Questão 21dd0824-f7
Prova:UEG 2015
Disciplina:Filosofia
Assunto:

Considera-se que no início da filosofia e da ciência moderna, com Descartes e a Revolução Científica do séc. XVII, houve uma mudança fundamental na relação entre sujeito e sua confiança nas possibilidades da razão, o que resultou na mudança da questão ontológica grega, que perguntava pelo ser, para a questão gnosiológica que pergunta pelas possibilidades e limites da razão. Diante dessa questão surgem duas grandes correntes que marcam o pensamento moderno: o racionalismo e o empirismo.

Em relação a tais tendências verifica-se que

A
o racionalismo, ao contrário do empirismo, preocupa-se em levantar hipóteses passíveis de serem submetidas ao controle empírico e matemático em condições de laboratório.
B
a questão gnosiológica de saber o que se pode conhecer foi tratada da mesma forma por empiristas e racionalistas que defendiam os mesmos critérios para determinar a verdade dos fatos e da existência humana.
C
a questão gnosiológica colocada por racionalistas e empiristas só reforça sua confiança na razão, denotando uma falta de preocupação em determinar os limites e as possibilidades da racionalidade.
D
o racionalismo defende o inatismo das ideais, o critério da evidência e a capacidade da razão em desvendar os mistérios da natureza e do universo, ao passo que o empirismo nega o inatismo, estabelecendo o critério da verificação para legitimar suas proposições.

Gabarito comentado

M
Manuela Cardoso Monitor do Qconcursos

Alternativa correta: D

Tema central (resumido): trata-se da mudança moderna que desloca a questão do “ser” (ontologia grega) para a questão gnosiológica — Ou seja: o que e como podemos conhecer? Dois movimentos centrais respondem a isso: racionalismo e empirismo.

Resumo teórico e exemplos: Racionalismo — privilegia a razão, a dedução e a ideia de inatismo (existência de ideias ou estruturas racionais prévias). Critério: evidência clara e distinta (Descartes; também Leibniz, Spinoza).
Empirismo — afirma que todo conhecimento deriva da experiência sensível; nega inato; legitima proposições pela verificação empírica (John Locke, Berkeley, Hume).
Fontes clássicas: Descartes, Meditações; Locke, Ensaio sobre o Entendimento Humano; Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano. Para contextualização moderna: Stanford Encyclopedia of Philosophy (entries sobre Rationalism and Empiricism).

Por que a alternativa D é correta: A alternativa D descreve corretamente as diferenças essenciais: o racionalismo defende inatismo e o critério da evidência racional; o empirismo nega o inatismo e funda a validade do conhecimento na verificação pela experiência. Essa oposição é a base do debate moderno sobre as possibilidades e limites da razão.

Análise das alternativas incorretas:
A — Incorreta: afirma que o racionalismo, ao contrário do empirismo, levanta hipóteses submetidas a controle empírico. Na prática, é o empirismo que privilegia a verificação experimental; o racionalismo confia em dedução e evidência intelectual.
B — Incorreta: sustenta que ambos tratam a questão gnosiológica do mesmo modo e defendem os mesmos critérios. Falso: diferem justamente nos critérios (razão vs. experiência).
C — Incorreta: afirma que ambos reforçam indiscriminadamente confiança na razão e não se preocupam com limites. Em verdade, o debate moderno é sobre esses limites — por exemplo, Hume levanta fortes dúvidas sobre a capacidade da razão, e Kant sistematiza críticas às pretensões racionais.

Dica de prova: busque palavras-chaves nas alternativas — “inatismo”, “evidência”, “verificação/experiência”. Essas palavras costumam indicar a posição epistemológica correta.

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