Errada
Está errada como resposta porque a base indica que a sequência “de modo que de maneiras tais” é uma formulação marcada e estilizada. Embora a evidência seja menos nítida do que em B e C, o trecho não é neutro no padrão culto e participa do aproveitamento literário da oralidade mencionado no comando.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre coloquialidade comum e fala popular/regional marcada. A alternativa A pode parecer menos formal, mas o comando não pede frase formal elevada; pede a única sem marcas evidentes de estilização popular, e essas marcas aparecem de modo nítido em B e C, além de aparecerem de forma mais discutível em D.
Dica para questões semelhantes
- Leia o comando para saber se a banca quer correção gramatical ou identificação de marcas de variação linguística; aqui, o critério é o segundo.
- Procure sinais concretos de fala popular/regional na materialidade do trecho, como variantes fonéticas, formas reduzidas e construções estilizadas.
- Não elimine uma alternativa só porque ela soa coloquial; compare o grau de marcação com as demais.
- Em questões por contraste, a correta pode ser apenas a menos marcada, não necessariamente a mais formal.






