(...)
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou
(...)
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...
(...)
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...
(Caetano Veloso. Alegria, alegria, 1967.)
A letra da canção de Caetano Veloso, apresentada no III Festival
da Música Popular Brasileira, em 1967, faz várias alusões
ao contexto da época. Entre elas, podemos citar
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou
(...)
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...
(...)
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...
(Caetano Veloso. Alegria, alegria, 1967.)
A letra da canção de Caetano Veloso, apresentada no III Festival da Música Popular Brasileira, em 1967, faz várias alusões ao contexto da época. Entre elas, podemos citar
Gabarito comentado
Gabarito: Letra D
Tema central: a questão relaciona a letra de uma canção de 1967 com o contexto histórico do Brasil e da América Latina na década de 1960 — especialmente o crescimento dos meios de comunicação de massa e as tensões políticas regionais. Para resolver, é preciso reconhecer alusões simbólicas (televisão, estrelas do cinema, referências a “guerrilhas” e “bombas”) e situá‑las historicamente.
Resumo teórico rápido: nos anos 1960 o Brasil viveu a ditadura iniciada em 1964; paralelamente ocorreu expansão da televisão e da cultura pop (ex.: cinema, ídolos internacionais). Na América Latina, havia polarização política, movimentos guerrilheiros e intervenções militares. O movimento Tropicalista (onde Caetano se insere) fazia críticas através de imagens que misturam cultura de massa e política.
Justificativa da alternativa D: a letra cita explicitamente elementos da cultura mediática (televisão, figuras como Brigitte Bardot) e imagens de conflito (guerrilhas, “bomba”, “presidentes”), mostrando a intersecção entre mass media e tensões políticas. Assim, a alternativa que aponta o crescimento dos meios de comunicação de massa e as tensões políticas na América Latina é a que melhor traduz as alusões da canção.
Análise das alternativas incorretas:
A — revalorização da família e ensino religioso: incompatível com o teor contestador e pop da letra; não há alusões a esse tema.
B — processo de abertura e fim dos governos militares: cronologia e conteúdo errados. Em 1967 o regime militar estava consolidado; a “abertura” só ocorre mais tarde (década de 1970/80).
C — queda de João Goulart e ameaça comunista: a queda de Jango foi em 1964 (contexto relevante), mas a letra não faz referência direta a esse evento nem focaliza o discurso anticomunista; fala mais em imagens mediáticas e conflitos regionais.
E — perseguição e Decreto do AI‑5: embora a repressão aumente depois (AI‑5 em 13/12/1968), a canção apresentada em 1967 não alude especificamente ao AI‑5; além disso, a alternativa mistura questão cronológica com interpretação exclusiva de repressão.
Dica de prova: identifique palavras-chave no enunciado (ex.: televisão, guerrilha, Brigitte Bardot, bomba) e pergunte: são imagens de cultura de massa, de repressão direta, ou de discurso moralista? Use também a cronologia (1964: golpe; 1967: festival; 1968: AI‑5) para eliminar alternativas impossíveis.
Fontes rápidas: Ato Institucional nº 5 — 13/12/1968 (contexto repressivo); estudos sobre Tropicalismo e mídia nos anos 60 (p.ex., artigos sobre movimento Tropicalista e história da TV no Brasil).
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