A imposição, pelas metrópoles, de leis severas às populações de suas colônias, contribuiu para acirrar movimentos
pela independência nas Américas. Isso pode ser constatado ao examinarmos o impacto
Considere o texto abaixo.
Os homens reunidos em sociedade (relevem-me este
tom meio pedante) estão virtual e tacitamente obrigados a
obedecer às leis formuladas por eles mesmos para a conveniência comum. Há, porém, leis que eles não impuseram, que
acharam feitas, que precederam as sociedades, e que se hão
de cumprir não por uma determinação de jurisprudência humana, mas por uma necessidade divina e eterna. Entre essas, e
antes de todas, figura a da luta pela vida (...)
(ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de janeiro: Nova
Aguilar, 1986, p. 432)
Gabarito comentado
Resposta correta: B
Tema central: leis e medidas metropolitanas que agravam tensões coloniais e fomentam movimentos de independência. A questão exige relacionar uma norma específica à reação política nas colônias americanas.
Base teórica (resumo): no século XVIII as metrópoles aplicaram leis para controlar comércio e arrecadação. No caso britânico, a Tea Act (1773) e o pacote de medidas coercitivas posteriores (os chamados Intolerable/Coercive Acts de 1774) foram percebidos pelos colonos como violações de seus direitos — restrição ao comércio local, favorecimento de companhias britânicas e tributação sem representação — levando a protestos (ex.: Boston Tea Party) e escalada rumo à independência (Revolução Americana, 1775–1783). Fontes úteis: estudos sobre as causas da Revolução Americana; leis britânicas de 1773–1774.
Justificativa da letra B: a alternativa B menciona a imposição da Lei do Chá nas Treze Colônias, exatamente o episódio que simboliza a série de atos vistos como “intoleráveis”. Esses atos intensificaram a mobilização política e a unidade inter-colonial, sendo fator direto para o processo independentista norte-americano.
Análise das alternativas incorretas:
A — incorreta: as Reformas Bourbônicas (século XVIII) visavam fortalecer o poder real e reformar a administração colonial; pelo contrário, expulsaram e reduziram o poder da Companhia/ordens religiosas (ex.: expulsão dos jesuítas em 1767), não reforçaram o pacto por meio da Companhia de Jesus. Revoltas coloniais tiveram outras motivações e alvos.
C — incorreta: não houve iniciativa da metrópole em instituir uma monarquia independente na Nova Espanha para manter laços; a independência mexicana (1821) e a breve monarquia de Iturbide foram resultado de processos locais e não de uma manobra metropolitana benevolente.
D — incorreta: em Saint-Domingue as tensões se deviam à escravidão e desigualdades raciais; embora a França controlasse a colônia rigidamente, a formulação de D — que o governo censurou simplesmente os ideais da Revolução Francesa — é imprecisa. Na prática, ideias revolucionárias catalisaram a revolta de escravizados e livres de cor (1791) que culminou na independência haitiana.
E — incorreta: no Brasil colonial a pressão fiscal que mais se associa a rebeliões é a derrama (cobrança forçada para completar a cota de ouro), ligada a movimentos como a Inconfidência Mineira (1789). A alternativa mistura termos ("Devassa") e apresenta uma leitura simplista dos efeitos.
Dica de prova: identifique o contexto temporal e geográfico da medida citada (ex.: Tea Act → Treze Colônias → independência EUA). Procure palavras-chave como “Lei do Chá”, “Intolerable Acts”, “derrama”, “Bourbon Reforms” para conectar causa e reação.
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