No existencialismo de Jean-Paul Sartre, a amizade
consiste no ser-para-outro, momento em que ela
deixa de existir como ser-para-mim e estabelece com
os homens o principal objetivo da vida, a
solidariedade.
A amizade, chamada de filia pelos gregos, é definida por
Nicola Abbagnano (Dicionário de Filosofia) como, em
geral, a comunhão entre duas ou mais pessoas ligadas por
atitudes concordantes e por afetos positivos. O conceito
de amizade recebe, porém, variações conotativas no
decorrer da história da Filosofia. Com base nessa
afirmação, assinale o que for correto.
Gabarito comentado
Resposta: E — Errado
Tema central: entendimentos filosóficos sobre amizade e, em particular, como Jean‑Paul Sartre concebe a relação com o Outro (être‑pour‑autrui). Saber distinguir termos-chave de Sartre é essencial para responder com segurança.
Resumo teórico (sintético): em Being and Nothingness (L'Être et le Néant, 1943) Sartre diferencia être‑pour‑soi (ser‑para‑si, consciência livre e projetual) e être‑pour‑autrui (o modo como o Outro nos transforma em objeto através do olhar). Para Sartre a relação interpessoal é ambígua: pode levar à objetificação, conflito entre liberdades e à má‑fé; não há, ontologicamente, uma conversão automática em solidariedade ou numa completa anulação do si.
Por que a afirmativa é errada: ela diz que, em Sartre, a amizade consiste no ser‑para‑outro, fazendo desaparecer o ser‑para‑mim e estabelecendo a solidariedade como objetivo principal da vida. Isso distorce a posição sartreana. Para Sartre o être‑pour‑autrui descreve uma tensão — reconhecimento e conflito — não uma dissolução do si nem uma garantia de solidariedade ética. A amizade, quando existe, é um projeto humano contingente e pode ser autêntico ou fruto de má‑fé; não é reduzida a um dever ontológico de solidariedade nem exige perder a liberdade própria.
Fonte principal: Jean‑Paul Sartre, L'Être et le Néant (Being and Nothingness), tradução de Hazel E. Barnes (para leitura em inglês/português consulte edições acadêmicas).
Dica de prova: desconfiar de enunciados absolutistas (p.ex. "consiste em", "deixa de existir", "principal objetivo da vida"). Ao ver termos sartreanos, associe rapidamente a conflito entre liberdades, objeto pelo olhar do Outro e possibilidade de má‑fé — se a alternativa simplifica isso como solidariedade inevitável, é provável que seja falsa.
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