Questão 17328d6e-de
Prova:UEPB 2009, UEPB 2009
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Em O vôo da guará vermelha, Irene conta (e ouve) histórias de
“fazer durar” ou estender o tempo, atitude similar a de Sherazade,
que, para evitar a sua morte pelo sultão, seu esposo, cumpre a tarefa
de, à noite, contar-lhe um “conto”, deixando a história em suspenso
para que ele tome gosto e queira ouvir a continuação na noite
seguinte. No que diz respeito a O vôo da guará vermelha, pode-se
afirma
Em O vôo da guará vermelha, Irene conta (e ouve) histórias de
“fazer durar” ou estender o tempo, atitude similar a de Sherazade,
que, para evitar a sua morte pelo sultão, seu esposo, cumpre a tarefa
de, à noite, contar-lhe um “conto”, deixando a história em suspenso
para que ele tome gosto e queira ouvir a continuação na noite
seguinte. No que diz respeito a O vôo da guará vermelha, pode-se
afirma
A
que é uma história que atualiza, na ficção, o desejo de vencer a
morte (tanto Irene quanto Sherazade estão condenadas à morte),
despertando no companheiro o gosto pelo ouvir e, assim, a
narradora (Irene, tal qual Sherazade) enche-se do prazer de viver,
ludibriando a morte com a narrativa oral.
B
que é uma história que se distancia de nossa realidade, porque
quem está condenado à morte (seja por decreto, doença ou
quaisquer outros “desígnios”) não sente mais prazer em viver.
C
que é uma história incomparável a As mil e uma noites, porque
ambas as fábulas falam de personagens que vivem em culturas
diferentes e a comparação se dá apenas pela similaridade.
D
que a personagem Irene, por passar pela morte, não adia o seu
destino trágico ao contar histórias para Rosálio: ela narra aquilo
que ele quer ouvir, interessada apenas no dinheiro que irá ganhar.
E
que o ato de narrar é atividade do narrador e, logo, a personagem
não narra, porque é mera reprodutora da fala que lhe é posta na
boca.
Gabarito comentado
C
Camila PereiraMonitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O enunciado já fixa a chave interpretativa ao dizer que “Irene conta (e ouve) histórias de “fazer durar” ou estender o tempo, atitude similar a de Sherazade” e que Sherazade conta para evitar a morte e manter o interesse do ouvinte. Assim, a resposta correta é a que conserva essa analogia e entende o narrar como prolongamento simbólico da vida e adiamento da morte.
Tema central: intertextualidade e narrar como adiamento da morte
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque desenvolve, sem contrariar o enunciado, a comparação entre Irene e Sherazade. O texto-base já orienta a leitura ao associar o ato de contar histórias a “fazer durar” ou “estender o tempo” e, no caso de Sherazade, a “evitar a sua morte”. Além disso, o enunciado também destaca o efeito da narrativa sobre o ouvinte: a história fica em suspenso para que ele “tome gosto e queira ouvir a continuação”. A alternativa A reúne esses dois pontos decisivos: o narrar como resistência à morte e o despertar, no interlocutor, do desejo de continuar ouvindo.
B
Errada
Está errada porque introduz uma generalização psicológica sem apoio textual: afirma que quem está condenado à morte não sente mais prazer em viver. Isso contradiz a chave interpretativa do enunciado, que justamente apresenta a proximidade da morte como motivo para narrar e, assim, prolongar o tempo. A alternativa troca uma inferência autorizada pelo texto por uma opinião absoluta que o texto não sustenta.
C
Errada
Está errada por contradição direta com o enunciado. A alternativa afirma que a história é “incomparável” a As mil e uma noites, mas o comando da questão diz expressamente que a atitude de Irene é “similar a de Sherazade”. A diferença de culturas não elimina a comparação, porque o ponto comparativo indicado pela questão é estrutural e temático: narrar para fazer durar o tempo.
D
Errada
Está errada porque substitui o fundamento dado pelo enunciado por uma motivação exclusiva não autorizada: “interessada apenas no dinheiro”. A base informa que o foco interpretativo está no narrar como extensão do tempo e forma de resistência à morte, em paralelo a Sherazade. Ao negar isso e reduzir a narração a interesse material, a alternativa distorce o sentido central da questão.
E
Errada
Está errada porque contradiz a literalidade do enunciado. O texto afirma: “Irene conta (e ouve) histórias”. Portanto, não se pode dizer que a personagem “não narra”. A alternativa ainda introduz uma tese abstrata sobre narrador e personagem que não se sustenta diante do dado textual expresso.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de abandonar a chave de leitura já dada pelo enunciado: a comparação com Sherazade. Quem ignora essa analogia cai em alternativas que parecem plausíveis por opinião geral, diferença cultural ou motivação material, mas que rompem o eixo interpretativo explicitamente indicado.
Dica para questões semelhantes
- Quando o enunciado explicita uma comparação entre obras ou personagens, use essa relação como critério principal de leitura.
- Elimine alternativas que trocam uma inferência textual por generalizações absolutas sobre comportamento humano.
- Desconfie de palavras exclusivas como “apenas” quando o texto-base não autoriza essa redução de sentido.
- Se uma alternativa contrariar uma informação literal do enunciado, ela deve ser descartada.






