Questão 256a69e1-e9
Prova:UFTM 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Ocorre objeto direto preposicionado quando, principalmente nos verbos que exprimem sentimentos ou manifestações de sentimento, se deseja encarecer a pessoa ou ser personificado a quem a ação verbal se dirige ou favorece.
(Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa, 2005. Adaptado.)


A definição de Bechara é exemplificada com o seguinte verso do poema:

Leia o poema de Mário Quintana para responder à questão.


      Quem ama inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama...

Talvez chegaste quando eu te sonhava.

Então de súbito acendeu-se a chama!

Era a brasa dormida que acordava...

E era um revoo sobre a ruinaria,

No ar atônito bimbalhavam sinos,

Tangidos por uns anjos peregrinos

Cujo dom é fazer ressurreições...

Um ritmo divino? Oh! Simplesmente

O palpitar de nossos corações

Batendo juntos e festivamente,

Ou sozinhos, num ritmo tristonho...

Ó! meu pobre, meu grande amor distante,

Nem sabes tu o bem que faz à gente

Haver sonhado... e ter vivido o sonho!


(Quintana de bolso, 2006.)

A
Então de súbito acendeu-se a chama!
B
O palpitar de nossos corações
C
Quem ama inventa as coisas a que ama...
D
Nem sabes tu o bem que faz à gente
E
E era um revoo sobre a ruinaria,

Gabarito comentado

D
Daniel Barcellos Monitor com apoio de IA

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O verso "Quem ama inventa as coisas a que ama..." corresponde diretamente à definição de Bechara, porque traz um verbo de sentimento com complemento direto introduzido por preposição de valor expressivo; assim, a forma preposicionada não deixa de funcionar como objeto direto preposicionado, o que identifica a alternativa C.

Tema central: objeto direto preposicionado
Análise das alternativas
A
Errada
Em “Então de súbito acendeu-se a chama!”, não há objeto direto preposicionado. “A chama” não funciona como complemento verbal, mas como sujeito de “acendeu-se” em construção pronominal/intransitivada. O erro aqui é tomar um termo posposto ao verbo como se fosse objeto direto.
B
Errada
Em “O palpitar de nossos corações”, não aparece estrutura verbal com objeto direto preposicionado. O núcleo é “palpitar” em emprego com valor nominal no contexto, e “de nossos corações” funciona como complemento nominal, não como complemento verbal. Falta justamente o fenômeno sintático pedido.
C
Certa
A alternativa C exemplifica a definição apresentada porque, no verso citado, o verbo "amar" é transitivo direto e o segmento "a que" retoma "as coisas". A preposição "a" introduz o complemento por realce afetivo/estilístico, sem alterar sua função sintática para objeto indireto. Por isso, trata-se de objeto direto preposicionado, exatamente o caso descrito no enunciado.
D
Errada
Em “Nem sabes tu o bem que faz à gente”, o termo preposicionado “à gente” não é objeto direto preposicionado. Trata-se de complemento introduzido por preposição na construção de “fazer” com sentido de causar benefício a alguém. Aqui, a preposição não tem valor expressivo sobre objeto direto de verbo de sentimento; ela integra outra regência.
E
Errada
Em “E era um revoo sobre a ruinaria,”, o verbo “era” é de ligação. “Um revoo” exerce função de predicativo, e “sobre a ruinaria” tem valor circunstancial, não de objeto direto preposicionado. A alternativa é excluída porque a predicação verbal não admite o tipo de complemento pedido.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que toda sequência com preposição ligada ao verbo é objeto direto preposicionado e não perceber, em C, que o complemento aparece dentro de oração relativa em “a que ama”.
Dica para questões semelhantes
  • Não basta haver preposição: primeiro verifique se o verbo é transitivo direto.
  • Se o verbo exprime sentimento, considere a possibilidade de objeto direto preposicionado por valor expressivo.
  • Em estruturas com pronome relativo, identifique o termo retomado antes de decidir a função sintática.
  • Desconfie de termos pós-verbais e de verbos de ligação: eles frequentemente parecem objeto, mas exercem outra função.

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