Questão 3c223a6e-0e
Prova:UEMG 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

“O regionalismo de Lisbela e o Prisioneiro, fundado no aproveitamento de incidentes testemunhados por amigos, por familiares e por Osman Lins bem como apoiado na transposição de ditados, expressões populares e dísticos encontrados em para-choques de caminhões, é transfgurado sob a pena de seu autor.” (Sandra Nitrini, S.Paulo, junho de 2003.)

Assinale, abaixo, a alternativa cujo trecho citado NÃO confrma a análise de Sandra Nitrini:

A
“Ia pra bem dez ou oito anos que eu não topava um boi, delegado.”
B
“No mês passado, sim. Vendi um desse que diz padre-flho-espírito-santo. Mas isso é muito vasqueiro. Agora curió, eu tenho bom.
C
“Quando é ontem, eu fui lá buscar a roupa e ele, com licença da palavra, me jogou um capitão cheio. Saí de lá ensopado e com o cheiro mais horroroso do mundo.”
D
“Hoje mesmo eu vou em Glória do Goitá receber dinheiro de um freguês. (...) Depois, eu tenho de ir na Boa Vista, que fca meio longe, é quase na fronteira com a Bahia.”

Gabarito comentado

V
Vinícius RochaMonitor com apoio de IA

Gabarito: D

Fundamento decisivo: O comando pede a alternativa cujo trecho "NÃO confirma a análise de Sandra Nitrini", e o critério decisivo do enunciado é o aproveitamento de "ditados, expressões populares e dísticos" como marca de regionalismo. A, B e C apresentam oralidade popular/regional mais nítida; D traz sobretudo referência geográfica e coloquialidade, sem confirmar de modo decisivo esse traço.

Tema central: regionalismo linguístico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada como resposta porque confirma, sim, a análise de Sandra Nitrini. Em “Ia pra bem dez ou oito anos que eu não topava um boi, delegado.”, há construção de oralidade popular em “Ia pra bem dez ou oito anos” e expressão coloquial marcada em “não topava um boi”. O critério da questão não é correção normativa, mas presença de fala popular aproveitada literariamente.
B
Errada
Está errada como resposta porque o trecho confirma o regionalismo descrito no enunciado. Em “Vendi um desse que diz padre-filho-espírito-santo. Mas isso é muito vasqueiro. Agora curió, eu tenho bom.”, o léxico e a formulação remetem ao universo popular e regionalizado. “vasqueiro” e “curió” funcionam como marcas linguísticas e culturais compatíveis com o aproveitamento de expressões correntes referido no texto crítico.
C
Errada
Está errada como resposta porque também confirma a análise. Em “Quando é ontem, eu fui lá buscar a roupa e ele, com licença da palavra, me jogou um capitão cheio.”, aparecem construção oral-popular e expressões marcadas: “Quando é ontem”, “com licença da palavra” e “me jogou um capitão cheio”. O efeito produzido é justamente o de fala viva, socialmente situada, em linha com o regionalismo apontado no enunciado.
D
Certa
A alternativa D é a correta porque seu trecho não exemplifica de modo suficientemente característico o regionalismo definido no enunciado. Em “Hoje mesmo eu vou em Glória do Goitá receber dinheiro de um freguês. (...) Depois, eu tenho de ir na Boa Vista, que fica meio longe, é quase na fronteira com a Bahia.”, há fala coloquial e menção a localidades, mas isso não basta, por si só, para confirmar o aproveitamento literário de “ditados, expressões populares e dísticos” ou de uma oralidade regional fortemente marcada, como ocorre nas demais. O ponto decisivo não é ausência total de traço regional, mas menor aderência ao critério central formulado por Sandra Nitrini.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre regionalismo linguístico e simples ambientação geográfica: mencionar lugares nordestinos e usar coloquialidade não equivale automaticamente ao aproveitamento expressivo de fala popular, ditados e expressões correntes que o enunciado define como critério.
Dica para questões semelhantes
  • Leia o conceito dado no enunciado antes de olhar as alternativas e compare cada trecho com esse critério, não com uma ideia vaga de regionalismo.
  • Separe referência espacial de marca linguística: nome de cidade ou região não basta se a questão cobra linguagem popular regionalizada.
  • Em itens de interpretação, não use correção gramatical como filtro quando o comando estiver centrado no efeito de oralidade e nas expressões do texto.
  • Quando a pergunta trouxer “NÃO confirma”, elimine primeiro os trechos com marcas mais evidentes de oralidade popular e deixe para o fim o que apenas se aproxima do critério.

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