Ao afirmar que a razão é histórica, Hegel considera a
razão como sendo relativa, isto é, não possui um
caráter universal e não pode alcançar a verdade.
Hegel criticou o inatismo, o empirismo e o kantismo.
Endereçou a todos a mesma crítica, a de não terem
compreendido o que há de mais fundamental e essencial à
razão: o fato de ela ser histórica. Com base nessa
afirmação, assinale o que for correto.
Gabarito comentado
Resposta: E — Errado
Tema central: a afirmação aborda a ideia hegeliana de que a razão é histórica. É necessário distinguir historicidade da razão de relativismo ou negação da verdade. Hegel afirma que a razão se desenvolve historicamente, mas isso não implica que a verdade seja mera opinião.
Resumo teórico: para Hegel (Phänomenologie des Geistes; Lectures on the Philosophy of History), a razão (ou Espírito/Geist) não é um dado atemporal isolado nem fruto exclusivo da experiência sensível: ela se realiza e se auto-consciencializa ao longo da história por meio de ações, instituições, cultura e linguagem. A verdade, para Hegel, é alcançada dialeticamente — uma forma de universalidade concreta que se realiza historicamente. Portanto, historicidade = condição de possibilidade da universalidade, não sua negação.
Por que a alternativa "E — Errado" é a resposta correta: a assertiva original equipara historicidade com relativismo (que “não possui caráter universal e não pode alcançar a verdade”). Isso é incorreto para Hegel. Ele critica inatismo, empirismo e um certo kantismo porque todos tratam a razão de modo abstrato ou isolado; Hegel defende que a razão alcança objetividade e universalidade somente pelo seu desenvolvimento histórico e dialético. Logo, afirmar que, por ser histórica, a razão não pode alcançar a verdade contradiz diretamente a posição hegeliana.
Dica de interpretação para provas: ao ler “razão é histórica”, não pule para a conclusão “logo, tudo é relativo”. Pergunte: o autor vê historicidade como limitação cognitiva ou como processo em que a razão realiza sua universalidade? No caso de Hegel, é a segunda opção. Palavras-chave a identificar: “desenvolvimento”, “dialética”, “universalidade concreta”, “Geist”.
Fontes recomendadas: Hegel — Phänomenologie do Espírito; Lectures on the Philosophy of History; entrada "Hegel" na Stanford Encyclopedia of Philosophy; Frederick Beiser, Hegel.
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