Questão 2c0c3cc5-fe
Prova:USP 2009
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

A chamada Lei do Agrotóxico (no 7.802, de 11/06/89) determina que os rótulos dos produtos não contenham afirmações ou imagens que possam induzir o usuário a erro quanto a sua natureza, composição, segurança, eficácia e uso. Também proíbe declarações sobre a inocuidade, tais como “seguro”, “não venenoso”, “não tóxico”, mesmo que complementadas por afirmações do tipo “quando utilizado segundo as instruções”. Em face das proibições da Lei, a compreensão da frase: “Cuidado, este produto pode ser tóxico”

A
precisa levar em consideração que a condição suficiente para que um produto possa ser tóxico é sua ingestão, inalação ou contato com a pele e não sua composição.
B
exige cautela, pois a expressão “pode ser” pressupõe “pode não ser”, permitindo a interpretação de que se trata de um produto “seguro”, “não venenoso”, “não tóxico”.
C
precisa levar em consideração que a expressão “pode ser” elimina o sentido de “pode não ser”, consistindo em um alerta ao usuário sobre a inocuidade dos produtos.
D
exige admitir que a condição necessária para que um produto seja tóxico é a sua composição, induzindo o usuário a erro quanto à inocuidade e ao mau uso dos produtos.
E
precisa ser complementada com a consideração de que a segurança no manuseio dos agrotóxicos elimina sua toxicidade, bem como eventuais riscos de intoxicação.

Gabarito comentado

A
Arthur DominatoMonitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: A questão se resolve pelo valor semântico da locução modalizadora “pode ser” na frase “Cuidado, este produto pode ser tóxico”, lida à luz do trecho legal que proíbe afirmações capazes de induzir o usuário a erro quanto à segurança e à inocuidade. Como “pode ser” expressa possibilidade, e não certeza, a formulação abre margem para a leitura de que o produto também pode não ser tóxico, o que conduz ao gabarito B.

Tema central: modalização de possibilidade
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa introduz conteúdo que o texto não fornece: ingestão, inalação, contato com a pele e a ideia de condição suficiente da toxicidade. A questão não trata de toxicologia nem de mecanismo de intoxicação; trata da compreensão linguística da frase do rótulo diante da proibição de enunciados que induzam a erro.
B
Certa
A alternativa B acerta porque identifica o efeito decisivo de “pode ser”: a locução não afirma a toxicidade do produto, apenas a apresenta como possibilidade. No contexto da lei citado no enunciado, isso é relevante porque a norma veda formulações que possam induzir o usuário a erro quanto à segurança ou sugerir inocuidade. Assim, ao permitir a leitura de que o produto “pode não ser” tóxico, a frase enfraquece o alerta e se aproxima da zona semântica que a lei proíbe.
C
Errada
Ela erra no núcleo semântico da expressão analisada: “pode ser” não elimina o sentido de “pode não ser”; ao contrário, é justamente essa abertura de possibilidade que importa na questão. Além disso, dizer que isso constitui alerta sobre a inocuidade é incoerente, porque inocuidade remete à ausência de dano, não ao risco.
D
Errada
A alternativa desloca o foco para uma suposta condição necessária da toxicidade ligada à composição, mas o texto não apresenta esse raciocínio. Também acrescenta “mau uso dos produtos”, expressão que não está no trecho-base. O problema da questão é a formulação linguística do rótulo, não uma explicação causal da toxicidade.
E
Errada
Afirmar que a segurança no manuseio elimina a toxicidade e os riscos de intoxicação não decorre do texto. O enunciado legal discute o risco de indução a erro quanto à segurança e à inocuidade; não autoriza concluir que o uso seguro suprima a toxicidade intrínseca do produto.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre “ser tóxico” e “poder ser tóxico”: muitos leem a frase como simples alerta, mas a expressão “pode ser” apenas modaliza por possibilidade e, nesse contexto legal, abre margem para interpretação indevidamente tranquilizadora.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro se a questão cobra fato do mundo ou efeito de sentido da formulação linguística; aqui, o foco está no enunciado do rótulo.
  • Quando aparecer locução como “pode ser”, analise se ela afirma, nega ou apenas admite uma hipótese.
  • Em interpretação com texto legal, use o critério dado pela própria norma resumida no enunciado para julgar a frase.
  • Elimine alternativas que tragam explicações técnicas ou causais não presentes no texto-base.

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