Questão 29d347f6-ec
Prova:CÁSPER LÍBERO 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Sobre Os da minha rua, de Ondjaki, é correto afirmar que:

A
O narrador das 22 histórias explora um quadro da infância vivida num período em que a precariedade das condições materiais não interditava a experiência da comunhão, estimulando a utopia presente na luta contra o colonialismo e na ideia de uma sociedade mais justa.
B
Os dois narradores que participam das 22 histórias vivem, sempre em dupla, um conjunto de fatos marcados pela crueldade infantil da qual não escapam os professores cubanos, os tios e as tias, os pequenos animais e o quase mitológico abacateiro.
C
O narrador das 22 histórias mergulha no tempo histórico e o relaciona a sua própria experiência, convidando o leitor a compartilhar a dinâmica de uma África mítica e ancestral, que pode ser vista tanto como hostil quanto como hospitaleira.
D
Os diversos narradores das 22 histórias resistem à destruição causada pela experiência colonial, inventando para si mesmos uma infância que não existiu. Desse modo, cada história dialoga com a tradição literária angolana, retomando tópicos e renovando propostas fundamentais no percurso literário que se consolida.
E
Os diversos narradores das 22 histórias se fecham sempre aos estímulos exteriores, optando por explorar com acentuada ambiguidade as facilidades do mundo colonial e a violência que o caracterizou. Assim, revelam-se as contradições de uma sociedade que vive entre o peso do colonialismo e a euforia causada pela independência.

Gabarito comentado

F
Florinda Lins Monitor com apoio de IA

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer, entre as alternativas, a que descreve com fidelidade a obra como narrativa de memória da infância, articulada à precariedade material, à comunhão e ao contexto histórico angolano. Por isso, a opção A é a correta: ela preserva esse eixo memorialístico e histórico-social sem impor narradores múltiplos, crueldade dominante ou abstrações incompatíveis com o livro.

Tema central: memória da infância
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque reúne, sem distorção estrutural, os traços que definem a obra: um foco narrativo vinculado à rememoração da infância, a presença de limitações materiais, a experiência comunitária e a ligação entre vivência íntima e contexto histórico angolano. A menção ao horizonte utópico e à luta contra o colonialismo permanece compatível com esse pano de fundo histórico, sem substituir o núcleo da obra por crueldade, mito ancestral ou multiplicidade de narradores.
B
Errada
A alternativa erra primeiro na estrutura narrativa: “Os dois narradores” e “sempre em dupla” são formulações incompatíveis com a obra, que não se define por essa organização. Erra também no eixo temático ao transformar episódios infantis em “crueldade infantil” generalizada, deslocando o tom predominante das histórias.
C
Errada
A referência à relação entre tempo histórico e experiência pessoal é parcialmente compatível, mas a alternativa falseia o núcleo da obra ao substituí-lo por “uma África mítica e ancestral, que pode ser vista tanto como hostil quanto como hospitaleira”. Essa chave essencializante não corresponde ao foco memorial urbano e cotidiano que caracteriza o livro.
D
Errada
A expressão “Os diversos narradores das 22 histórias” já contraria o foco narrativo predominante, ligado a uma voz convergente de rememoração da infância. Além disso, afirmar que os narradores “inventam para si mesmos uma infância que não existiu” altera indevidamente o estatuto memorialístico da obra, trocando reelaboração da experiência vivida por fabulação compensatória.
E
Errada
A alternativa repete o erro de atribuir à obra “Os diversos narradores das 22 histórias”. Também é incompatível com o livro dizer que eles “se fecham sempre aos estímulos exteriores”, pois a infância narrada é marcada por sociabilidade, convivência e abertura ao mundo ao redor. Por fim, reduzir o centro da obra à ambiguidade entre facilidades do mundo colonial e violência descaracteriza seu eixo principal, que é a memória da infância e da experiência comunitária.
Pegadinha da questão
A banca explora trocas indevidas do eixo da obra: substituir a memória da infância por fórmulas mais chamativas, como “diversos narradores”, “dois narradores”, “crueldade infantil”, “África mítica e ancestral” ou invenção de uma infância inexistente.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões sobre obra literária, elimine primeiro alternativas com marcadores absolutos ou estruturais excessivos, como “sempre em dupla” e “diversos narradores”, quando eles descaracterizam o foco narrativo predominante.
  • Diferencie o pano de fundo histórico do núcleo temático: aqui, o contexto angolano importa, mas não substitui a memória da infância, da rua, da escola, da família e da convivência.
  • Desconfie de alternativas que trocam elementos concretos da obra por abstrações totalizantes, como converter a experiência infantil em alegoria de “África mítica e ancestral”.

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