Questão 21bf86e7-d5
Prova:CESMAC 2016
Disciplina:Filosofia
Assunto:Ética e Liberdade, Conceitos Filosóficos

A liberdade, enquanto um dos constitutivos essenciais do ser humano, como ser racional, tem que entender-se como:

A
o direito inalienável de poder escolher suas possibilidades de ir e vir, em qualquer circunstância da existência, independentemente de ordenamentos jurídicos ou sistemas de valores.
B
o direito de poder agir conforme o que a sua razão lhe mostra como necessário para atingir a felicidade pessoal, desde que não interfira no bem comum e na boa convivência social.
C
o direito de, em todas as situações da vida, poder agir conforme sua própria vontade e livre escolha entre dois bens, respeitando, nessa escolha, os valores éticos e universais.
D
o direito de, em ordem a garantir sua suposta felicidade espiritual, proceder conforme suas crenças e valores religiosos, mesmo que tal comportamento conflite com as liberdades de outros.
E
o direito de não sofrer coação física ou cerceamento de liberdade, mesmo que seus comportamentos sociais tenham violado qualquer lei positiva ou natural.

Gabarito comentado

M
Manuela Cardoso Monitor do Qconcursos

Alternativa correta: C

Tema central: trata-se da noção de liberdade humana enquanto capacidade racional de autodeterminação limitada por critérios éticos e sociais. É importante distinguir diferentes concepções: liberdade como autonomia (Kant), liberdade negativa/positiva (Berlin) e o princípio do não prejudicar (Mill).

Resumo teórico conciso: a liberdade, na tradição filosófica, não é mero fazer o que se quer sem limites. Para Kant, liberdade é autonomia: agir segundo uma lei moral que a própria razão reconhece como universalizável (Fundamentação da Metafísica dos Costumes). Para Mill, liberdade individual só pode ser restringida para evitar dano a terceiros (On Liberty). No plano jurídico, a Constituição Federal brasileira (art. 5º) assegura liberdades individuais, mas elas coexistem com direitos de terceiros e o bem comum.

Por que a alternativa C é correta: ela expressa a liberdade como direito de escolha e vontade, mas condiciona essa escolha ao respeito por valores éticos e universais — isto é, reconhece a autonomia racional do indivíduo condicionada à moralidade universal e ao convívio social. Essa formulação sintetiza a ideia filosófica de liberdade responsável (autonomia não absolutista), compatível com Kant e com limites jurídicos.

Análise das alternativas incorretas:

A — apresenta a liberdade como absoluta e independente de ordenamentos jurídicos e valores: é uma visão ilegítima de liberdade ilimitada e conflita com a necessidade de normas e direitos de terceiros.

B — aproxima-se do conceito correto (agir conforme a razão e sem prejudicar o bem comum), mas enfatiza a busca da felicidade pessoal como fim, o que dá tom utilitarista e menos focado na universalidade ética exigida pela ideia de autonomia racional.

D — aceita comportamento religioso mesmo que viole liberdades alheias; contradiz princípios constitucionais e éticos: a liberdade de crença não autoriza lesar terceiros.

E — protege contra coação física, mas sugere impunidade frente à violação de leis; errada porque liberdade não é sinonímia de isenção de responsabilidade legal.

Dica de interpretação: procure termos absolutos ("independentemente", "mesmo que") como sinal de alternativa problemática. Identifique se a opção concilia liberdade individual com limites éticos/jurídicos — esse equilíbrio costuma indicar a resposta correta em questões sobre liberdade.

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