Jürgen Habermas, defensor de uma racionalidade
comunicativa, afirma que a possibilidade de um
consenso sobre o conhecimento é impossível na pós-modernidade, razão pela qual o ceticismo é a posição
epistemológica mais correta.
A epistemologia é marcada por diferentes maneiras de
formular critérios de verdade, nem sempre unânimes ou
universalmente aceitos. Destaca-se, nesse debate, a figura
do cético. O ceticismo instaura, de maneira decisiva, a
questão sobre a possibilidade do conhecimento. Com
base nessa afirmação, assinale o que for correto.
Gabarito comentado
Resposta: E — Errado
Tema central: trata-se de epistemologia e do papel do ceticismo na questão da possibilidade do conhecimento, confrontado com a posição de Jürgen Habermas sobre racionalidade comunicativa.
Resumo teórico progressivo: o ceticismo questiona se podemos ter conhecimento seguro; na história da filosofia ele coloca desafios aos critérios de verdade. Habermas, por outro lado, desenvolveu a teoria da racionalidade comunicativa (Theorie des kommunikativen Handelns, 1981) e a ética do discurso: para ele, a razão se realiza na interação comunicativa regulada por normas discursivas, permitindo alcançar consenso racional entre interlocutores. Ele critica o relativismo pós-moderno e tenta resgatar um projeto normativo de modernidade capaz de suportar entendimentos intersubjetivos (ver também "Modernity — An Unfinished Project").
Por que a alternativa E é correta: a afirmação original atribui a Habermas a ideia de que, na pós-modernidade, o consenso é impossível e, portanto, o ceticismo seria epistemologicamente correto. Isso é falso. Habermas não sustenta que o consenso seja impossível; ao contrário, teoriza mecanismos racionais (discursos normativos, situação ideal de fala) que possibilitam a obtenção de consensos legítimos. Logo, afirmar que Habermas defende o ceticismo é atribuição incorreta de posição filosófica.
Análise da alternativa incorreta (C — certo): está errada porque mistura conceitos: confunde a crítica pós-moderna ao projeto da razão (de autores como Lyotard) com a posição de Habermas. Enquanto pensadores pós-modernos enfatizam pluralidade e dúvida sobre universais, Habermas propõe procedimentos comunicativos para buscar acordos racionais, rejeitando o relativismo absoluto e o abandono da possibilidade de consenso.
Dica de interpretação para concursos: ao ver um enunciado que atribui a um autor uma posição extrema, verifique palavras-chave (por ex., "racionalidade comunicativa" indica defesa de consenso). Relacione o autor às obras principais (Habermas — Theory of Communicative Action; textos sobre modernidade) antes de responder. Isso evita a armadilha de confundir autores e correntes.
Principais referências: J. Habermas, Theory of Communicative Action (1981); textos sobre a crítica de Habermas ao pós-modernismo.
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