Conforme um dos princípios da fenomenologia de
Edmund Husserl, a consciência, para Merleau-Ponty,
não exerce nenhuma atividade na produção de
conhecimentos científicos.
A fenomenologia é um dos fundamentos da Filosofia de
Maurice Merleau-Ponty. No âmbito da escola da
fenomenologia, ele contesta princípios basilares da
Psicologia clássica, de cunho mecanicista-racionalista.
Com base na afirmação acima, assinale o que for correto.
Gabarito comentado
Resposta: E — Errado
Tema central: trata-se da relação entre a fenomenologia (Husserl) e a filosofia de Merleau‑Ponty, especialmente sobre o papel da consciência na constituição do conhecimento.
Resumo teórico — A fenomenologia husserliana afirma que a consciência é intencional: ela sempre se refere a algo e participa da constituição do sentido do mundo (cf. Ideas I, Edmund Husserl). A técnica da epoché não anula a atividade da consciência; antes, permite descrevê‑la. Merleau‑Ponty aprofunda e modifica Husserl ao enfatizar o caráter encarnado da percepção: o corpo‑sujeito e a percepção pré‑reflexiva são fontes de conhecimento (cf. Phenomenology of Perception, Merleau‑Ponty).
Por que a alternativa E está correta (a afirmação é errada): a frase afirma que, para Merleau‑Ponty, «a consciência não exerce nenhuma atividade na produção de conhecimentos científicos». Isso é falso. Merleau‑Ponty não nega a atividade constitutiva da consciência; ao contrário, sustenta que a percepção e a corporeidade mediariam e fundamentariam todo conhecimento, inclusive científico. A consciência — entendida como atividade perceptiva e intencional, muitas vezes pré‑reflexiva — participa da descoberta, interpretação e validação dos dados científicos, pois a observação é sempre situada e encarnada.
Dica de interpretação para provas: desconfie de termos absolutos como «nenhuma» ou «sempre». Verifique se se atribuem a um autor posições que ele na verdade critica ou revisa. Separe o que é Husserl (intencionalidade, constituição) do que Merleau‑Ponty reinterpreta (corpo, percepção).
Fontes recomendadas: Edmund Husserl, Ideas I; Maurice Merleau‑Ponty, Phenomenology of Perception.
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