[...] e noto aqui que o pensamento é um atributo que me pertence. Só ele não
pode ser desprendido de mim. Eu sou, eu existo. Isto é certo; mas por quanto
tempo? A saber, durante o tempo em que penso; pois talvez pudesse ocorrer, se
eu cessasse de pensar, que cessasse ao mesmo tempo de existir".
DESCARTES, R. Meditações metafísicas. Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo:
Martins Fontes, 2005. p. 46 – grifos do autor.
Assinale a alternativa que justifica o pensamento como a verdade primeira da filosofia
de Descartes.
Gabarito comentado
Alternativa correta: B
Tema central: a questão trata do fundamento do conhecimento em Descartes — o papel do pensamento como primeira verdade indubitável obtida pela dúvida metódica. É essencial conhecer o cogito ("penso, logo existo") e a distinção entre dúvida metódica e ceticismo absoluto.
Resumo teórico: Descartes inicia nas Meditações uma dúvida sistemática para afastar crenças incertas. Mesmo duvidando de tudo (sentidos, mundo, até de Deus), percebe que o próprio ato de duvidar pressupõe um sujeito que pensa. Assim, o pensamento torna‑se a certeza primeira e indubitável — a existência do eu pensante é imediatamente conhecida sempre que se pensa. (Fonte: Descartes, Meditações Metafísicas, 1641.)
Justificativa da alternativa B: ela afirma que o pensamento é a certeza indubitável porque a dúvida e o erro não conseguem negar a condição do pensamento. Isso resume corretamente o movimento cartesiano: mesmo sob hipótese do enganador supremo, não se pode negar que enquanto se pensa existe alguém pensante — eis a verdade primeira.
Análise das alternativas incorretas:
A — incorreta: atribui dependência do pensamento ao corpo e aos sentidos. Descartes, ao contrário, defende o dualismo: mente (res cogitans) distinta do corpo (res extensa); o pensamento é independente da materialidade.
C — incorreta: afirma dependência da verdade do pensamento à fé. Descartes busca fundamento racional e epistemológico; embora recorra a Deus para validar as claras e distintas ideias, não subordina a veracidade do pensamento à fé religiosa.
D — incorreta: descreve o pensamento como misterioso e desconhecido. Para Descartes, o pensamento é precisamente aquilo que é imediatamente conhecido — claro e distinto — e, portanto, não um enigma sem fundamento.
Dica de interpretação: procure palavras-chave como "certeza indubitável", "dúvida metódica" e "substância pensante". Em questões sobre Descartes, prefira alternativas que destaquem racionalidade, imediatismo do conhecimento e independência da mente frente ao corpo.
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