Sobre as ideias do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) A Bíblia foi denominada best-seller pelo narrador por ser uma obra muito vendida em todo mundo.
( ) O narrador chamou seu problema de gutembergomania, relacionando-o a Gutemberg, inventor da imprensa no
século XV.
( ) A recomendação, de maneira enfática e precisa, de algumas partes da Bíblia mostra que o narrador conhece a
obra.
( ) O narrador solicitou uma companhia feminina, pois estava com insônia, sozinho em um quarto de hotel.
Assinale a sequência correta.
Sobre as ideias do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) A Bíblia foi denominada best-seller pelo narrador por ser uma obra muito vendida em todo mundo.
( ) O narrador chamou seu problema de gutembergomania, relacionando-o a Gutemberg, inventor da imprensa no século XV.
( ) A recomendação, de maneira enfática e precisa, de algumas partes da Bíblia mostra que o narrador conhece a obra.
( ) O narrador solicitou uma companhia feminina, pois estava com insônia, sozinho em um quarto de hotel.
Assinale a sequência correta.
Fobias
Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares
fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo de altura), collorfobia (medo do que ele vai nos
aprontar agora) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até treiskaidekafobia
(medo do número treze), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei
que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência
patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no
banheiro para ver se as torneiras tinham “Frio” e “Quente” escritos por extenso, para saciar minha sede de letras. Já ajeitei
o travesseiro, ajustei a luz e abri a lista telefônica, tentando me convencer que, pelo menos no número de personagens,
seria um razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma etiqueta, qualquer
coisa. Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação,
embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma
insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência – e
uma mensagem positiva. Recomendo “Gênesis” pelo ímpeto narrativo, “O cântico dos cânticos” pela poesia e “Isaías” e
“João” pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
Mas, e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga. - Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina... - Você não entendeu! Eu quero uma revista Amiga, Capricho, Vida Rotariana, qualquer coisa.
- Infelizmente, não tenho nenhuma revista.
- Não é possível! O que você faz durante a noite? - Tricô.
Uma esperança!
- Com manual?
- Não.
Danação. - Você não tem nada para ler?
- Bem ... Tem uma carta da mamãe.
- Manda!
(VERÍSSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2001.)
Gabarito comentado
Gabarito: E
Fundamento decisivo: O critério decisivo é confrontar as assertivas com marcas explícitas do texto e com inferências imediatamente autorizadas por ele: o narrador explica a “gutembergomania”, chama a Bíblia de “best-seller”, recomenda partes específicas da obra e desfaz o mal-entendido sobre “Amiga”, o que sustenta a sequência V, V, V, F.
- Valide cada assertiva pelo que o texto afirma, sugere ou desmente expressamente; não decida pela impressão geral do trecho.
- Em texto humorístico, separe o efeito cômico da informação efetiva: o humor não elimina a objetividade de marcas textuais decisivas.
- Quando houver diálogo com mal-entendido, identifique de quem é a fala equivocada e quem corrige o sentido.
- Expressões avaliativas como “best-seller” devem ser lidas no contexto do texto, não apenas como dado técnico externo.






