Questão 3aaa0d71-36
Prova:UFMT 2012
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Nesse poema, predomina
Nesse poema, predomina
Oh retrato da morte, oh Noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!
Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá- lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve- os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:
E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
(Bocage. Sonetos, 1994.)
Oh retrato da morte, oh Noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!
Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá- lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve- os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:
E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
(Bocage. Sonetos, 1994.)
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!
Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá- lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve- os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:
E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
(Bocage. Sonetos, 1994.)
A
o sentimentalismo exagerado, pois o eu lírico expressa seu amor não correspondido. Trata- se de um poema romântico, que traduz o descontrole emocional.
B
o subjetivismo, pois o eu lírico expressa seu pessimismo existencial. Trata- se de um poema árcade, no qual há prenúncios de características românticas.
C
a idealização de uma relação amorosa, pois o eu lírico sugere poder reverter o amor não correspondido. Trata- se de um poema barroco, que expressa os dilemas do amor.
D
a sugestão de descontrole emocional, pois o eu lírico recorre à noite como forma de fugir da tristeza amorosa. Trata- se de um poema romântico, que traduz a ideia de morte.
E
a objetividade, pois o eu lírico analisa friamente a decepção amorosa por que passa. Trata- se de um poema árcade, que privilegia a expressão comedida do sentimento.
Gabarito comentado
V
Victor Costa Monitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer, no texto, a predominância de subjetivismo confessional e de um campo semântico de dor, noite, morte, escuridão e horrores; por isso, a leitura correta é a de um soneto de Bocage, poeta árcade cuja lírica apresenta traços pré-românticos.
Tema central: subjetivismo pessimista
Análise das alternativas
A
Errada
Há sofrimento amoroso, mas a alternativa erra ao classificar o poema como romântico. A base da questão exige reconhecer que se trata de soneto de Bocage, autor vinculado ao Arcadismo, com traços pré-românticos. Além disso, “sentimentalismo exagerado” e “descontrole emocional” simplificam o núcleo do texto, que é mais precisamente o subjetivismo pessimista expresso no pranto, nos desgostos, na escuridão e nos horrores.
B
Certa
A alternativa B acerta porque identifica o que realmente predomina no soneto: a interioridade do eu lírico e seu tom sombrio. Isso aparece em “Calada testemunha do meu pranto, / De meus desgostos secretária antiga!”, que explicita a confissão da dor, e também em “Oh retrato da morte, oh Noite amiga” e “Quero fartar meu coração de horrores”, que constroem o pessimismo por meio da noite, da morte, da escuridão e do horror. Além disso, a classificação literária está adequada à base da questão: poema de Bocage, autor árcade, mas com traços pré-românticos perceptíveis nessa exacerbação noturna, fúnebre e emocional.
C
Errada
O texto não idealiza a relação amorosa nem sugere reversão do amor não correspondido. A amada surge como “a cruel”, e o desenvolvimento do poema se desloca para a noite, a morte, a escuridão e o horror. Portanto, a leitura de idealização amorosa contraria o centro semântico do soneto. Também é inadequada a classificação como barroco, já que a base vincula o poema a Bocage e ao Arcadismo com prenúncios românticos.
D
Errada
A alternativa erra na classificação como romântico e também reduz indevidamente a função da noite. No poema, a noite não aparece apenas como fuga da tristeza amorosa; ela é confidente e cúmplice do eu lírico, como mostram “Calada testemunha do meu pranto” e “De meus desgostos secretária antiga!”. O tom de morte e escuridão existe, mas, na questão, ele funciona como traço pré-romântico dentro de um poema árcade.
E
Errada
A ideia de objetividade é incompatível com o texto. O eu lírico não analisa friamente sua situação: ele invoca a noite, confessa seu pranto, fala de seus desgostos e afirma “Quero fartar meu coração de horrores.” Isso exclui expressão comedida e análise fria. Ainda que o enquadramento árcade do autor exista, a justificativa da alternativa contraria frontalmente a linguagem emotiva e imagética do soneto.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre traços noturnos, fúnebres e passionais do poema e sua filiação literária principal: esses traços podem levar ao rótulo de “romântico”, mas o correto é reconhecer um poema árcade de Bocage com prenúncios românticos, em que predomina o subjetivismo pessimista.
Dica para questões semelhantes
- Separe o tema amoroso do eixo predominante do texto: aqui o amor aparece, mas o centro está no pranto, nos desgostos, na noite e nos horrores.
- Observe o campo semântico dominante: morte, escuridão, fantasmas e horror sustentam o pessimismo, não objetividade nem idealização.
- Quando a alternativa mistura interpretação e escola literária, confirme as duas partes; uma leitura parcialmente correta cai se o enquadramento literário estiver inadequado.
- Não confunda presença de traços românticos com pertencimento integral ao Romantismo, sobretudo quando a base aponta autor árcade com prenúncios românticos.






