Questão 3801a9e5-b0
Prova:UFPR 2011, UFPR 2011, UFPR 2011, UFPR 2011, UFPR 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

O autor apresenta convicções sobre seu objeto de estudos: a mente humana. Assinale a alternativa que apresenta uma delas.

      Qualquer livro intitulado Como a mente funciona deveria começar com uma nota de humildade; começarei com duas.

      Primeiro, não entendemos como a mente funciona – nem de longe tão bem quanto compreendemos como funciona o corpo, e certamente não o suficiente para projetar utopias ou curar a infelicidade. Então, por que esse título audacioso? O linguista Noam Chomsky declarou certa vez que nossa ignorância pode ser dividida em problemas e mistérios. Quando estamos diante de um problema, podemos não saber a solução, mas temos insights, acumulamos um conhecimento crescente sobre ele e temos uma vaga ideia do que buscamos. Porém, quando defrontamos um mistério, ficamos entre maravilhados e perplexos, sem ao menos uma ideia de como seria a explicação. Escrevi este livro porque dezenas de mistérios da mente, das imagens mentais ao amor romântico, foram recentemente promovidos a problemas (embora ainda haja também alguns mistérios!). Cada ideia deste livro pode revelar-se errônea, mas isso seria um progresso, pois nossas velhas ideias eram muito sem graça para estar erradas.

      Em segundo lugar, eu não descobri o que de fato sabemos sobre o funcionamento da mente. Poucas das ideias apresentadas nas páginas seguintes são minhas. Selecionei, de muitas disciplinas, teorias que me parecem oferecer um insight especial a respeito dos nossos pensamentos e sentimentos, que se ajustam aos fatos, predizem fatos novos e são coerentes em seu conteúdo e estilo explicativo. Meu objetivo foi tecer essas ideias em um quadro coeso, usando duas ideias ainda maiores que não são minhas: a teoria computacional da mente e a teoria da seleção natural dos replicadores.

(PINKER, Steven. Como a Mente Funciona. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 9.) 

A
Já acumulamos conhecimento suficiente para abordar a mente humana e propor explicações para o seu funcionamento.
B
Embora tenhamos alguns insights, prevalecem os mistérios em relação ao funcionamento da mente humana, haja vista o amor romântico.
C
Embora alguns tenham defendido que a mente humana pode receber um tratamento mais científico, as velhas ideias é que se mostraram corretas.
D
Diante da complexidade do funcionamento da mente humana somos incapazes de formular qualquer hipótese.
E
O funcionamento da mente e o funcionamento do corpo humano constituem desafios que são similares em complexidade.

Gabarito comentado

B
Bruna FerreiraMonitor com apoio de IA

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a distinção textual entre “problemas” e “mistérios”: “Quando estamos diante de um problema, podemos não saber a solução, mas temos insights, acumulamos um conhecimento crescente sobre ele e temos uma vaga ideia do que buscamos. (...) Escrevi este livro porque dezenas de mistérios da mente, das imagens mentais ao amor romântico, foram recentemente promovidos a problemas”. Isso mostra que o autor admite avanço cognitivo suficiente para abordar aspectos da mente e formular explicações parciais; por isso, entre as alternativas, a A é a que corresponde à convicção efetivamente assumida no texto.

Tema central: conhecimento sobre a mente
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A se sustenta porque traduz, em sentido mínimo, a convicção de que já há base investigativa para tratar o funcionamento da mente: o autor afirma que vários temas antes tidos como mistérios passaram à condição de problemas, e define problema como aquilo sobre o qual já existem insights, conhecimento crescente e direção explicativa. A ressalva importante é que essa suficiência não é plena nem total; ela vale para abordar a mente e propor explicações, não para dizer que ela já foi completamente compreendida.
B
Errada
Está errada por dois motivos textuais. Primeiro, afirma que “prevalecem os mistérios”, mas o texto não estabelece predominância de mistérios; ao contrário, diz que “dezenas de mistérios da mente” foram promovidos a problemas. Segundo, usa “amor romântico” como prova de mistério atual, quando o texto o inclui exatamente entre os temas promovidos a problemas.
C
Errada
Está errada porque contraria o juízo explícito do autor sobre as ideias antigas: “nossas velhas ideias eram muito sem graça para estar erradas”. O texto desqualifica as velhas ideias e valoriza a formulação de novas hipóteses, ainda que falíveis. Portanto, não há base para dizer que as velhas ideias “se mostraram corretas”.
D
Errada
Está errada porque transforma limitação de conhecimento em incapacidade absoluta. O texto diz que, diante de um problema, “temos insights, acumulamos um conhecimento crescente sobre ele e temos uma vaga ideia do que buscamos”. Isso exclui a afirmação de que somos incapazes de formular qualquer hipótese sobre a mente.
E
Errada
Está errada porque o texto marca uma assimetria clara entre os dois campos: “não entendemos como a mente funciona – nem de longe tão bem quanto compreendemos como funciona o corpo”. A alternativa apaga essa diferença e sugere similaridade que o autor não afirma.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre reconhecer que ainda não entendemos plenamente a mente e concluir que nada já pode ser explicado sobre ela. O texto nega o domínio total, mas afirma avanço suficiente para tratar vários temas como problemas, não mais como puros mistérios.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a alternativa respeita o grau exato da afirmação do autor: nem totaliza o que é parcial, nem absolutiza o que é limitado.
  • Quando o texto cria uma distinção conceitual, como entre “problemas” e “mistérios”, a resposta depende dessa definição interna, não de sentido comum das palavras.
  • Teste os exemplos citados no texto: se a alternativa usa um exemplo em função oposta à do original, ela deve ser eliminada.

Estatísticas

Aulas sobre o assunto

Questões para exercitar

Artigos relacionados

Dicas de estudo